mulher com laço rosa, símbolo universal do cancro da mama

Cancro da mama: sinais a que deve estar atento

7 mins. leitura

Cancro da mama: sintomas e tratamento

A segunda causa de morte por cancro mais frequente no género feminino é o cancro da mama. Todos os anos, no nosso país, são diagnosticados aproximadamente 6000 novos casos de cancro da mama e cerca de 1500 mulheres acabam por falecer devido a esta doença.

Este tipo de cancro tem um grande impacto social e interfere substancialmente na auto-estima da mulher porque "fere" um órgão muito associado à feminilidade.

Estar atento aos sinais de alerta e fazer exames de diagnóstico e de rastreio são passos essenciais para uma deteção mais precoce desta doença e para um melhor prognóstico da mesma.


O que é

O cancro da mama forma-se nos tecidos mamários, normalmente nos ductos (tubos que transportam o leite ao mamilo) ou nos lóbulos (glândulas que produzem o leite).

Estes tumores ocorrem quando há uma alteração nas células normais da mama e estas espalham-se sem controlo, podendo disseminar-se através dos vasos linfáticos para os gânglios regionais (axilares) ou para outras partes do corpo, mais frequentemente: pulmões, ossos, fígado e cérebro. Pode ocorrer em homens ou em mulheres, embora seja mais raro em homens.

Guia Prático: Cancro da mama – Medicare

Tipos de cancro da mama

Existem vários tipos de cancro da mama de acordo com a natureza das células que estiveram na sua origem e de acordo com o estádio (etapa) da doença.

De uma forma geral podemos dividir o cancro da mama em 3 grupos:

  • Cancro da mama não invasor: não se disseminou para fora do ducto (carcinoma ductal in situ).
  • Cancro da mama invasor: tumor que tem potencial para disseminar para outras partes do corpo, mas que pode ainda não ter disseminado.
  • Cancro da mama metastático: é um cancro que já se alastrou a outras partes do corpo.
    As localizações mais frequentes das metástases no cancro da mama são os ossos, o fígado, os pulmões e o cérebro. Cerca de 5% das mulheres com cancro da mama já têm metástases na altura do diagnóstico.

Sintomas

Além daquilo que os exames (mamografia de diagnóstico, ecografia, ressonância magnética, biópsia, entre outros) podem revelar, há algumas alterações físicas na mama visíveis a olho nú ou notórias através da palpação, e que podem servir de alerta e ser um sinal de cancro da mama.

Portanto, é essencial visitar um médico ou uma unidade de rastreio, se se verificarem aspetos como:

  • alteração na mama ou no mamilo;
  • espessamento ou nódulo na mama ou junto à zona da axila;
  • sensibilidade no mamilo;
  • alteração do tamanho ou forma da mama;
  • retração do mamilo (mamilo voltado para dentro da mama);
  • pele da mama, mamilo ou aréola escamosa, vermelha ou inchada;
  • saliências ou reentrâncias (aspeto "casca de laranja");
  • secreção ou perda de líquido pelo mamilo.

Fatores de risco

Ainda não é conhecida uma causa específica para o cancro da mama. Porém, há mulheres com maior risco de vir a desenvolver esta doença. Isto, porque possuem mais fatores de risco, ou seja, aspetos que aumentam a probabilidade de vir a ter esta patologia.

Alguns dos fatores de risco do cancro da mama já descritos são:

  • Idade: o cancro da mama é mais comum em mulheres no pós-menopausa.
  • História pessoal de cancro da mama: quem já teve cancro da mama tem maior probabilidade de voltar a ter.
  • História familiar: ter familiares com cancro da mama também aumenta o risco de desenvolver esta doença.
  • Alterações da mama: possuir carcinoma lobular in situ ou hiperplasia atípica eleva o risco de cancro da mama.
  • Alterações genéticas: determinadas mutações genéticas aumentam o risco de cancro da mama. Se essas mutações forem diagnosticadas atempadamente, o especialista pode recomendar medidas para prevenir e tentar diminuir o risco de cancro da mama ou, pelo menos, assegurar a sua deteção atempada.
  • Primeira gravidez depois dos 31 anos.
  • História menstrual longa: mulheres com primeira menstruação antes dos 12 anos de idade; com menopausa após os 55 anos ou que nunca tiveram filhos.
  • Terapêutica hormonal de substituição: mulheres que fazem terapêutica hormonal durante 5 ou mais anos.
  • Raça: o cancro da mama é mais prevalente em mulheres caucasianas (brancas).
  • Radioterapia na mama: mulheres que tenham sido sujeitas a radioterapia, sobretudo antes dos 30 anos, apresentam um maior risco de vir a ter cancro da mama.
  • Densidade da mama: mulheres mais velhas com tecido denso também têm risco aumentado de cancro da mama.
  • Obesidade após a menopausa: as mulheres obesas produzem níveis mais elevados de estrogénios, o que aumenta o risco de cancro da mama.
  • Inatividade física: o sedentarismo também contribui para um risco aumentado de cancro da mama.
  • Bebidas alcoólicas: o consumo excessivo e frequente de bebidas alcoólicas pode igualmente elevar o risco de cancro da mama.

Nota: Apesar destes serem fatores de risco desta doença, reconhecidos pela comunidade científica, importa sublinhar que existem muitos casos de cancro da mama em que nenhum ou apenas alguns destes fatores de risco se verificam.


Tratamento e prevenção

Atualmente, existem diversas armas terapêuticas para mulheres com cancro da mama. Entre elas, estão cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapêutica hormonal e terapêuticas dirigidas.

O planeamento do tratamento integra uma equipa interdisciplinar de profissionais de saúde. Isso implica normalmente uma reunião com os vários especialistas, denominada de consulta multidisciplinar.

Nesta reunião, o planeamento do tratamento é discutido em função das informações do doente, do tipo do tumor e estadiamento. O tratamento associa normalmente métodos de intervenção que:

  • Atuam a nível local, como, por exemplo, cirurgia ou radioterapia;
  • Atuam em células cancerígenas em todo o corpo com terapia sistémica como quimioterapia, terapia hormonal e/ou terapia direcionada a HER2;

Em alguns casos, este género de tratamento pode servir para diminuir o tamanho do tumor antes da cirurgia ou para, após cirurgia, evitar que alguma célula cancerígena permaneça no corpo.

A extensão do tratamento dependerá das características das células tumorais e do estádio do cancro bem como da idade, das comorbidades e estado geral do doente.


Alguns tipos de tratamentos

Cirurgia

Este é o tratamento mais comum para o cancro da mama.

Há diversos tipos de cirurgia, nomeadamente:

  • Cirurgia conservadora: em que é apenas removido o tumor e não a mama toda. Após esta intervenção, a maioria das mulheres é submetida a radioterapia.
  • Mastectomia: cirurgia em que é removida toda a mama e que pode ser seguida de tratamentos de radioterapia.

Para mulheres que precisam de mastectomia, pode ser recomendada a reconstrução da mama. Esta reconstrução pode ser imediata ou retardada (por razões médicas ou pessoais).

A escolha entre uma cirurgia conservadora da mama e a mastectomia total depende das características do tumor, da dimensão da mama e da preferência do doente. Em alguns doentes é necessário efetuar uma mastectomia devido ao tamanho do tumor, às múltiplas localizações do tumor na mama ou ainda a outros motivos. Isso deve ser discutido com os médicos. Nos dias de hoje, na Europa Ocidental, a cirurgia conservadora da mama pode ser realizada a cada 2 de 3 mulheres com cancro da mama.


Radioterapia

A radioterapia usa raios altamente energéticos para eliminar as células malignas ou reduzir o tamanho do tumor. Esta terapêutica tanto pode ser feita antes, como depois da cirurgia. Existem dois tipos de radioterapia:

  • Radiação externa: a radiação tem origem numa máquina e o tratamento pode prolongar-se durante diversas semanas.
  • Radiação interna (radiação por implante ou braquiterapia): a radiação provém de material radioativo contido em tubos de plástico, que são diretamente colocados na mama.

Quimioterapia

A quimioterapia corresponde a um conjunto de fármacos que é administrado com a finalidade de eliminar as células cancerígenas. Esses medicamentos podem ser tomados oralmente (comprimidos) ou por injeção intravenosa.


Terapêutica hormonal

A terapêutica hormonal não permite que as células cancerígenas interfiram no funcionamento das hormonas do nosso corpo, como os estrogénios e a progesterona. Quando o cancro da mama tem recetores hormonais, a terapêutica hormonal é recomendada. Nesses casos são prescritos fármacos que bloqueiam esses mesmos recetores hormonais.


Terapêuticas dirigidas

Neste caso, são usados anticorpos monoclonais e terapêuticas com pequenas moléculas que identificam nas células cancerígenas os "responsáveis" pelo seu crescimento. Assim, o crescimento das células malignas é bloqueado, limitando a sua propagação no corpo.


Prevenção

Para tentar prevenir o cancro da mama, é importante evitar os fatores de risco que não têm origem genética ou hereditária. Procurar ter um estilo de vida saudável, fazendo uma alimentação equilibrada e praticando regularmente exercício físico, são passos importantes para prevenir esta e outras doenças.

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