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Reinfeção por Covid-19: é possível acontecer?

5 mins. leitura

A maioria das pessoas terá ouvido falar em coronavírus há pouco mais de um ano, quando começaram a surgir as primeiras notícias sobre a doença Covid-19, porém, mais recentemente tem-se ouvido falar sobre a possibilidade de reinfeção por Covid-19.

O termo coronavírus refere-se a uma larga família de vírus que já existe há muito tempo e cujas consequências podem variar entre uma tosse ligeira ou uma doença respiratória grave.

O novo coronavírus é um dos vários vírus capazes de infetar os seres humanos, presumindo-se que tenha passado ao Homem por via de contacto com um portador animal. Este vírus tem a designação de SARS-CoV-2 e é o responsável pela Covid-19. Infeta os sistemas respiratório, cardíaco, gastrointestinal, hepático e nervoso, assim como sistemas corporais como o sangue ou o sistema imunológico.

Recentemente, começaram a surgir novas estirpes, que correspondem a mutações do vírus. Estas mutações também não são surpresa, pois acontecem com frequência devido às caraterísticas genéticas dos coronavírus. O SARS-CoV-2 surge, aliás, como resultado, precisamente, de uma mutação.

Cientistas de todo o mundo têm-se debruçado sobre o estudo do novo coronavírus, não só no que se refere aos sintomas, tratamento e vacinação, mas também relativamente às mutações que dão origem a novas estirpes e à possibilidade de reinfeção por Covid-19.


O que se sabe sobre a reinfeção por Covid-19

Reinfeção após a cura

A possibilidade de alguém que já contraiu Covid-19 e foi dado como curado voltar a ser infetado pelo novo coronavírus é uma realidade.

Embora o organismo produza anticorpos em resposta ao novo coronavírus, estes parecem não conferir imunidade para sempre, já que tem havido relatos de reinfeção por Covid-19 em vários países. As primeiras reinfeções foram descritas em Hong Kong, na Bélgica e nos Estados Unidos.

A comunidade científica continua, porém, a tentar compreender este fenómeno e, sobretudo, se vem colocar em causa a tão desejada imunidade da população. Não há, no entanto, respostas fáceis e as conclusões definitivas ainda deverão demorar mais algum tempo.

Por outro lado, ao colocar em causa a imunidade, o aparecimento de novas estirpes pode potenciar a reinfeção. Porém, os dados existentes até ao momento, não permitem ainda à comunidade científica perceber, com exatidão, até que ponto isso é possível.


Estirpes de vírus: o que são e por que ocorrem

Como vimos atrás, as mutações dos coronavírus são frequentes, dando origem ao aparecimento de novas estirpes. Isto acontece devido ao facto de os coronavírus terem todo o seu material genético em ácido ribonucleico (RNA).

Quando os vírus infetam um indivíduo, ligam-se às células dessa pessoa, entram no seu interior, e fazem cópias do RNA, o que os ajuda a espalhar-se. Se houver um erro de cópia, o RNA é alterado, ou seja, ocorre uma mutação. Estas alterações sucedem de forma aleatória e por acidente. É, aliás, um fenómeno típico do que acontece aos vírus à medida que estes se multiplicam e espalham, já que são a única forma do vírus sobreviver.

Devido à aleatoriedade das mudanças, elas podem fazer pouca ou nenhuma diferença na saúde da pessoa, porém, outras vezes causam doenças. É por este motivo, por exemplo, que se justifica, todos os anos, a necessidade de uma vacina contra a gripe, pois o vírus que a provoca sofre alterações de ano para ano.

Quando um vírus sofre uma mutação que facilita o contágio entre pessoas e a sua propagação, essa estirpe torna-se mais comum.


As novas estirpes da Covid-19

No final de 2020, os cientistas detetaram a ocorrência de mutações genéticas no novo coronavírus. Estes casos verificaram-se em pessoas residentes no sudeste de Inglaterra.

Desde então, a estirpe inglesa foi sendo detetada em vários países.

Entretanto, outras estirpes foram também identificadas um pouco por todo o mundo, designadamente, na Nigéria, Espanha, Estados Unidos, África do Sul e Brasil.

A principal diferença entre as novas estirpes e o vírus original é que são mais contagiosas, não havendo registo de que tenham agravado a doença.

Embora as novas variantes do vírus não representem um agravamento da doença, estudos recentes concluíram, por exemplo, que a estirpe descoberta em Inglaterra está relacionada com uma maior probabilidade de hospitalização e morte do que o vírus original.

Os cientistas consideram, porém, que são necessários mais estudos para uma melhor compreensão e lembram, também, que o risco global de morte por Covid-19 continua a ser baixo.

Por outro lado, não existem ainda certezas sobre os efeitos das novas estirpes no sucesso das vacinas contra o vírus original, mas as investigações a nível mundial estão em curso.


Situação em Portugal

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), até ao início do mês de março tinham sido identificadas em Portugal oito variantes genéticas do novo coronavírus.

Mais de metade dos casos está relacionada com uma mutação proveniente de Espanha, que terá sido a principal responsável pela segunda vaga de Covid-19 no nosso país.

A segunda variável genética com maior presença em Portugal é a que foi inicialmente identificada em Inglaterra, altamente contagiosa, e foi na sequência da sua propagação que o Governo determinou o encerramento das escolas, no final de janeiro.

As variantes descobertas na África do Sul e no Brasil também chegaram ao nosso país. A exemplo das anteriores, ambas são, igualmente, responsáveis pelo aumento da transmissibilidade do vírus em Portugal. Existem, ainda, casos associados a variantes identificadas na Bélgica e Holanda.

Os investigadores do INSA estão a estudar uma mutação mais recente, denominada L452R. Esta variante tem semelhanças com uma estirpe inicialmente identificada na Califórnia (Estados Unidos) e carateriza-se, não só por uma maior transmissibilidade do que o vírus original, mas também pela associação a uma falha da ligação dos nossos anticorpos neutralizantes.


Sintomas provocados pelas novas estirpes do SARS-CoV-2

As novas estirpes do SARS-CoV-2 partilham os mesmos sintomas do vírus original, nomeadamente:

  • Febre alta;
  • Tosse persistente;
  • Falta de ar;
  • Perda do olfato e paladar;
  • Fadiga;
  • Dores musculares;
  • Dor de garganta;
  • Sintomas gastrointestinais, nomeadamente, dor abdominal, diarreia ou vómitos.

Independentemente da estirpe do vírus, qualquer pessoa que suspeite estar infetada com Covid-19 ou que tenha testado positivo, deve continuar a reagir como até aqui. Ou seja:

  • Autoisolamento (não estar em contacto com outras pessoas para evitar o contágio, até porque os vírus das novas estirpes da Covid-19 propagam-se ainda mais facilmente);
  • Realizar um teste de deteção para a Covid-19;
  • Estar atento a sinais de gravidade que justifiquem recorrer ao atendimento médico.

Quanto ao futuro, as mudanças no vírus responsável pela Covid-19 vão, muito provavelmente, continuar a acontecer.

É impossível prever as consequências de futuras estirpes, mas é certo que as mutações fazem parte da natureza dos vírus. E a comunidade científica mundial está a trabalhar intensivamente para as identificar e combater.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico. Encontre aqui profissionais de saúde perto de si.

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