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Inteligência Artificial na Saúde - O que dizem os portugueses

7 mins. leitura

Índice

  1. 1. Estudo Nacional de Saúde 2025
  2. 2. Tecnologia na saúde em Portugal
  3. 3. Uso da inteligência artificial
  4. 4. Confiança na IA no diagnóstico
  5. 5. Literacia em saúde: implicações

A inteligência artificial na saúde é hoje uma realidade para uma parte crescente da população portuguesa. Segundo o Estudo Nacional de Saúde 2025, desenvolvido pela Marktest para a Medicare, cerca de 38% dos portugueses já recorreu a ferramentas de IA para esclarecer dúvidas ou obter informações de saúde. Este valor, recolhido entre agosto e setembro de 2025 numa amostra representativa de 953 indivíduos, revela uma mudança nos comportamentos digitais em contexto de saúde que merece análise cuidada. O presente artigo apresenta os principais dados do estudo, contextualiza os padrões de utilização por grupo etário e classe social, e discute o que estas tendências implicam para a literacia em saúde em Portugal. O conteúdo é de natureza informativa e não substitui aconselhamento médico individual.

O que revela o Estudo Nacional de Saúde 2025

O Estudo Nacional de Saúde 2025 é um estudo de âmbito nacional, desenvolvido pela Marktest a pedido da Medicare, com recolha de dados realizada entre 25 de agosto e 6 de setembro de 2025. A amostra, constituída por 953 entrevistas, é representativa da população portuguesa continental entre os 18 e os 64 anos, com margem de erro máxima de ±3,17 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

O capítulo de Comportamentos Digitais e Inteligência Artificial na Saúde debruça-se sobre a forma como os portugueses integram a tecnologia nas suas decisões e hábitos de saúde. Os dados revelam um cenário de adoção crescente, mas também de fragmentação e ceticismo, que importa compreender com rigor.

Como os portugueses usam a tecnologia na saúde

A maioria dos portugueses já incorporou a tecnologia no seu percurso de saúde, ainda que com finalidades diversas. Segundo o estudo, as três utilizações mais comuns são o agendamento de consultas (54,1%), a procura de sintomas ou autodiagnóstico (39,2%) e a monitorização da saúde através de dispositivos ou aplicações de bem-estar (26,6%).

O recurso à tecnologia para aconselhamento em nutrição e fitness atinge 23,9% da população, enquanto as teleconsultas ainda têm uma expressão mais limitada, com 9,7% de utilizadores regulares.

Apenas 1 em cada 10 portugueses afirma não recorrer à internet ou à tecnologia para temas de saúde, justificando essa opção pela falta de confiança nestes meios (9,5%).

Em paralelo, 35% dos portugueses costuma procurar informações de saúde nas redes sociais, um valor que sobe para 41% entre o género feminino e para 50,7% na faixa etária dos 18 aos 24 anos. Estes dados reforçam a necessidade de garantir que a informação disponível nestes canais seja tecnicamente correta e proveniente de fontes credenciadas.

Medicare - Como os portugueses usam a internet para a saude

Quem usa mais inteligência artificial e porquê

Cerca de 38% dos portugueses já utilizou a inteligência artificial, por exemplo através de ferramentas como o ChatGPT, para esclarecer dúvidas ou obter informações sobre saúde. Trata-se de um valor expressivo, que coloca Portugal num contexto de adoção acelerada destas tecnologias em contextos não clínicos.

A utilização de IA na saúde é mais elevada entre os grupos mais jovens: na faixa dos 18 aos 24 anos, este valor atinge os 62,6%, e entre os 25 e os 34 anos chega aos 54,3%. A classe social A/B também se destaca, com 53% de utilizadores.

Na prática clínica, estes dados traduzem-se num cenário em que uma parte significativa dos doentes chega à consulta já com informação pesquisada ou interpretada com recurso a ferramentas de IA. Esta realidade exige dos profissionais de saúde uma postura informada sobre as limitações dessas ferramentas, e dos cidadãos, uma leitura crítica da informação obtida por estes meios.

A procura de sintomas através da internet é particularmente elevada na faixa etária dos 35 aos 44 anos (45,6%) e na classe social A/B (43,8%), o que sugere uma correlação entre literacia digital e comportamento de autodiagnóstico.

Medicare Estudo - Redes sociais e Inteligência Artificial na Saúde

Os portugueses confiam na IA para diagnóstico?

Os dados do estudo revelam uma divisão clara de opiniões. Quando questionados sobre a fiabilidade da inteligência artificial no diagnóstico de problemas de saúde nos próximos dois anos, os portugueses dividem-se em três grupos de dimensão semelhante: cerca de 32,1% considera que a IA será uma forma fiável de diagnóstico (nota 7 a 10 numa escala de 0 a 10); 31,4% mantém uma posição neutra (nota 5 a 6); e 31% considera que não será fiável (nota 0 a 4). Os restantes 5,5% não sabem ou não respondem.

Este equilíbrio de opiniões é, em si mesmo, um dado relevante. Indica que a confiança na IA aplicada à saúde está ainda em construção, e que a população portuguesa não adotou uma posição monolítica sobre o tema.

Por grupos, os homens e os indivíduos de classe social A/B revelam maior confiança na IA como ferramenta de diagnóstico. Entre os 18 e os 24 anos, paradoxalmente, mais de 36% considera que a IA não será fiável. O grupo que mais utiliza estas ferramentas é também um dos mais céticos quanto à sua fiabilidade clínica.

De acordo com recomendações clínicas e orientações de entidades como a Organização Mundial de Saúde (OMS), as ferramentas de inteligência artificial podem ter um papel útil de suporte à decisão clínica, mas não substituem a avaliação por um profissional de saúde habilitado. A interpretação de sintomas, o diagnóstico diferencial e a prescrição terapêutica continuam a exigir competência médica especializada.

Medicare - Estudo Fiabilidade da Inteligência Artificial no diagnóstico

O que estes dados implicam para a literacia em saúde

O conjunto de dados apresentados aponta para uma transformação real nos comportamentos digitais de saúde em Portugal. O uso crescente de IA, redes sociais e aplicações de monitorização não é, por si só, negativo. Pode, de facto, contribuir para uma maior consciência de saúde e para uma participação mais ativa do cidadão no seu próprio cuidado.

No entanto, esta evolução coloca desafios relevantes em matéria de literacia em saúde. A qualidade da informação disponível online é variável. Nem todas as ferramentas de IA são calibradas para contextos clínicos, e a interpretação de sintomas sem enquadramento profissional pode conduzir a conclusões incorretas ou a atrasos no diagnóstico.

Em contexto de acompanhamento médico, os profissionais de saúde devem estar preparados para acolher e contextualizar a informação que os doentes trazem das suas pesquisas digitais, orientando-os para fontes credíveis e explicando os limites dos sistemas automatizados.

Segundo orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), a literacia em saúde é um determinante fundamental do estado de saúde das populações. Capacitar os cidadãos para avaliar criticamente a informação de saúde, incluindo a gerada por ferramentas de IA, é uma prioridade em saúde pública

Quando consultar um profissional de saúde

O recurso a ferramentas digitais de saúde, incluindo a inteligência artificial, pode ser um ponto de partida útil para compreender um sintoma ou organizar uma dúvida. Não deve, porém, substituir a avaliação clínica presencial ou por teleconsulta.

Deve procurar um profissional de saúde sempre que:

  • Os sintomas persistam por mais de 48 a 72 horas sem melhoria clara;

  • A intensidade dos sintomas seja acentuada ou se agrave rapidamente;

  • Surjam sinais de alarme como febre elevada, dor torácica, dificuldade respiratória ou alterações neurológicas;

  • A informação obtida online gere dúvida ou contradição sobre o que está a sentir;

  • Esteja a gerir uma doença crónica e necessite de ajuste terapêutico.

A tecnologia e a inteligência artificial são ferramentas ao serviço da saúde. A decisão clínica pertence sempre ao profissional de saúde, em conjunto com o doente.

Perguntas Frequentes sobre Inteligência Artificial na Saúde

Quantos portugueses usam inteligência artificial para questões de saúde?

Segundo o Estudo Nacional de Saúde 2025, desenvolvido pela Marktest para a Medicare, cerca de 38% dos portugueses já utilizou a inteligência artificial para esclarecer dúvidas ou obter informações sobre saúde. O valor é mais elevado entre jovens adultos (18-34 anos) e indivíduos de classe social A/B.

A inteligência artificial na saúde pode substituir uma consulta médica?

Não. A inteligência artificial pode apoiar a pesquisa de informação geral, mas não tem capacidade de realizar um diagnóstico clínico individualizado. Segundo orientações da OMS e da DGS, a avaliação médica por um profissional habilitado é insubstituível, em particular perante sintomas persistentes, agudos ou de causa desconhecida.

Os portugueses confiam na IA para diagnóstico médico?

Os dados do estudo revelam uma opinião dividida. Cerca de 32% considera que a IA será uma forma fiável de diagnóstico nos próximos dois anos, 31% mantém uma posição neutra, e outros 31% não acredita na sua fiabilidade clínica. A confiança é maior entre homens e classes sociais mais elevadas.

Quem usa mais ferramentas digitais de saúde em Portugal?

O uso de internet e tecnologia para temas de saúde é transversal, mas destaca-se nas faixas etárias mais jovens (18-34 anos) para monitorização e nutrição, e na faixa dos 35-44 anos para procura de sintomas e autodiagnóstico. A classe social A/B apresenta consistentemente valores acima da média.

É seguro procurar sintomas na internet ou em aplicações de IA?

A pesquisa de informação em fontes digitais credíveis pode ser um complemento útil. Contudo, o autodiagnóstico digital apresenta limitações relevantes: as ferramentas de IA não conhecem o historial clínico do utilizador, não realizam exame físico e podem gerar interpretações incorretas. Toda a informação obtida deve ser validada com um profissional de saúde.

Que percentagem de portugueses procura saúde nas redes sociais?

De acordo com o Estudo Nacional de Saúde 2025, 35% dos portugueses costuma procurar informações de saúde nas redes sociais. Este valor sobe para 41% no género feminino e para 50,7% na faixa etária dos 18 aos 24 anos, o que reforça a importância da qualidade e rigor do conteúdo de saúde publicado nestes canais

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico.

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