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corredor com dor nas canelas

Canelite: a dor dos corredores

7 mins. leitura

Índice

  1. 1. Canelite: o que é?
  2. 2. Quais as principais causas das canelites?
  3. 3. Canelite: quais os sintomas?
  4. 4. Como tratar as canelites?
  5. 5. Quando procurar ajuda médica?

A canelite é um tipo de dor na canela, geralmente provocada pelo exercício físico. Esta lesão ocorre quando os músculos, tendões e ossos da perna ficam inflamados devido ao esforço repetido. Atletas, especialmente os corredores, e pessoas com osteoporose correm maior risco de a desenvolver.

Embora não seja uma lesão grave, pode transformar-se em fraturas por stress se não for tratada corretamente. Repouso, gelo e outras medidas de autocuidado ajudam na recuperação, enquanto usar o calçado certo, aumentar o treino gradualmente e variar os exercícios são estratégias eficazes de prevenção.

Fique a saber, a seguir, quais as causas das canelites, sintomas, formas de tratamento e como as evitar.

Canelite: o que é?

O termo médico é síndrome de stress tibial medial e trata-se de uma inflamação dolorosa que afeta a parte frontal ou interna da perna, mais precisamente ao longo da tíbia, o osso da canela.

Esta condição é comum em pessoas que praticam atividades físicas de impacto, especialmente corrida, saltos e desportos que envolvem mudanças súbitas de direção, como ténis, basquetebol, padel, entre outros.

A canelite ocorre quando os músculos, tendões e tecido ósseo ao redor da tíbia ficam sobrecarregados devido a um esforço repetitivo. Esta inflamação pode provocar dor difusa e desconforto ao longo do osso, tornando desconfortáveis atividades simples, como caminhar.

Embora seja frequentemente associada a atletas e corredores, pode surgir em qualquer pessoa que aumente repentinamente a intensidade ou a duração da sua atividade física.

Também pessoas com determinadas condições, como osteoporose ou alterações biomecânicas nos pés, podem ter maior predisposição a desenvolver esta lesão.

Apesar de normalmente não ser grave, a canelite exige atenção. Ignorar a dor e continuar a treinar pode agravar o problema, podendo evoluir para fraturas por stress, uma complicação mais séria que requer um período de recuperação prolongado.

Quais as principais causas das canelites?

As principais causas estão relacionadas com o excesso de esforço físico e o impacto repetido sobre as pernas. Esta condição resulta de uma combinação de fatores mecânicos e de sobrecarga.

Entre as causas mais frequentes destacam-se:

  • Aumento repentino da intensidade ou duração do treino. Mudar o tipo de exercício, correr distâncias maiores ou treinar com mais frequência sem o devido período de adaptação é uma das principais razões para o aparecimento da canelite;

  • Superfícies duras ou irregulares. Correr em alcatrão, cimento ou pisos inclinados aumenta o impacto sobre a tíbia;

  • Calçado inadequado. Usar sapatos de corrida desgastados ou com fraco amortecimento compromete a absorção do impacto e favorece a inflamação;

  • Alterações na pisada. Quem tem pés planos (pronação excessiva) ou arco plantar muito elevado, tende a distribuir o peso de forma desigual, sobrecarregando os músculos e tendões das pernas;

  • Músculos tensos ou desequilibrados. A falta de flexibilidade nos gémeos e nos músculos da tíbia pode contribuir para o aparecimento da dor;

  • Falta de aquecimento ou alongamento. Iniciar o exercício sem preparar devidamente os músculos e articulações aumenta o risco de microlesões.

Além destes fatores, pessoas que iniciam uma nova rotina de exercícios, como caminhar longas distâncias ou começar a correr após um período sedentário, também têm maior probabilidade de sofrer de canelite, especialmente se não respeitarem o ritmo de adaptação do corpo.

Canelite: quais os sintomas?

Os sintomas da canelite são bastante característicos, embora possam variar em intensidade conforme a gravidade da inflamação. Os mais comuns incluem:

  • Dor ao longo da parte interna da canela, especialmente na zona inferior da perna;

  • Sensação de sensibilidade ou dor ao toque na tíbia;

  • Dor que surge durante o exercício e que, inicialmente, desaparece com o repouso, mas que pode tornar-se constante se o problema não for tratado;

  • Ligeiro inchaço ou sensação de calor na região afetada;

  • Dor mais intensa ao correr, saltar ou caminhar depressa.

Em casos mais avançados, a dor pode persistir mesmo em repouso, e é possível que ocorram pequenas fraturas por stress na tíbia. Ou seja, microfissuras causadas por sobrecarga repetida.

É importante distinguir a canelite de outras condições, como síndrome compartimental ou tendinites, que também podem causar dor na perna. Se a dor for muito intensa, persistente ou acompanhada de inchaço significativo, deve procurar um médico para excluir outras causas.

mulher em sessão de fisioterapia para tratar canelite

Como tratar as canelites?

O tratamento da canelite depende da gravidade, mas, geralmente, é simples e envolve medidas de autocuidado. A prioridade é reduzir a inflamação e permitir que o corpo recupere naturalmente.

Repouso e redução da atividade física

O primeiro passo é descansar e reduzir o impacto sobre as pernas.

Não é necessário suspender completamente o exercício, mas substituir as atividades de alto impacto, como corrida, por outras de baixo impacto, como natação, bicicleta ou caminhadas leves.

Aplicação de gelo

Aplicar gelo na zona dolorosa, durante 15 a 20 minutos, várias vezes ao dia, ajuda a reduzir a inflamação e o desconforto.

O gelo nunca deve ser aplicado diretamente sobre a pele, utilize um pano ou toalha como barreira.

Medicamentos anti-inflamatórios

Se a dor for mais intensa, o médico pode recomendar o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINE), como o ibuprofeno.

Estes medicamentos ajudam a aliviar a dor e o inchaço, mas devem ser usados apenas por períodos curtos e sob orientação médica.

Calçado adequado e palmilhas

É essencial garantir que o calçado é apropriado ao tipo de atividade e ao formato do pé. Sapatilhas com bom amortecimento ajudam a absorver o impacto e a reduzir a pressão sobre a tíbia.

Em alguns casos, palmilhas ortopédicas personalizadas podem corrigir a pisada e prevenir recorrências.

Alongamentos e fortalecimento muscular

Os alongamentos são uma parte importante da recuperação. Exercícios que trabalham os músculos da perna, especialmente os gémeos e o tibial anterior, ajudam a restabelecer o equilíbrio muscular e a aliviar a tensão sobre o osso:

  • Alongamento dos gémeos contra a parede;

  • Elevação dos dedos dos pés para fortalecer a parte frontal da perna;

  • Alongamento sentado com toalha (puxar o pé em direção ao corpo).

Estes exercícios devem ser feitos de forma gradual e sem causar dor.

Tempo de recuperação

O tempo de recuperação da canelite varia consoante a gravidade da lesão. Casos leves podem melhorar em duas a quatro semanas, enquanto casos mais severos podem necessitar de várias semanas ou até meses.

O regresso à corrida deve ser feito somente quando não houver dor ao caminhar ou saltar.

Se, apesar das medidas de autocuidado, os sintomas persistirem, o médico poderá recomendar fisioterapia ou exames complementares, como raio-x ou ressonância magnética, para despistar fraturas por stress.

dois homens a correr

Canelite: como evitar?

Prevenir a canelite é possível, e passa por adotar bons hábitos de treino e cuidados com o corpo.

Aumentar o treino gradualmente

Evite aumentar a intensidade, duração ou frequência dos treinos bruscamente. O ideal é seguir a regra dos 10%. Ou seja, não aumentar mais de 10% por semana.

Usar o calçado certo

Escolha calçado adequado ao seu tipo de pisada e substitua-o regularmente (a cada 500/800 quilómetros de uso). O calçado velho perde capacidade de amortecimento, aumentando o risco de lesões.

Variar o tipo de exercício

Intercalar corridas com atividades de menor impacto, como ciclismo ou natação, ajuda a reduzir a sobrecarga nos ossos e músculos da perna.

Aquecer e alongar antes e depois do treino

Um aquecimento progressivo prepara os músculos e articulações para o esforço, enquanto os alongamentos após o treino ajudam a manter a flexibilidade e a prevenir rigidez muscular.

Correr em superfícies mais macias

Sempre que possível, opte por trilhos, relva ou pistas de borracha. Evite o alcatrão e o cimento, uma vez que são superfícies demasiado duras.

Corrigir a postura e a técnica de corrida

Uma má técnica de corrida pode sobrecarregar as pernas. Trabalhar com um treinador ou fisioterapeuta pode ajudar a identificar e corrigir erros de postura, passada ou pisada.

Reforçar a musculatura

Praticar exercícios de fortalecimento dos membros inferiores e do core (zona abdominal e lombar) contribui para uma melhor estabilidade corporal e distribuição do impacto.

Quando procurar ajuda médica?

Embora a canelite seja, na maioria das vezes, uma condição ligeira e autolimitada (resolve-se espontaneamente), é importante procurar um médico se:

  • A dor persistir mesmo com repouso e gelo;

  • A dor for intensa e localizada num ponto específico (pode indicar fratura por stress);

  • Houver inchaço significativo ou vermelhidão;

  • Existirem antecedentes de osteoporose ou outras doenças ósseas.

O diagnóstico é geralmente clínico, mas, em alguns casos, o médico pode solicitar exames de imagem para excluir outras causas de dor na perna.

Canelite: tratar hoje para correr melhor amanhã

A canelite é uma lesão comum entre corredores e praticantes de desporto, mas felizmente é tratável e evitável. Surge quando o corpo é submetido a esforço excessivo sem o devido tempo de adaptação, refletindo a importância do equilíbrio entre treino, descanso e autocuidado.

Com repouso, gelo, alongamentos e calçado adequado, a recuperação costuma ser rápida. Ainda assim, respeitar os sinais do corpo e evitar ultrapassar os limites é a melhor forma de prevenir recidivas.

Se sentir dor persistente na canela ao correr ou após o exercício, não ignore. Parar a tempo é o primeiro passo para voltar a treinar em segurança e sem dor.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico.

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