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Asma: tudo o que deve saber

5 mins. leitura

Asma: causas, sintomas e tratamentos principais

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a asma é uma das doenças crónicas mais frequentes em todo o mundo, sendo mesmo a mais comum em idade pediátrica.

A nível mundial, há 235 milhões de pessoas com asma e só em Portugal são mais de 600 mil as pessoas que sofrem desta doença. Cerca de 80% dos doentes asmáticos padece, ainda, de rinite alérgica.

A asma não é uma causa de mortalidade frequente, mas ela pode prejudicar significativamente a qualidade de vida dos doentes, podendo estar na raiz de muito do absentismo escolar e laboral, assim como de muitas idas ao médico ou ao hospital. Saiba como diagnosticá-la e tratá-la.


O que é

A asma é uma doença obstrutiva inflamatória crónica das vias aéreas. Este processo causa inflamação e estreitamento das vias aéreas pulmonares (nomeadamente, os brônquios), provocando a broncoconstrição e, consequentemente, limitando o fluxo de ar inspirado. Daí, a dificuldade respiratória ser um dos seus principais sintomas.

Causas e fatores de risco

A origem da asma ainda não é totalmente conhecida. Porém, ela carateriza-se sempre por mecanismos de hiper-reatividade exacerbada, quando o asmático é exposto a alguns estímulos.

Alguns desses alergénios podem ser: ambientais e ocupacionais; ácaros; pólenes; tabaco; animais; poluição; emoções fortes; condições meteorológicas (mudanças bruscas de temperatura); medicamentos; alimentos; desporto; entre outros.

A asma e o desporto

Apesar de 40% a 90% dos doentes asmáticos ver os sintomas da doença agravarem-se após praticar exercício físico, sobretudo se se tratar de treinos de longa distância, contínuos ou ao ar livre (como o atletismo ou o ciclismo), quem tem asma também deve fazer desporto.

Para isso, há que ter alguns cuidados, como manter a doença controlada, nomeadamente, através da correta toma da medicação prescrita pelo médico, bem como através da adoção de algumas medidas como:

  • fazer exercícios de aquecimento antes do treino;
  • executar alongamentos após o treino; respirar pelo nariz;
  • usar máscara;
  • e evitar alergénios.

Existem, claro, alguns desportos mais indicados por ajudarem a desenvolver os músculos respiratórios e a melhorar a capacidade respiratória do doente. É o caso da natação, do remo, do andebol e do basquetebol.


Sintomas

De um modo geral, os sintomas mais frequentemente descritos em doentes asmáticos são: dificuldade em respirar, intolerância ao esforço, cansaço, respiração acelerada e sibilância.

Porém, em casos de asma moderada a grave, podem manifestar-se uma série de outros sintomas, tais como:

  • Polipneia (aumento dos ciclos respiratórios);
  • Dessaturação periférica (diminuição dos níveis de oxigénio no sangue);
  • Cianose (tom azulado na língua, lábios e mucosas);
  • Tiragem ou adejo nasal (sinal de dificuldade respiratória);
  • Sibilos à auscultação pulmonar (sinal de constrição brônquica);
  • Dificuldade em terminar frases;
  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca);
  • Sonolência excessiva;
  • Fadiga diurna;
  • Tosse;
  • Pieira;
  • Sensação de opressão do tórax;
  • Baixos níveis de concentração;
  • Diminuição do rendimento escolar ou da atividade laboral.

Diagnóstico

A suspeita de asma pode surgir sempre que exista lugar à manifestação de alguns dos sintomas enumerados anteriormente e quando se consegue associar essa sintomatologia à exposição a certos estímulos.

Perante essa suspeita, o médico pode recomendar a realização de alguns exames, nomeadamente:

  • Espirometria:
    exame que permite identificar a existência ou não de obstrução ao fluxo de ar e a sua reversibilidade, antes e depois da inalação de broncodilatador de curta duração;
  • Prova de provocação
    prova feita com metacolina, substância capaz de provocar uma obstrução dos brônquios num indivíduo asmático;
  • Testes de sensibilidade cutânea
    testes usados para confirmar eventuais alergias.
  • Teste de capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO):
    pode ser útil a diferenciar asma de doença pulmonar obstrutiva crônica;
  • Radiografia de tórax:
    indicado para excluir causas subjacentes de asma ou demais patologias.

Tratamento

A asma é uma doença crónica e, por isso, não tem cura. Todavia, ela pode ser controlada, de modo a evitar crises e a garantir qualidade de vida a estes doentes.

Uma das formas de o fazer é evitar a exposição ao alergénio ou alergénios que estão na origem das crises. Além disso, em alguns casos, pode ser sugerida a imunoterapia, no sentido de dessensibilizar o indivíduo perante um dado alergénio.

Paralelamente, é recomendada medicação que assenta em dois grandes grupos: os fármacos para o tratamento de controlo e para o tratamento agudo.

Tratamento de controlo

Este tipo de tratamento tem como principal objetivo evitar a inflamação e os sintomas da asma, reduzindo o risco de crises agudas. Este tratamento assenta nos seguintes fármacos:

  • Corticoides inalados;
  • Corticoides sistémicos;
  • Broncodilatadores de longa ação;
  • Antagonistas dos recetores dos leucotrienos.

Tratamento agudo

O tratamento agudo tem em vista atenuar as manifestações associadas a uma limitação do fluxo aéreo e a uma resposta exacerbada do organismo. Nestas situações, o doente asmático deve recorrer a:

  • broncodilatadores de ação rápida;
  • corticoides sistémicos.

Evicção dos desencadeantes

Evitar a exposição ao alergénio ou alergénios é uma forma muito eficaz de controlar crises asmáticas.

No caso de alergia aos ácaros, pólen, pêlo de animais ou outras, é importante tomar algumas medidas, tais como:

  • Limpar frequentemente o pó, de modo a evitar a sua acumulação;
  • Aspirar regularmente o colchão da cama;
  • Evitar acumular objetos que ganhem muito pó, como os livros, por exemplo;
  • Lavar com frequência os cortinados;
  • Evitar o uso de tapetes e carpetes;
  • Usar uma máscara, quando os níveis de pólen no ar estão mais elevados;
  • Não ter animais, se for alérgico a cães ou gatos;
  • Não consumir produtos que potenciem uma crise.

A asma e as crianças

Como dissemos, a asma é a doença crónica mais frequente em idade pediátrica. Geralmente, ela pode ser diagnosticada a partir dos 5 anos de idade.


Sintomas

Ao contrário do que acontece nos adultos, na criança, os sintomas de asma podem variar bastante ou serem muito inespecíficos.

Algumas das suas manifestações podem ser pieira ou tosse, as quais podem ser associadas a outras infeções respiratórias virais, também muito recorrentes em idade pediátrica.


Diagnóstico

Assim, também ao contrário do que acontece com os adultos, os exames funcionais respiratórios não surtem grande efeito, nem são muito conclusivos, quando realizados nas crianças.

Por isso, o diagnóstico desta doença em idade pediátrica ocorre, geralmente, quando os sintomas respiratórios surgem sem estarem associados a uma infeção respiratória; quando existem outras patologias alérgicas já detetadas, como a rinite alérgica ou o eczema atópico; quando o pai, a mãe ou ambos têm asma; ou quando há uma melhoria dos sintomas apresentados através da administração de fármacos indicados para casos de asma.


Tratamento

Tal como acontece com os adultos, o tratamento da asma pediátrica tem em vista o controlo dos sintomas da doença e o alívio da sua sintomatologia, quando ocorre uma crise.

No caso das crianças, os dispositivos recomendados variam em função da faixa etária, de acordo com o seguinte esquema:

  • Crianças entre os 0 e os 3 anos:
    inaladores pressurizados de dose calibrada associados a câmara expansora com máscara facial;
  • Crianças entre os 4 e os 5 anos:
    inaladores com peça bucal;
  • Crianças com idade superior a 5 anos:
    terapêutica semelhante à do adulto, com doseamentos adequados à idade.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico. Encontre aqui profissionais de saúde perto de si.

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