Ir para conteúdo principal

Hemoglobina glicada (HbA1c): o que é e como interpretar os valores

• 10 mins. leitura

Índice

  1. 1. O que é a hemoglobina glicada?
  2. 2. Como interpretar os valores da HbA1c?
  3. 3. Qual é a diferença entre HbA1c e glicemia?
  4. 4. O que pode alterar o resultado da HbA1c?
  5. 5. O que fazer quando a HbA1c está elevada?

H1.Hemoglobina glicada (HbA1c): o que é e como interpretar os valores

A hemoglobina glicada, ou HbA1c, é uma análise que permite estimar a glicemia média dos últimos dois a três meses.

Ao contrário de uma medição pontual da glicose, que mostra o valor naquele momento, a HbA1c ajuda a perceber como a glicemia se tem comportado ao longo do tempo.

É utilizada para ajudar a identificar pré-diabetes e diabetes tipo 2 e para acompanhar pessoas que já vivem com diabetes.

Mas interpretar o resultado exige algum cuidado.

Uma HbA1c de 6,5% ou mais pode cumprir um dos critérios laboratoriais para diabetes, mas um resultado isolado não deve ser transformado automaticamente num diagnóstico. Na ausência de sintomas inequívocos ou hiperglicemia clara, é normalmente necessário confirmar a alteração.

O que é a hemoglobina glicada?

A hemoglobina é uma proteína presente nos glóbulos vermelhos responsável pelo transporte de oxigénio.

A glicose que circula no sangue liga-se naturalmente a uma pequena parte dessa hemoglobina.

A HbA1c mede precisamente a proporção de hemoglobina que ficou ligada à glicose.

Quanto maior tiver sido a exposição à glicose ao longo do tempo, maior tende a ser a percentagem de HbA1c.

Porque representa vários meses?

Os glóbulos vermelhos permanecem na circulação aproximadamente durante três meses.

Enquanto circulam, a hemoglobina vai ficando progressivamente exposta à glicose.

É por isso que a análise permite obter uma visão aproximada dos últimos dois a três meses, em vez de mostrar apenas o que aconteceu naquele dia.

O resultado não representa, contudo, todos os dias com exatamente a mesma importância.

Os níveis de glicose das semanas mais recentes influenciam mais o resultado do que os de alguns meses atrás.

HbA1c significa o mesmo que A1C?

Sim.

Pode encontrar diferentes designações:

  • HbA1c;

  • A1C;

  • hemoglobina glicada;

  • hemoglobina A1c;

  • glic hemoglobina.

Na prática, referem-se ao mesmo marcador.

É preciso estar em jejum?

Não.

Ao contrário da glicemia em jejum, a HbA1c não exige jejum.

Isto significa que a refeição que acabou de fazer não altera de forma significativa o resultado.

No entanto, se tiver outras análises marcadas para o mesmo momento — colesterol ou glicemia em jejum, por exemplo — pode existir indicação para jejum por causa desses exames.

Siga sempre as instruções fornecidas pelo laboratório ou profissional de saúde.

Profissional de laboratório organiza tubos de amostra sem rótulos

Como interpretar os valores da HbA1c?

A HbA1c é habitualmente apresentada em percentagem (%).

Alguns laboratórios também apresentam o resultado em mmol/mol, de acordo com a padronização internacional IFCC.

Para adultos não grávidos, um dos enquadramentos clínicos mais utilizados considera:

  • abaixo de 5,7%: intervalo sem critérios laboratoriais de pré-diabetes;

  • 5,7% a 6,4%: intervalo de pré-diabetes ou risco aumentado;

  • 6,5% ou superior: valor compatível com um dos critérios de diagnóstico de diabetes.

Em unidades IFCC, estes intervalos correspondem aproximadamente a:

  • menos de 39 mmol/mol;

  • 39 a 47 mmol/mol;

  • 48 mmol/mol ou mais.

A DGS inclui uma HbA1c igual ou superior a 6,5% entre os critérios utilizados para diagnosticar diabetes.

HbA1c abaixo de 5,7% significa que está tudo bem?

É um resultado tranquilizador relativamente a este marcador, mas não deve ser interpretado isoladamente.

Uma pessoa pode apresentar outros fatores de risco como:

  • excesso de peso;

  • obesidade abdominal;

  • hipertensão;

  • familiares próximos com diabetes;

  • sedentarismo;

  • alterações dos triglicéridos;

  • antecedentes de diabetes gestacional.

Por isso, um resultado dentro do intervalo habitual não substitui a avaliação global do risco metabólico.

O que significa HbA1c entre 5,7% e 6,4%?

Este intervalo é frequentemente utilizado para identificar pessoas com pré-diabetes ou risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2.

Não significa que a progressão para diabetes seja inevitável.

O risco não é igual em todo o intervalo: de forma geral, tende a aumentar à medida que a HbA1c se aproxima de 6,5%.

Pode aprofundar este tema no nosso artigo sobre pré-diabetes.

Uma HbA1c de 6,5% significa automaticamente diabetes?

Não necessariamente a partir de uma única análise.

Uma HbA1c igual ou superior a 6,5% é um dos critérios laboratoriais utilizados para o diagnóstico.

Mas, se não existirem sintomas claros de hiperglicemia, o resultado deve normalmente ser confirmado através:

  • de uma nova HbA1c;

  • de glicemia em jejum.

  • de outro teste diagnóstico apropriado.

As recomendações atuais exigem, em geral, dois resultados anormais quando não existe hiperglicemia inequívoca.

E se um teste estiver alterado e outro normal?

Pode acontecer.

Por exemplo, uma pessoa pode apresentar:

  • HbA1c elevada e glicemia em jejum normal;

  • glicemia elevada e HbA1c abaixo do limite diagnóstico.

Estes exames não medem exatamente a mesma coisa, uma vez que há individuos mesmo glicémias em jejum dentro da normalidade, fazem picos de glicémia alta após as refeições, aumentando assim a HBA1c.

Quando os resultados não são concordantes, pode ser necessário repetir testes e perceber se existem fatores capazes de alterar algum dos valores.

Qual deve ser a HbA1c de uma pessoa com diabetes?

Aqui existe uma distinção fundamental:

o valor utilizado para diagnosticar diabetes não é automaticamente o objetivo do tratamento.

Para muitos adultos não grávidos com diabetes, as recomendações atuais utilizam frequentemente um objetivo de HbA1c inferior a 7%.

Mas esse objetivo deve ser individualizado.

Pode ser diferente consoante:

  • idade, nos mais idosos e com doença cardiovascular pré existente o valor pretendido pode ser menos baixo por risco das hipoglicémias

  • duração da diabetes;

  • risco de hipoglicemia;

  • doenças cardiovasculares;

  • doença renal;

  • fragilidade;

  • outras doenças;

  • tratamentos utilizados;

  • preferências da pessoa.

  • Em algumas pessoas podem ser adequados objetivos mais baixos. Noutras, metas menos exigentes podem ser clinicamente mais seguras.

Médico explica resultados de análises a uma mulher numa consulta

Qual é a diferença entre HbA1c e glicemia?

As duas análises estão relacionadas, mas respondem a perguntas diferentes.

Glicemia: uma fotografia daquele momento

A glicemia mostra a quantidade de glicose presente no sangue no momento da medição.

Pode variar rapidamente em função de:

  • alimentação;

  • exercício;

  • stress;

  • doença;

  • medicação;

  • hora do dia.

Uma glicemia em jejum, por exemplo, procura avaliar o valor após várias horas sem ingestão calórica.

HbA1c: uma visão de vários meses

A HbA1c funciona mais como uma visão de longo prazo.

Um almoço particularmente rico em hidratos de carbono no dia anterior não é suficiente para alterar significativamente a HbA1c.

Da mesma forma, alguns dias de alimentação mais cuidada não apagam os valores das semanas anteriores.

É precisamente esta estabilidade que torna a análise útil.

A HbA1c mostra picos de glicemia?

Não diretamente.

Duas pessoas podem apresentar a mesma média de glicose e padrões muito diferentes ao longo do dia.

Por exemplo, uma pode ter valores relativamente estáveis e outra apresentar grandes oscilações entre valores altos e baixos.

A HbA1c pode acabar por ser semelhante nas duas situações.

Por isso, nas pessoas com diabetes, pode ser necessário complementar esta informação com:

  • medições de glicemia;

  • monitorização contínua da glicose em alguns casos;

  • sintomas;

  • episódios de hipoglicemia;

  • outros dados clínicos.

O que é a glicemia média estimada?

Alguns relatórios podem transformar a HbA1c numa glicemia média estimada, frequentemente designada eAG.

O objetivo é apresentar uma estimativa em unidades semelhantes às utilizadas nas medições de glicemia, como mg/dL.

É uma estimativa calculada a partir da HbA1c e não corresponde à média exata de todas as medições realizadas ao longo de três meses.

O que pode alterar o resultado da HbA1c?

A HbA1c depende não só da glicose, mas também dos glóbulos vermelhos e da hemoglobina.

Qualquer condição que altere a produção, destruição ou duração de vida dos glóbulos vermelhos pode modificar o resultado.

Este é um dos motivos pelos quais uma HbA1c inesperadamente alta ou baixa deve ser interpretada com cuidado.

Anemia por deficiência de ferro

A deficiência de ferro pode, em algumas situações, estar associada a valores de HbA1c artificialmente mais elevados.

O NGSP recomenda cautela na interpretação quando existe anemia ferropénica importante.

Isto torna particularmente importante conhecer o contexto clínico quando existem alterações simultâneas como uma ferritina baixa.

Perda de sangue ou destruição dos glóbulos vermelhos

Situações que reduzem o tempo de vida dos glóbulos vermelhos podem produzir valores artificialmente mais baixos.

Entre os exemplos encontram-se:

  • hemorragia recente significativa;

  • anemia hemolítica;

  • algumas doenças hematológicas.

Quando os glóbulos vermelhos circulam durante menos tempo, existe menos oportunidade para a hemoglobina ficar exposta à glicose.

Transfusões de sangue

Uma transfusão recente pode dificultar a interpretação da HbA1c porque passa a existir uma mistura entre os glóbulos vermelhos da própria pessoa e os recebidos.

O resultado pode não refletir corretamente a glicemia média anterior.

Variantes da hemoglobina

Algumas variantes genéticas da hemoglobina podem interferir com determinados métodos laboratoriais.

O efeito depende:

  • do tipo de variante;

  • do método utilizado pelo laboratório;

  • da existência ou não de anemia associada.

Os métodos modernos reduziram muitos destes problemas, mas a interferência continua a ser relevante em determinadas pessoas.

Doença renal

A doença renal avançada pode dificultar a interpretação da HbA1c.

Anemia, utilização de eritropoietina e alterações relacionadas com insuficiência renal podem fazer com que o resultado represente de forma menos fiel a exposição à glicose.

Nestes casos, o médico pode necessitar de utilizar outros indicadores.

E durante a gravidez?

A HbA1c não é utilizada da mesma forma para diagnosticar diabetes gestacional.

Durante a gravidez existem alterações fisiológicas que afetam os glóbulos vermelhos e o metabolismo da glicose.

O diagnóstico de diabetes gestacional utiliza critérios e exames específicos.

Como saber se o meu resultado pode estar errado?

Um sinal importante é existir uma discrepância significativa entre a HbA1c e outras medições de glicose.

Por exemplo:

  • glicemias repetidamente normais com HbA1c inesperadamente elevada;

  • glicemias frequentemente altas com HbA1c surpreendentemente baixa.

Nestes casos, faz sentido investigar possíveis interferências antes de tomar decisões baseadas apenas no número.

Mulher grávida observa a cidade junto a uma janela em casa

O que fazer quando a HbA1c está elevada?

O primeiro passo depende do valor e de saber se a pessoa já tem ou não diagnóstico de diabetes.

Se não tem diabetes diagnosticada

Uma HbA1c elevada deve ser interpretada por um profissional de saúde.

Pode ser necessário:

  • repetir a análise;

  • medir glicemia em jejum;

  • realizar uma prova de tolerância à glicose em determinadas situações;

  • avaliar outros fatores de risco;

  • verificar se existe alguma condição que esteja a interferir com a HbA1c.

Não deve concluir apenas pelo resultado que “tem diabetes”.

Se o resultado estiver no intervalo de pré-diabetes

Esta fase representa uma oportunidade importante para atuar.

Medidas que podem ajudar incluem:

  • aumentar a atividade física;

  • reduzir o sedentarismo;

  • melhorar a qualidade da alimentação;

  • controlar o peso quando existe excesso;

  • dormir adequadamente;

  • controlar tensão arterial e lípidos.

Estas medidas podem melhorar a resistência à insulina e reduzir o risco de progressão para diabetes tipo 2.

A alimentação pode baixar a HbA1c?

Pode contribuir para melhorar o controlo glicémico ao longo do tempo.

Não existe, contudo, um alimento isolado capaz de “baixar a HbA1c”.

O objetivo é melhorar o padrão alimentar global.

Pode ser útil privilegiar:

  • hortícolas;

  • leguminosas;

  • fruta;

  • cereais integrais;

  • proteínas adequadas;

  • frutos secos;

  • azeite.

Também pode fazer sentido reduzir a frequência de:

  • bebidas açucaradas;

  • alimentos muito ricos em açúcares adicionados;

  • refeições de elevada densidade energética;

  • alguns alimentos ultraprocessados.

Aprender como ler os rótulos dos alimentos pode ajudar a fazer escolhas mais informadas.

É preciso deixar de comer hidratos de carbono?

Não.

Uma HbA1c elevada não significa que seja necessário eliminar todos os hidratos de carbono.

Fruta, leguminosas, cereais integrais e outros alimentos que contêm hidratos de carbono podem integrar uma alimentação equilibrada.

Quantidade, qualidade, fibra, combinação da refeição e necessidades individuais são mais importantes do que simplesmente eliminar um nutriente inteiro.

O exercício pode fazer diferença?

Sim.

A atividade física ajuda os músculos a utilizar glicose e pode melhorar a sensibilidade à insulina.

É útil combinar, quando possível:

  • atividade aeróbia;

  • caminhada;

  • treino de força;

  • redução dos períodos prolongados sentado.

Quem está sedentário pode começar de forma progressiva com o nosso guia sobre como começar a fazer exercício físico.

Homem pedala junto ao rio num percurso urbano em Lisboa

E se já tiver diabetes?

Uma HbA1c acima do objetivo pode levar à revisão de:

  • alimentação;

  • atividade física;

  • adesão à medicação;

  • doses;

  • horários;

  • outros medicamentos;

  • doenças intercorrentes;

  • risco de hipoglicemia.

Não deve alterar medicação por iniciativa própria apenas com base num resultado.

Pode consultar também o nosso artigo sobre diabetes tipo 2.

Com que frequência deve repetir?

Depende da situação.

Quem está apenas a ser avaliado por risco de diabetes pode necessitar de controlo com uma frequência diferente de alguém já diagnosticado.

Nas pessoas com diabetes, a periodicidade depende do controlo glicémico e de alterações recentes no tratamento.

Se os valores estiverem estáveis e dentro do objetivo, as medições podem ser menos frequentes. Quando existe alteração terapêutica ou controlo insuficiente, o médico pode pedir HbA1c mais vezes.

Em resumo

A HbA1c mostra a quantidade de hemoglobina ligada à glicose e permite estimar a glicemia média dos últimos dois a três meses.

Não necessita de jejum e é utilizada tanto na avaliação de pré-diabetes e diabetes tipo 2 como no acompanhamento de pessoas que já vivem com diabetes.

De forma geral, valores abaixo de 5,7%, entre 5,7% e 6,4% e iguais ou superiores a 6,5% correspondem, respetivamente, a diferentes níveis de risco e critérios laboratoriais.

Mas um número isolado não conta toda a história.

Anemia, hemorragias, variantes da hemoglobina, transfusões, gravidez ou doença renal podem alterar o resultado.

A interpretação correta deve integrar a HbA1c com outras análises, antecedentes clínicos e fatores de risco.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico.

Encontre aqui profissionais de saúde perto de si.

Contribua com sugestões de melhoria através do nosso formulário online.

Este artigo foi útil?

Obrigado pelo seu feedback.

Partilhe este artigo:

Obrigado pela sua preferência.

Irá receber no seu email as melhores dicas de Saúde e Bem-estar.
Pode em qualquer momento alterar ou retirar o(s) consentimento(s) prestado(s).

Receba as melhores dicas
de Saúde e Bem-estar

Precisamos do seu consentimento para envio de mais informação.

Encontre o melhor
Prestador Medicare perto de si

Código Postal inválido

Pesquise entre os mais de 17 500 Prestadores
da Rede de Saúde Medicare.

1 presente à escolha

ADESÃO ONLINE Presente à escolha

Aderir Online
Cartão Platinium Mais Vida
Quer aderir? Ligamos grátis! Esclareça as suas dúvidas com a nossa
equipa, sem compromisso.
Precisamos do seu consentimento para envio de mais informação.
Formulário enviado Obrigado pelo seu contacto. Será contactado em breve pela nossa equipa de especialistas.
Política de Privacidade