Estudo Nacional de Saúde 2025: Portugueses Sentem-se Bem, Mas Reduzem a Prevenção
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O Estudo Nacional de Saúde 2025, desenvolvido pela Marktest para a Medicare, revela um país que continua a avaliar de forma positiva o seu estado de saúde — 75,8 pontos em 100, praticamente igual ao ano anterior — mas que, simultaneamente, reduziu a frequência de consultas, exames e cuidados preventivos.
O retrato de 2025 mostra um equilíbrio delicado: os portugueses percecionam-se como saudáveis, mas a prevenção está a perder terreno, com impacto no acesso, na vigilância médica e no acompanhamento regular.
A perceção de saúde em Portugal
- Estado de saúde avaliado em 75,8/100 (igual a 2024)
- Melhor perceção entre 18-34 anos (até 79,7 pontos)
- Perceção mais baixa entre 45-64 anos
- Sul e Grande Lisboa continuam acima da médi
- Grande Porto e Litoral Centro registam notas mais baixa
Saúde positiva, mas marcada por diferenças geracionais e regionais
Os mais jovens mantêm a visão mais otimista sobre a sua saúde:
- 18-24 anos: 78,3 pontos
- 25-34 anos: 79,7 pontos
Já nos grupos 45-54 e 55-64 anos, a perceção desce para 73,9 e 73,5 pontos, refletindo maior desgaste ao longo da vida ativa.
A geografia também conta:
- Grande Lisboa e Sul apresentam perceções superiores à média;
- Grande Porto (73,8 pontos) e Litoral Centro (74,6 pontos) mostram níveis mais baixos, alinhando-se com áreas onde os portugueses também reportam maior cansaço, stress e dificuldades de acesso.
Além disso, quem pratica exercício físico regular mantém melhor perceção de saúde (78,8 pontos), enquanto quem toma medicação para doenças crónicas regista a avaliação mais baixa (cerca de 65 pontos).
Prevenção em baixa
- Só 14,8% vai ao médico com frequência inferior a 6 meses
- Antes: 19,1%
- 66,8% dizem “não ver necessidade”
- 27,6% apontam dificuldades de marcação
- Quase 60% não foram ao dentista em 2025
Os portugueses estão a consultar menos o médico
Embora 93% dos portugueses tenham tido pelo menos uma consulta em 2025, a regularidade diminuiu:
apenas 14,8% tiveram consultas com frequência inferior a seis meses (menos 4,3 p.p. face à edição anterior).
Quando questionados sobre a razão para não irem mais vezes:
- 66,8% afirmam “não ver necessidade”;
- 27,6% referem listas de espera e dificuldades de marcação;
- 12,4% dizem não ter médico de família.
As especialidades mais procuradas continuam a ser:
- Medicina Geral — 69,1%
- Saúde Oral — 40,7%
- Oftalmologia — 25,2%
- Ginecologia — 1
Apesar disso, quase 60% não tiveram qualquer consulta de dentista no último ano, revelando que a prevenção oral continua a ser sistematicamente adiada
Médico de família
- 48,2% conseguem marcar consulta sempre que precisam
- 39% têm médico atribuído, mas não conseguem marcar
- 13% continuam sem médico de família
- No Litoral Norte, 46% dizem ter médico mas sem acesso fácil
Acesso ao médico de família continua desigual
O acesso ao médico de família continua a ser um dos principais pontos de pressão do sistema de saúde.
Apenas 48,2% conseguem marcar sempre que necessitam, enquanto 39% têm médico atribuído mas enfrentam dificuldades na marcação.
No Litoral Norte, este bloqueio é especialmente evidente:
46% referem ter médico, mas não conseguir consulta — o valor mais alto do país.
Exames de rotina diminuem
Apesar de 68,4% dos portugueses realizarem pelo menos um exame de rotina anual, a tendência geral é de diminuição:
- 18,2% fazem exames apenas de 2 em 2 anos ou 3 em 3 anos
- 13,4% só fazem exames quando se sentem mal
Este dado reforça a conclusão central deste capítulo: a prevenção está a perder relevância no comportamento dos portugueses
Prioridades de saúde
- 23,6% querem reduzir stress e ansiedade
- 17,7% querem reduzir cansaço
- 17,2% querem controlar o peso
- Nos 25-34 anos, 34% apontam stress como maior prioridade
- Nos 55-64 anos, destaca-se a alimentação equilibrad
Stress e energia são as grandes preocupações de 2025
Questionados sobre as principais prioridades de saúde:
- Reduzir stress/ansiedade é a preocupação nº 1 (23,6%)
- Seguem-se reduzir o cansaço (17,7%) e controlar o peso (17,2%)
Os dados revelam padrões geracionais marcados:
- 18-34 anos: maior foco no stress
- 35-44 anos: foco no cansaço
- 45-54 anos: controlo de peso
- 55-64 anos: alimentação equilibrada
A saúde mental, embora analisada num capítulo próprio, surge aqui novamente como prioridade transversal para os portugueses.
Check-ups e apoio psicológico estão entre os benefícios mais desejados
Perante a hipótese de escolher um benefício gratuito anual:
- Um terço escolheria check-ups completos, reforçando que, apesar da quebra na prevenção, existe consciência da sua importância.
- O acompanhamento psicológico regular é especialmente desejado pelos mais jovens
-
18-24 anos: 24,4%
-
25-34 anos: 22,5%
-
Este insight confirma que a saúde mental e emocional faz hoje parte da definição de saúde dos portugueses.
Suplementação
- 22% tomam suplementos
- Mais comum em mulheres e classes A/
-
Os mais consumidos
- Multivitamínicos (63,8%)
- Ómega-3 (23,7%)
- Colagénio (22,8%)
Suplementação cresce entre quem procura energia e bem-estar
O estudo mostra uma subida no consumo de suplementos alimentares, sobretudo entre mulheres e indivíduos das classes A/B.
Os motivos mais referidos estão relacionados com energia, imunidade e envelhecimento saudável, num contexto em que o cansaço e o stress continuam a marcar o quotidiano português.
Diferenças regionais que não podem ser ignoradas
O país apresenta diferenças claras entre regiões:
- Grande Porto e Litoral Centro: perceção de saúde mais baixa, níveis de stress mais elevados e menor acesso à prevenção.
- Litoral Norte: maiores dificuldades no acesso ao médico de família.
- Grande Lisboa e Sul: melhor perceção global de saúde e maior facilidade de marcação de consultas.
Conclusão: a saúde dos portugueses estabiliza, mas a prevenção recua
O Estudo Nacional de Saúde 2025 da Marktest/Medicare mostra um país que continua a sentir-se saudável, mas que reduziu a procura ativa de cuidados preventivos, com menos consultas, menos exames e mais dificuldades no acesso.
As prioridades mudaram: stress, energia e bem-estar emocional ocupam hoje o topo das preocupações individuais, substituindo hábitos de prevenção que durante anos foram consistentes.
O desafio para o futuro é claro: um país que se sente saudável, mas que precisa de voltar a cuidar-se.