mulher com dores abdominais

Doença de Crohn: conheça esta doença crónica do intestino

3 mins. leitura

Doença de Crohn: tudo o que precisa de saber

A doença de Crohn é uma doença inflamatória crónica do intestino que pode atingir qualquer parte do aparelho digestivo. Porém, habitualmente, afeta a parte terminal do intestino delgado (íleo) e o intestino grosso (cólon).

Esta inflamação pode atingir toda a espessura da parede intestinal causando, consequentemente, úlceras no seu revestimento interior. Esta doença é, ainda, caraterizada por períodos de agravamento e de remissão.

Sintomas

Os sintomas da doença de Crohn podem variar, em função do segmento do tubo digestivo inflamado. Ainda assim, alguma da sintomatologia mais frequente é:

  • Diarreia (que pode conter sangue e, assim, estar na origem de quadros anémicos);
  • Dor abdominal (sobretudo à volta do umbigo ou do lado direito, principalmente após as refeições);
  • Perda de apetite;
  • Perda de peso.

Podem, ainda, manifestar-se sintomas não diretamente relacionados com o aparelho digestivo, como é o caso de:

  • Febre;
  • Dores nas articulações;
  • Lesões na pele.

Outros sinais desta doença são lesões na região perianal como, por exemplo:

  • Fissuras;
  • Fístulas (aberturas do intestino na superfície da pele, perto do ânus);
  • Abcessos.

Causas

As causas da doença de Crohn permanecem desconhecidas. Contudo, sabe-se que a genética pode tornar alguns indivíduos mais suscetíveis a esta doença do que outros.

A interação entre elementos estranhos (antigénios, bactérias ou vírus) e o sistema imunológico também pode estar na origem de uma lesão intestinal e, consequentemente, da doença de Crohn. Do mesmo modo, a tensão emocional e o stress também podem interferir no curso da doença, provocando ou agravando crises.


Diagnóstico

Para fazer o diagnóstico da Doença de Crohn, é necessário considerar a história clínica e exame físico do paciente, bem como recorrer:

  • A exames laboratoriais (análises clínicas);
  • Estudo endoscópico, que permite observação do interior do cólon, através de um tubo flexível (sigmoidoscópio ou colonoscópio), de modo a avaliar a atividade e a extensão da inflamação;
  • À colheita de fragmentos de tecido intestinal para exame microscópico (biópsias)
  • A radiografias com bário, para detetar eventuais úlceras e apertos (estenoses);
  • À TAC e à ressonância magnética, para diagnóstico de problemas como fístulas e abcessos.

Complicações

A complicação mais recorrente da doença de Crohn é a oclusão intestinal, ou seja, a dificuldade na progressão do conteúdo intestinal. Esta complicação deve-se ao facto desta patologia causar a inflamação e o espessamento da parede intestinal.

Além disso, as úlceras na Doença de Crohn podem provocar uma comunicação em túnel (fístula) com segmentos adjacentes do intestino ou com outros órgãos (bexiga, vagina, pele), podendo formar áreas infetadas com pus: os abcessos.

Além destas complicações, a doença de Crohn pode ainda causar problemas noutras zonas do corpo, como é o caso das articulações, pele, boca, olhos, fígado e canais biliares. Um exemplo dessas complicações é a formação de cálculos renais e biliares.


Tratamento

Quanto à terapêutica, para reduzir a inflamação causada pela doença de Crohn, podem ser prescritos medicamentos, como a messalazina ou os corticosteróides (na fase aguda e em quadros mais severos).

Caso haja fístulas, pode ainda ser recomendada a toma de medicamentos imunossupressores (azatioprina, metotrexato) e terapêuticas biológicas (infliximab). Se houver complicações perianais, então pode ser necessária a administração de antibióticos (metronidazol e ciprofloxacina) e em casos mais severos a necessidade de drenagem cirúrgica de abcessos perianais ou tratamento cirúrgico de fístulas.

A cirurgia só é aconselhada quando há falência do tratamento médico ou quando surge uma complicação, como obstrução intestinal, perfuração, abcesso ou hemorragia.

A intervenção cirúrgica serve, sobretudo, para melhorar a qualidade de vida do doente. Os procedimentos mais comuns são: a drenagem de abcesso ou remoção (ressecção) do segmento de intestino doente com ligação dos topos de secção (anastomose).

Na cirurgia de ressecção intestinal o objetivo é ressecar o mínimo de intestino, por se tratar de uma doença com múltiplas agudizações e necessidade de várias cirurgias.


Cuidados com a alimentação

A generalidade dos doentes com doença de Crohn não tem restrições dietéticas devendo, contudo, fazer uma alimentação equilibrada. Além disso, deve ter um estilo de vida saudável.

Porém, em fases agudas da doença, pode ser aconselhável reduzir o consumo de fibra, de modo a controlar mais facilmente a diarreia e a dor abdominal.

Também há doentes que podem ter de evitar o leite, devido à sua incapacidade em conseguir digerir a lactose.

Quando são detetados estreitamentos no intestino delgado, também pode ser necessário fazer uma dieta líquida ou com poucos sólidos.

Os doentes com má-absorção devem, ainda, tomar vitaminas e sais minerais. Já os doentes com ileíte ou submetidos a ressecção cirúrgica precisam de receber vitamina B12.

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