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Câmara hiperbárica: o tratamento à base de oxigénio

7 mins. leitura

Índice

  1. 1. O que é a câmara hiperbárica?
  2. 2. Para que serve o tratamento em câmara hiperbárica?
  3. 3. Tipos de câmaras hiperbáricas
  4. 4. Como funciona a sessão?
  5. 5. Quem não pode fazer o tratamento?

H1. Câmara hiperbárica: o tratamento à base de oxigénio

A câmara hiperbárica é um tratamento médico especializado que administra oxigénio a 100% sob pressão, para acelerar a recuperação de vários tecidos do corpo.

Cada vez mais utilizada em hospitais e centros especializados, esta terapia é  reconhecida internacionalmente para condições muito específicas, seguindo protocolos padronizados, que garantem segurança e eficácia.

Neste artigo, explicamos como funciona a oxigenoterapia hiperbárica, para que situações está indicada, quem pode fazer e que cuidados deve ter antes e depois da sessão.

Breve história da câmara hiperbárica

Embora hoje a câmara hiperbárica seja uma tecnologia médica avançada, a sua origem remonta ao século XVII, quando cientistas como Boyle e Pascal demonstraram que o ar tinha peso e podia ser comprimido, descobertas essenciais para compreender a pressão atmosférica e o comportamento dos gases.

No século XX, experiências pioneiras demonstraram que respirar oxigénio puro sob pressão poderia melhorar a oxigenação dos tecidos e ajudar em situações graves, como intoxicação por monóxido de carbono ou embolias gasosas.

A partir da década de 1950, a oxigenoterapia hiperbárica começou a ser aplicada de forma estruturada em contexto clínico, evoluindo com base em evidência e em avanços tecnológicos. Hoje, é uma terapia segura, padronizada e utilizada em hospitais de referência em todo o mundo.

homem a ligar uma câmara hiperbárica

O que é a câmara hiperbárica?

A câmara hiperbárica é um equipamento médico que permite realizar oxigenoterapia hiperbárica (O₂HB), um tratamento no qual a pessoa respira oxigénio a 100%, enquanto se encontra num ambiente de pressão superior à pressão atmosférica.

Este aumento de pressão permite que o oxigénio se dissolva em maior quantidade no plasma sanguíneo, circulando mais facilmente pelos tecidos, mesmo naqueles com perfusão reduzida.

Este processo melhora a oxigenação celular, potencia a regeneração dos tecidos, reduz a inflamação e combate infeções difíceis.

A terapia é sempre realizada sob supervisão especializada e segue protocolos de segurança rigorosos.

Para que serve o tratamento em câmara hiperbárica?

A oxigenoterapia hiperbárica não é indicada para todas as situações. As suas utilizações são específicas e com base em evidência científica sólida. É importante reforçar que existem utilizações comprovadas e outras ainda em investigação.

Não existe evidência científica que suporte o uso da câmara hiperbárica para fins como antienvelhecimento, autismo ou doenças degenerativas, por exemplo.

Feridas crónicas difíceis de cicatrizar

Inclui úlceras diabéticas, feridas isquémicas ou infetadas. O aumento de oxigénio nos tecidos melhora a cicatrização, reduz a inflamação e ajuda no controlo de infeções.

Osteomielite crónica (infeção óssea)

A oxigenoterapia hiperbárica pode complementar o tratamento da osteomielite crónica, ajudando a controlar bactérias resistentes, melhorar a resposta imunitária e promover a regeneração dos tecidos ósseos.

Doença de descompressão e embolia gasosa

A O₂HB é o tratamento de referência para acidentes relacionados com mergulho, incluindo doença de descompressão e embolia gasosa, por reduzir rapidamente o volume das bolhas e melhorar a oxigenação dos tecidos.

Intoxicação por monóxido de carbono

A câmara hiperbárica acelera a eliminação do monóxido de carbono do organismo e reduz o risco de danos neurológicos permanentes.

Queimaduras

A oxigenoterapia hiperbárica ajuda a reduzir o edema, melhora a cicatrização e diminui o dano nos tecidos associados a queimaduras graves.

Complicações de radioterapia

Inclui osteorradionecrose, lesões de tecidos moles e problemas crónicos decorrentes do tratamento oncológico. A O₂HB melhora a vascularização e a cicatrização de tecidos afetados por radiação.

Surdez súbita

A oxigenoterapia hiperbárica tem sido utilizada como terapia complementar precoce em casos de perda auditiva súbita, especialmente quando iniciada rapidamente após o início dos sintomas.

Tipos de câmaras hiperbáricas

Existem dois grandes tipos de câmara hiperbárica, ambas seguras e utilizadas em contexto clínico conforme a necessidade do tratamento.

Câmara hiperbárica monolugar

Este equipamento é:

  • Apenas para um paciente por sessão;

  • Normalmente construído em acrílico transparente;

  • Pressurizado com oxigénio puro;

  • Usado em hospitais e centros que tratam condições específicas.

Câmara hiperbárica multilugar

Este tipo de câmara:

  • Acomoda vários pacientes em simultâneo;

  • A pressão aumenta no interior da sala;

  • O oxigénio é administrado por máscaras individuais;

  • Frequentemente utilizada em unidades hospitalares para tratamentos prolongados ou condições mais complexas.

mulher em sessão de oxigenoterapia hiperbárica

Como funciona a sessão?

De forma geral, uma sessão de oxigenoterapia hiperbárica segue etapas bem definidas e padronizadas em centros clínicos especializados:

  1. Avaliação clínica inicial: o médico responsável confirma a indicação terapêutica, explica riscos e benefícios e verifica a existência de contraindicações;

  2. Entrada na câmara e início da pressurização: a câmara é fechada e a pressão aumenta gradualmente até atingir o nível terapêutico, geralmente entre 2 e 3 atmosferas absolutas (ATA);

  3. Respiração de oxigénio puro: durante a sessão, o paciente respira oxigénio a 100% entre 60 a 120 minutos, dependendo da condição a tratar;

  4. Descompressão lenta e segura: no final da sessão, a pressão é reduzida progressivamente para evitar desconforto ou barotrauma.

O número total de sessões varia consoante o diagnóstico:

  • Uma sessão em emergências, como intoxicação por monóxido de carbono;

  • 20 a 40 sessões em situações crónicas, como úlceras diabéticas ou osteorradionecrose.

Preparação antes do tratamento

A preparação para a câmara hiperbárica é simples, mas envolve cuidados de segurança para evitar riscos durante a pressurização e a exposição ao oxigénio puro:

  • Evitar maquilhagem, cremes, perfumes ou produtos inflamáveis, que não são permitidos no interior da câmara;

  • Usar roupa de algodão, frequentemente fornecida pelo próprio serviço, uma vez que é mais segura em ambiente de alta concentração de oxigénio;

  • Remover aparelhos eletrónicos, isqueiros ou objetos metálicos, que podem constituir risco de ignição;

  • Informar a equipa sobre problemas de ouvidos, sinusite ou constipações, que podem causar dor e dificultar a compensação da pressão;

  • Indicar toda a medicação em uso, especialmente tratamentos para diabetes, doenças cardíacas ou quimioterapia, para garantir uma avaliação adequada.

Eficácia do tratamento

A evidência científica demonstra que a oxigenoterapia hiperbárica desencadeia diversos mecanismos benéficos no organismo, incluindo:

  • Aumento da oxigenação tecidular. O oxigénio dissolvido no plasma aumenta significativamente, chegando a tecidos com má circulação;

  • Redução de edema e inflamação. A hiperóxia (excesso de oxigénio) gera vasoconstrição seletiva que reduz o edema sem comprometer a oxigenação global;

  • Estímulo à angiogénese. O tratamento favorece a formação de novos vasos sanguíneos, essenciais para a cicatrização de feridas;

  • Efeito antibacteriano direto. Aumenta a capacidade de destruição de microrganismos por glóbulos brancos e inibe o crescimento de bactérias anaeróbias;

  • Melhoria global da resposta imunitária. Aumenta a atividade dos leucócitos e melhora a defesa contra infeções profundas.

Estes mecanismos explicam o benefício da câmara hiperbárica em feridas crónicas, infeções resistentes, osteomielite, complicações de radioterapia e outras condições.

Cuidados após o tratamento em câmara hiperbárica

Depois da sessão, os cuidados são simples e ajudam a garantir conforto e segurança:

  • Levantar-se devagar, para evitar tonturas;

  • Beber água e manter-se hidratado, para ajudar o organismo a estabilizar após a pressão elevada;

  • Comunicar à equipa qualquer pressão ou desconforto nos ouvidos, que pode ocorrer durante a descompressão;

  • Vigiar os níveis de glicemia, no caso de pessoas com diabetes, pois a oxigenoterapia pode alterar temporariamente os valores;

  • Evitar voos ou mergulho no mesmo dia, para não interferir com a compensação da pressão.

A maioria das pessoas pode retomar as suas atividades habituais imediatamente após o tratamento.

Camara Hiperbárica

Quem não pode fazer o tratamento?

Embora seja um tratamento seguro, existem contraindicações absolutas e relativas. A avaliação médica é sempre obrigatória antes de iniciar o tratamento.

Contraindicação absoluta

Em caso de pneumotórax não tratado (colapso pulmonar), o tratamento é totalmente contraindicado até resolução.

Contraindicações relativas

Estas condições podem requerer avaliação médica detalhada antes de iniciar a terapia:

  • Doença pulmonar grave (como a DPOC com retenção de CO₂);

  • Infeções respiratórias ativas;

  • Cirurgia torácica recente;

  • Claustrofobia severa;

  • Gravidez, exceto em situações de emergência clínica (como intoxicação por monóxido de carbono);

  • Febre;

  • Alguns tratamentos de quimioterapia;

  • Medicamentos que aumentam risco de convulsões.

Possíveis efeitos secundários

Os efeitos secundários da oxigenoterapia hiperbárica são geralmente ligeiros, raros e reversíveis:

  • Dor nos ouvidos ou seios perinasais;

  • Fadiga;

  • Sensação de pressão;

  • Hipoglicemia em pessoas com diabetes;

  • Barotrauma (lesão por pressão, raro);

  • Convulsões induzidas por oxigénio (muito raro e sem sequelas quando tratados de imediato).

O risco é mínimo quando o tratamento é realizado em centros certificados e com equipas especializadas.

A câmara hiperbárica é indicada para si?

A câmara hiperbárica pode ser uma opção para pessoas com feridas crónicas, infeções profundas, complicações da radioterapia, intoxicação por monóxido de carbono, doença de descompressão e outras condições específicas aprovadas pelas entidades de referência.

No entanto, este tratamento não substitui terapias convencionais, sendo utilizado de forma complementar e sempre sob orientação médica.

Consulte o seu médico para saber se a oxigenoterapia hiperbárica é adequada ao seu caso.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico.

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