mulher em sofrimento com mãos na cabeça

Acidente vascular cerebral: como evitar e proteger

4 mins. leitura

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também designado de trombose ou de embolia cerebral, é uma das principais causas de morte e de morbilidade no nosso país.

Por ano, em Portugal, cerca de 25.000 pessoas têm um AVC. A cada hora, três pessoas sofrem um AVC, sendo que uma delas não sobrevive e metade das restantes fica com sequelas.


AVC: fatores de risco, sintomas e tratamento

O AVC isquémico corresponde a uma lesão súbita no cérebro que danifica as células cerebrais e que ocorre devido ao não fornecimento de sangue a uma parte do cérebro, por causa de um bloqueio ou derrame.

Embora menos frequente, também existe o AVC hemorrágico, o qual é provocado pela rutura de um vaso sanguíneo, causando extravasamento de sangue e dano do tecido cerebral.

Perante um quadro de AVC, uma assistência médica rápida é essencial para evitar ao máximo sequelas e mesmo a morte do doente. Por isso, se suspeitar que alguém está a sofrer um AVC, deve contactar de imediato a linha de emergência médica 112.


Fatores de risco

Como a maioria das doenças, o AVC também possui fatores de risco que tornam a ocorrência deste problema de saúde mais provável em algumas pessoas do que noutras.

Alguns desses fatores são modificáveis (ou seja, podem ser alterados), enquanto outros fatores não são modificáveis (isto é, não podem ser alterados).

Fatores de risco modificáveis

Fatores de risco não modificáveis

  • Genética;
  • Hereditariedade;
  • Idade;
  • Raça;
  • Sexo.

Sintomas

As manifestações desta doença dependem da região do cérebro atingida e dos danos provocados pelo AVC. Ainda assim, há três sintomas que são considerados sinais de alerta para o AVC. Eles são também conhecidos como os 3F:

  • Fala: alteração na fala, ou seja, dificuldade em expressar-se ou perceber o que lhe dizem;
  • Face: face descaída de um dos lados, vulgarmente descrita como "boca ao lado";
  • Força: perda de força num dos lados do corpo ou num braço, por exemplo.

Perante este quadro, deve deitar o doente de lado, em posição de segurança, garantindo que ele respira bem.

Ao mesmo tempo, deve contactar o número nacional de emergência médica 112 e, assim, ativar a chamada Via Verde para o AVC. Deste modo, acelera o processo de assistência médica ao doente, o que pode aumentar as suas probabilidades de ter uma recuperação completa.

Durante a chamada, caso saiba, deve indicar a hora em que o doente começou a manifestar os primeiros sinais de alerta e se o doente tem fatores de risco, outras doenças e se faz alguma medicação específica.


Tratamento

O tratamento do AVC vai depender da sua origem e causa. Uma intervenção rápida, que permita a desobstrução atempada dos vasos sanguíneos obstruídos por trombos, pode fazer toda a diferença no que concerne ao prognóstico do doente, no caso de um AVC isquémico.

Numa primeira fase, é feito um tratamento fibrinolítico, o qual consiste na administração intravenosa de uma substância capaz de desfazer o trombo. Quando esta medida não é suficiente, é necessário proceder a uma trombectomia mecânica, isto é, à remoção mecânica do trombo.

O AVC pode provocar sequelas motoras, cognitivas, comportamentais ou do sistema sensorial. Eis as mais frequentes.

Sequelas motoras

  • Falta de força;
  • Espasticidade (rigidez excessiva) num dos lados do corpo;
  • Perda de coordenação dos movimentos dos membros;
  • Perda da marcha;
  • Disfagia.

Sequelas cognitivas

  • Lentificação dos processos mentais;
  • Problemas de memória e de concentração;
  • Afasia (dificuldade de expressão e de compreensão).

Sequelas comportamentais

Sequelas do sistema sensorial

  • Perda de sensibilidade numa parte do corpo;
  • Dor neuropática;
  • Alterações no controlo do esfíncter.

Reabilitação

Após a fase aguda da doença, segue-se um trabalho de reabilitação complexo que pode acontecer durante mais ou menos tempo e ser mais ou menos intenso.

Esse processo de reabilitação pode passar por sessões de fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional. Todas estas intervenções visam a recuperação máxima das capacidades do doente, nomeadamente, a recuperação motora, cognitiva e da linguagem.

Nesta etapa, em particular, o apoio e a colaboração quer do doente, quer da família/amigos, revestem-se de grande importância. Mesmo quando existem sequelas irreversíveis, é aconselhável que o doente reintegre a vida familiar, social e profissional.

Há ainda pequenas alterações que podem facilitar o dia a dia do doente com AVC como, por exemplo:

  • Adaptar algumas divisões da casa, como o quarto de banho e o quarto, por exemplo;
  • Comprar calçado que aperte com velcro, no lugar dos cordões;
  • Substituir as calças com fecho por calças com elástico na cintura;
  • Vestir camisas com molas, em vez de botões.

A par da reabilitação, é importante evitar que o AVC se repita. Assim, além dos cuidados de prevenção recomendados à população em geral, pode estar indicado:

  • Tomar um antiagregante plaquetário, como o ácido acetilsalicílico, para evitar a formação de trombos;
  • Tomar um anticoagulante, como a varfarina, para evitar a formação de coágulos, em doentes com arritmias cardíacas;
  • Tratar estenoses (apertos) nas artérias que se dirigem para o cérebro, como as carótidas, de modo a facilitar a circulação e a prevenir a libertação de pequenos êmbolos;
  • Seguir todas as recomendações do médico assistente.

Como prevenir o acidente vascular cerebral

Se o AVC possui fatores de risco conhecidos, evitá-los é uma forma efetiva de diminuir a probabilidade de vir a sofrer deste problema de saúde. Assim, algumas medidas que devem ser tomadas são:

  • Não fumar;
  • Não beber álcool em excesso;
  • Combater a hipertensão arterial (nomeadamente, tomando medicação prescrita pelo médico e adotando comportamentos que contrariem esta doença);
  • Manter a diabetes controlada (através da toma de medicação e da medição regular dos níveis de glicose presente no sangue);
  • Evitar a obesidade, mantendo o peso controlado;
  • Contrariar o sedentarismo, reduzindo o número de horas por dia que passa sentado e incluindo o exercício físico nas suas rotinas diárias;
  • Não ter colesterol elevado, praticando uma alimentação equilibrada, pobre em sal, açúcares e gorduras saturadas;
  • Vigiar as doenças cardíacas, como a fibrilação auricular, por exemplo.

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