
O guia completo sobre tensão arterial
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Índice
- 1. O que é a medição sistólica e diastólica?
- 2. Valores de referência da tensão arterial
- 3. Hipertensão
- 4. Hipotensão
- 5. Tensão arterial no verão
A tensão arterial corresponde à força com que o sangue circula pelo interior das artérias do corpo e a consequente pressão que exerce sobre as paredes destas.
Esta pressão é normal e até fundamental para o sangue chegar a todos os tecidos e células do organismo.
Neste artigo, explicamos o que é a medição diastólica e sistólica, como interpretar os valores da tensão arterial, a diferença entre hipotensão e hipertensão; e respondemos às perguntas mais frequentes sobre este tema.
O que é a medição sistólica e diastólica?
A tensão arterial tem duas medidas, nomeadamente:
- Sistólica (máxima), que corresponde ao momento em que o coração contrai, enviando o sangue para todo o corpo;
- Diastólica (mínima), que ocorre quando o coração relaxa para se voltar a encher de sangue.
Há, contudo, uma série de fatores genéticos ou ambientais que podem provocar o aumento excessivo da pressão sanguínea, fazendo aumentar a pressão arterial. Quando essa pressão se encontra elevada de forma crónica, estamos perante um caso de hipertensão arterial.
Num estado saudável, o sangue flui com facilidade pelo interior das células, sem obstáculos no seu trajeto.
Se o sangue estiver sob pressão (tensão alta), o coração é obrigado a um maior esforço, o que pode levar a que a massa muscular e o volume desta aumentem (hipertrofia).
Inicialmente, isso não representa um problema. Contudo, com o passar do tempo, a situação pode conduzir a problemas cardíacos.
Em Portugal, a hipertensão é o mais importante fator de risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e enfartes do miocárdio. Este facto deve-se à elevada percentagem de doentes cuja hipertensão não é controlada nem corrigida.
Valores de referência da tensão arterial
A única forma de saber como está a sua tensão arterial é medindo-a. No entanto, é necessário saber interpretar os resultados dessa medição.
A pressão arterial deve ser inferior a 120/80. Acima destes valores, aumenta o risco de doenças de coração ou de sofrer um AVC.
Já a hipertensão arterial é definida por graus, conforme os valores de pressão arterial encontrados, que informam da gravidade da doença e orientam a sua abordagem.
Os resultados da medição devem ser interpretados da seguinte forma:
- Ótima: menos de 120 / menos de 80;
- Normal: 120-129 e/ou 80-84;
- Normal alta: 130-139 e/ou 85-89;
- Hipertensão (grau 1): 140-159 e/ou 90-99;
- Hipertensão (grau 2): 160-179 e/ou 100-109;
- Hipertensão (grau 3): > 180 e/ou > 110;
- Hipertensão sistólica isolada: > 140 e < 90.

Como medir em casa?
A medição da tensão arterial deve ser realizada por um profissional de saúde, para assegurar a sua fiabilidade.
Contudo, pode controlar a sua pressão arterial em casa, sobretudo se reage com ansiedade sempre que tem de se deslocar a um posto de saúde. A ansiedade aumenta a pressão arterial, pelo que, nalguns casos, é vantajoso fazer a medição em casa, num ambiente mais calmo e confortável.
A medição deve ser feita com um aparelho fiável. Para garantir resultados rigorosos, siga os seguintes conselhos:
- Evite medir a tensão após refeições ou esforço físico;
- Repouse cerca de 15 minutos antes de realizar a medição;
- Não consuma estimulantes, como café e tabaco, até 30 minutos antes da medição;
- Descontraia e respire normalmente;
- Evite usar roupas apertadas quando estiver a medir a tensão;
- Opte por medir a tensão no braço, por ser mais fiável do que no pulso;
- Apoie o braço onde será feita a medição, colocando-o à altura do coração;
- Faça 2 ou 3 medições e calcule a média;
- Faça as medições sempre nas mesmas condições para poder comparar resultados, anotando os valores obtidos, o dia e a hora.
Há um valor ideal da tensão por idade?
Os valores da tensão arterial podem ser menores para crianças e adolescentes. Em caso de suspeita de tensão alta, consulte o pediatra do seu filho.
Uma leitura sistólica ou diastólica mais alta pode ser usada para diagnosticar pressão alta, mas a pressão arterial sistólica é reveladora de fatores de risco para doenças cardíacas em pessoas com mais de 50 anos.
À medida que envelhecemos, a pressão arterial sistólica geralmente aumenta.
Além disso, os valores da tensão sistólica e diastólica mudam durante a gravidez, uma vez que as hormonas afetam os vasos sanguíneos. Por isso, os valores da tensão arterial variam nos vários trimestres da gestação:
- Primeiro e segundo trimestres: a pressão arterial geralmente cai e atinge o pico mais baixo a meio da gravidez. Algumas mulheres podem ter tensão arterial baixa e sentir tonturas ou vertigens;
- Terceiro trimestre: a pressão sobe lentamente até à tensão arterial normal antes do parto.
Se a tensão ficar muito alta, pode causar condições graves como hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia, que requerem atendimento médico imediato.

Hipertensão
A hipertensão ocorre quando a pressão nos vasos sanguíneos está muito alta. Esta condição é comum, mas pode ser grave se não for tratada.
Sintomas
É necessário controlar os níveis da pressão arterial com regularidade, uma vez que a hipertensão é perigosa.
Apesar de habitualmente não provocar sintomas, existem alguns sinais que podem indiciar tensão alta, tais como:
- Vómitos;
- Náuseas;
- Tonturas;
- Confusão;
- Ansiedade;
- Dor no peito;
- Dores de cabeça;
- Hemorragias nasais;
- Zumbido nos ouvidos;
- Ritmo cardíaco anormal;
- Dificuldade para respirar;
- Visão turva ou outras alterações na visão.
Causas
A identificação da causa nem sempre é possível. Contudo, há um conjunto de doenças associadas à hipertensão, nomeadamente a apneia do sono ou a doença renal crónica.
De qualquer forma, existe uma série de fatores de risco perfeitamente identificados que devem ser tidos em conta:
- Idade;
- Stress;
- Obesidade;
- Tabagismo;
- Sedentarismo;
- Hereditariedade;
- Alimentação desadequada;
- Consumo excessivo de sal;
- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
- Fatores de risco ambientais, sendo a poluição do ar a mais significativa.
Tratamento
As mudanças no estilo de vida podem ajudar a reduzir a pressão alta, nomeadamente:
- Perder peso;
- Deixar de fumar;
- Manter-se fisicamente ativo;
- Manter uma dieta saudável e com baixo teor de sal.
Consoante os tipos de hipertensão, o médico pode indicar determinados medicamentos. A meta de pressão arterial recomendada pode depender de outras condições de saúde.
A meta de pressão arterial é inferior a 130/80 se uma pessoa hipertensa tiver:
- Doença cardiovascular, como doença cardíaca ou derrame;
- Alto risco de doença cardiovascular;
- Doença renal crónica;
- Diabetes.
Para a maioria das pessoas, a meta é ter uma pressão arterial inferior a 140/90.
Prevenção
Há alguns comportamentos que permitem uma descida dos níveis de tensão arterial, tais como:
- Praticar exercício físico regular, de preferência que envolva movimentos cíclicos, como natação, marcha, corrida ou dança;
- Optar por uma alimentação saudável e evitar o sal, substituindo-o por condimentos alternativos, designadamente ervas aromáticas ou sumo de limão;
- Evitar alimentos naturalmente salgados ou com sal adicionado, como os casos dos enchidos, enlatados, refeições pré-preparadas, aperitivos ou águas minerais com gás;
- Em caso de excesso de peso, tentar reduzi-lo com uma dieta moderada e com a prática de atividade física;
- Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Comer fruta, legumes e vegetais;
- Tentar reduzir o stress.
As pessoas hipertensas devem ter o cuidado acrescido de não levantar ou empurrar objetos pesados.
Quando estes comportamentos não são suficientes para baixar os níveis da tensão, o médico irá prescrever medicação adequada às caraterísticas do doente com hipertensão.

Hipotensão
A hipotensão arterial, ou tensão baixa, é o oposto da hipertensão.
Ter a tensão arterial muito baixa significa que o sangue não chega em quantidade suficiente a todas as partes do corpo. Com isto, as células deixam de receber oxigénio e os nutrientes necessários, além de não ocorrer uma eliminação adequada dos resíduos.
Sintomas
A tensão baixa ocorre quando a pressão arterial desce ao ponto de provocar sintomas como tonturas e desmaios.
Para a maioria das pessoas, a pressão arterial baixa passa despercebida, mas outras podem sentir sintomas tais como:
- Náusea;
- Desmaio;
- Confusão;
- Visão turva;
- Dor de cabeça;
- Tontura ou vertigem;
- Sensação geral de fraqueza;
- Dor no pescoço ou nas costas;
- Palpitações cardíacas ou sensação de que o coração bate demasiado forte ou rápido.
Causas
Habitualmente, a hipotensão arterial é causada por um ou mais dos seguintes fatores:
- Fadiga;
- Arritmia;
- Hemorragia;
- Desidratação;
- Doença renal;
- Ataque cardíaco;
- Reações alérgicas;
- Problemas nas válvulas cardíacas;
- Bradicardia (frequência cardíaca baixa);
- Taquicardia (batimentos cardíacos muito rápidos);
- Certos distúrbios endócrinos como a doença de Addison;
- Toxinas produzidas por bactérias durante certas infeções bacterianas graves;
- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
- Lesões na medula espinal;
- Alimentação descuidada;
- Certos medicamentos;
- Temperaturas altas;
- Gravidez.
Prevenção
A prevenção é o melhor remédio para controlar os valores da hipotensão.
Entre as várias possibilidades, o consumo de água é uma das mais importantes. Além disso, é recomendável o exercício físico.
Deve, ainda, evitar-se a exposição ao calor intenso, usar roupas muito apertadas e ingerir refeições "pesadas", assim como evitar mudar de postura repentinamente ou ficar sentado ou em pé por longos períodos.
Quando ocorre um episódio de tensão baixa, a pessoa deve deitar-se e elevar as pernas para aumentar o volume de sangue no cérebro e, assim, evitar o desmaio.
Tratamento
Nem sempre é necessário tratamento para tensão baixa. Dependendo dos sintomas, o tratamento pode incluir:
- Beber mais líquidos para prevenir a desidratação;
- Usar meias elásticas que podem melhorar a circulação e aumentar a pressão arterial;
- Tomar medicamentos para aumentar a pressão arterial ou ajustar os medicamentos que causam pressão baixa.
Raramente é preciso recorrer a medicamentos, uma vez que as medidas relacionadas com o estilo de vida ou o tratamento da causa subjacente costumam ser eficazes.
Tensão arterial no verão
No verão, a temperatura interna do corpo também sobe, devido ao calor, que, muitas vezes, é acompanhado pela redução da humidade do ar.
O aumento da temperatura interna faz com que o organismo transpire mais, ao passo que a redução da humidade faz com que gaste mais água na respiração.
Em caso de desidratação, ocorre uma redução do volume de sangue, dificultando a devida irrigação dos vários órgãos e tecidos corporais, que podem ficar comprometidos.
Para compensar a perda de volume sanguíneo, o organismo tenta reter uma maior quantidade de água e diminuir as suas perdas, reduzindo a produção de urina através da produção de uma hormona antidiurética.
Esta ação do corpo pode provocar hipertensão, pois a hormona antidiurética, além de diminuir a produção de urina, também reduz a eliminação de sódio, contribuindo para aumentar a sua concentração no sangue e, consequentemente, elevar o risco de hipertensão.
Prevenção
A água perdida deve ser reposta, para manter o funcionamento normal do organismo, principalmente em dias de calor. Para tal, é fundamental beber água, cerca de 1,5 a 2 litros por dia.
Se o fizer, vai ajudar o seu corpo a manter o volume sanguíneo adequado e a fluidez do sangue, reduzindo o risco de hipertensão, além de inúmeros outros problemas de saúde.
No entanto, a água não deve ser substituída por outro tipo de bebidas, sobretudo as alcoólicas, pois o álcool tem um efeito diurético, que provoca o efeito contrário ao desejado. Ou seja, desidrata ainda mais o organismo.
Devem também ser evitados refrigerantes, devido à quantidade de açúcar que contêm. O seu consumo regular aumenta o risco de desenvolvimento de outras doenças, nomeadamente excesso de peso e obesidade, diabetes e cáries, além de outros efeitos indesejáveis.
Para quem não aprecia água, pode compensar a desidratação com a ingestão de chás e infusões.
No verão, é especialmente recomendado o consumo de alguns alimentos que, além de água, possuem outros nutrientes importantes. Eis alguns exemplos:
- Fruta fresca;
- Vegetais frescos;
- Sumos naturais de fruta;
- Sopas;
- Leite.
Perguntas frequentes sobre a tensão alta e baixa
Passamos a esclarecer as dúvidas mais comuns sobre a tensão arterial.
Em que braço se deve medir a tensão?
A pressão arterial deve ser medida em ambos os braços pelo menos uma vez, já que a leitura num braço, geralmente o direito, pode ser um pouco maior do que no esquerdo.
Contudo, o mais importante é usar sempre o mesmo braço aquando da medição da tensão. Certifique-se de que o seu braço está posicionado corretamente, ou seja:
- Apoie o braço elevado à altura do coração sobre o braço de uma mesa, cadeira ou escrivaninha;
- Pode ser necessário colocar um travesseiro ou almofada sob o braço para elevá-lo o suficiente.
Quando estiver pronto para a medir, sente-se por cinco minutos numa posição confortável, com as pernas e tornozelos descruzados. As costas devem estar apoiadas numa cadeira.
Tente relaxar e fique em silêncio enquanto estiver a medir a pressão arterial.
Com que frequência se deve medir a tensão?
É recomendável questionar o médico sobre com que frequência deve medir a tensão.
Só algumas pessoas precisam de verificar regularmente a pressão arterial em casa, incluindo pacientes com diagnóstico de tensão alta e cuja pressão arterial esteja levemente elevada.
Numa fase inicial, os pacientes devem verificar a tensão algumas vezes ao dia, por cerca de uma semana. Após dominarem o processo, a verificação pode ser feita uma vez por dia, no mesmo horário.
Qual é a melhor hora para medir a tensão arterial?
A tensão arterial deve ser verificada sempre à mesma hora, desde que não o faça logo após acordar.
Antes de medir a tensão, não tome o pequeno-almoço nem remédios.
Se pratica exercício físico após acordar, meça a pressão arterial antes de se exercitar.
Quais os perigos de ter a tensão baixa?
Em algumas pessoas, ter sempre a tensão baixa é normal.
Outras pessoas, por sua vez, podem apresentar uma quebra de tensão repentina ou ter a pressão arterial baixa, o que pode estar relacionado com um problema de saúde.
Isso pode ser perigoso, uma vez que pode significar que o coração, cérebro ou outros órgãos vitais não estão a receber fluxo sanguíneo suficiente. Por isso, a pessoa pode correr o risco de sofrer um ataque cardíaco ou derrame.
Se a pressão arterial for mesmo muito baixa, pode originar um choque e colocar a vida em risco, pois a redução do volume de sangue danifica os órgãos.
É pior ter tensão alta ou baixa?
Pessoas saudáveis com pressão arterial baixa, mas ainda nos limites normais, tendem a viver mais tempo do que as que têm uma tensão arterial mais alta, no limite do normal.