Ligamos
grátis
vacina da tosse convulsa

Tosse convulsa: tudo o que deve saber

3 mins. leitura

A tosse convulsa é uma doença infeciosa do trato respiratório e uma causa de mortalidade importante, sobretudo em crianças até um ano de idade.

Esta doença é causada por uma bactéria chamada Bordetella pertussis, que compromete, sobretudo, as zonas da traqueia e dos brônquios.

A tosse convulsa é contagiosa. Uma vez que as bactérias que a causam se encontram na boca, nariz e garganta da pessoa afetada, ela transmite-se através de gotículas de saliva expelidas pelo espirro ou pela tosse.

Os seres humanos são o único reservatório para a Bordetella pertussis e nem a infeção, nem a vacinação garantem uma imunidade permanente. No entanto, a vacinação sistemática permitiu reduzir drasticamente a incidência da doença.

Esta redução, associada à inexistência de imunidade permanente, levou a que a tosse convulsa voltasse a emergir, tornando-se numa das dez principais causas de mortalidade em crianças com idade inferior a um ano. É, ainda, a doença com possibilidade de ser prevenida mais predominante nos países desenvolvidos.


Características da tosse convulsa

Sintomas

Os sintomas da tosse convulsa surgem, normalmente, entre sete a 10 dias após a infeção, mas também podem aparecer até 21 dias mais tarde.

A doença caracteriza-se por três fases:

  • Fase catarral (1-2-semanas):
    Ocorre inflamação e corrimento nasal, tosse ligeira e febre baixa (sintomas do trato respiratório alto).
  • Fase paroxística (2-6 semanas):
    A tosse agrava-se e é caracterizada por acessos consecutivos seguidos de um ronco ou guincho. Estes episódios de tosse terminam, frequentemente, com a expulsão de um muco espesso e transparente, e muito frequentemente, seguido de vómito. Podem ser acompanhados de uma coloração azulada da pele e dos lábios e inchaço da língua.
    De início, os acessos de tosse ocorrem à noite e agravam-se com o choro ou a deglutição. Depois tornam-se mais frequentes durante o dia, podendo persistir ao longo de um a dois meses.
  • Fase de convalescença (2-6 semanas):
    A intensidade e frequência da tosse diminui progressivamente, desaparecendo o ruído ao inspirar e os vómitos. Pode prolongar-se ao longo de vários meses com episódios recorrentes de tosse, desencadeados por infeções respiratórias virais.

Nos lactentes (crianças do 28º dia aos dois anos de idade), o guincho típico ao inspirar pode nunca desenvolver-se e os ataques de tosse ser seguidos de breves períodos em que a respiração pára.

Após esta fase, os ataques de tosse diminuem de frequência e intensidade, e a criança melhora gradualmente. A recuperação total pode demorar até três meses.

Nas crianças vacinadas, adolescentes e jovens adultos os sintomas são mais ligeiros ou um pouco diferentes, podendo manifestar-se como tosse persistente.

As complicações derivadas da tosse convulsa ocorrem com mais frequência em crianças com menos de seis meses de idade, não vacinadas. As mais frequentes incluem:

  • Apneia (suspensão da respiração);
  • Pneumonia;
  • Perda de peso devido às dificuldades alimentares e aos vómitos.

Pode também ocorrer:

  • Pneumotorax (presença de ar entre as membranas dos pulmões);
  • Hemorragia nasal;
  • Hemorragia subconjuntival (derrame no olho);
  • Hematoma subdural (acumulação de sangue no espaço entre o cérebro e o osso do crânio);
  • Prolapso retal (saída parcial ou completa da parte terminal do reto para fora do ânus);
  • Convulsões;
  • Morte.

Prevenção

A forma mais importante de prevenção da tosse convulsa é a vacinação.

No Programa Nacional de Vacinação está contemplada a administração de cinco doses da vacina pertussis acelular aos dois, quatro, seis, 18 meses e cinco anos de idade.

Atualmente, a Direção-Geral da Saúde recomenda a vacinação durante a gravidez, com uma dose de vacina combinada contra a tosse convulsa, o tétano e a difteria, em doses reduzidas, entre as 20 e as 30 semanas de gestação, idealmente até às 32 semanas.

A vacinação da mulher grávida deve ocorrer após a ecografia morfológica (recomendada entre as 20 e as 22 semanas + seis dias).


Tratamento

O tratamento com um antibiótico é recomendado sempre que existe suspeita de tosse convulsa, após a colheita de secreções para a pesquisa da bactéria.

Este tratamento é especialmente eficaz para prevenir a doença na fase de incubação (inicial). Na fase catarral diminui ou elimina os sintomas e na fase paroxística não altera o estado clínico Ou seja, quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maior a sua eficácia.

O chamado tratamento de suporte também constitui um pilar importante, consistindo em fluidoterapia, oxigénio humidificado e aspiração cuidadosa de secreções, quando necessário.

É importante reforçar que é recomendado o isolamento até 5 dias após início de tratamento antibiótico, ou até 21 dias na ausência desse tratamento.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico. Encontre aqui profissionais de saúde perto de si.

Partilhe este artigo:

Obrigado pela sua preferência.

Irá receber no seu email as melhores dicas de Saúde e Bem-estar.
Pode em qualquer momento alterar ou retirar o(s) consentimento(s) prestado(s).

Receba as melhores dicas
de Saúde e Bem-estar

Precisamos do seu consentimento para envio de mais informação.
Artigos relacionados:
Ver mais