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Artrose

Artrose: guia para se sentir melhor

6 mins. leitura

A artrose (ou osteoartrose) é uma doença degenerativa que provoca o desgaste e a destruição da cartilagem articular que reveste a superfície de contacto com os ossos. A cartilagem articular é um tipo especial de tecido que reveste a extremidade de dois ossos justapostos que possuem algum grau de movimentação entre eles. São exemplos de articulações os joelhos, os tornozelos, os dedos das mãos, os dos pés, o quadril, as vértebras da coluna, os ombros, os cotovelos, os punhos, a mandíbula etc. Em todas estas articulações está presente o tecido cartilaginoso.

Trata-se de um dos problemas reumatológicos mais comuns e incapacitantes. E é, também, a primeira causa de dor crónica, absentismo ao trabalho e invalidez.

Embora seja uma doença sem cura, a artrose é benigna. Além disso, existe tratamento de forma a permitir que o indivíduo tenha, na maioria dos casos, uma vida perfeitamente normal.

Toda a vez que tivermos alterado o estado de equilíbrio entre os constituintes articulares, estaremos sujeitos ao processo de degeneração articular e, consequentemente, o desenvolvimento da Osteoartrose. Ao provocar a destruição da cartilagem articular, a artrose pode, nas situações mais graves, causar o seu completo desaparecimento. Um cenário que acaba por fazer com que haja atrito entre as superfícies ósseas a cada movimento, provocando dor.

Sabe-se hoje que a artrose não é uma doença exclusivamente relacionada com a velhice, embora a idade/envelhecimento seja um dos principais fatores de risco.

A dor é o principal sintoma da artrose, mas rigidez e limitação da função também são queixas comuns.

Todas as articulações podem ser atingidas, mas as localizações mais frequentes são os joelhos, ancas, mãos, joanete e, ainda, a coluna lombar e cervical.


Compreender a artrose

Fatores de risco

A artrose desenvolve-se devido à associação de vários fatores que tornam a pessoa mais predisposta para a doença e que se vão acumulando ao longo da vida.

Os fatores de risco podem ser divididos de duas formas:

  • Fatores não modificáveis
    • Idade: a prevalência da condição aumenta substancialmente após os 40 anos de idade nas mulheres e 50 anos nos homens. Mais de 50% dos indivíduos acima de 65 anos apresentam osteoartrose e após os 85 anos, praticamente todos (85 a 100%) têm sinais da doença;
    • Predisposição genética (hereditariedade);
    • Sexo: é mais frequente na mulher, designadamente após a menopausa. A forma de acometimento isolada de mãos e joelhos é mais comum nas mulheres, enquanto a osteoartrose de quadril é mais observada em homens;
    • Doenças metabólicas ou endócrinas;
    • Doenças inflamatórias nas articulações (artropatias inflamatórias).
  • Fatores potencialmente modificáveis
    • Obesidade: Devido aos efeitos prejudiciais do excesso de peso. Sobretudo sobre os joelhos, embora também afete a anca e os dedos;
    • Alinhamento articular: O deficiente alinhamento de duas superfícies articulares – de causa congénita (malformações, displasias, subluxações) ou adquirida (sequelas de fraturas, acidentes, sobrecarga) – provoca zonas de atrito que acabam por resultar na degradação precoce da cartilagem e do osso.
    • Atividade Física: O sedentarismo (pouca atividade física) provoca o enfraquecimento muscular, o que contribui para o desenvolvimento de artrose. Por outro lado, o excesso de exercício físico (desporto de alta competição) também é um fator de risco, devido aos traumatismos e/ou à sobrecarga provocada pelo elevado uso articular.
    • Atividade Profissional: Algumas profissões favorecem o desenvolvimento de artrose devido ao trabalho repetitivo e a más posições do corpo continuadas e prolongadas.
    • Diminuição da força do quadricípite (músculo femoral, localizado na face anterior da coxa).
    • Defeitos propriocetivos (alterações na capacidade para perceber a posição e movimento dos membros).

Sintomas

O paciente típico com osteoartrose é um indivíduo de meia-idade ou idoso, com sobrepeso, que se queixa de dor e rigidez nas articulações acometidas, acompanhado de limitação de função. No entanto, os sintomas de artrose desenvolvem-se muito lentamente. Inicialmente, nos primeiros estádios de erosão da cartilagem, não existem sintomas.

Guia Prático Doenças Crónicas - Medicare

Além disso, uma vez que a artrose é uma condição degenerativa articular, e não predominantemente inflamatória, pode manter-se assintomática durante longos períodos de tempo. A partir do momento em que os sintomas têm início, a situação vai-se agravando gradualmente. Entretanto, os sinais inflamatórios são normalmente de pequena monta. De modo geral, há um discreto edema local, com pouco calor e, em alguns casos, derrame intra-articular. Nas formas erosivas da osteoartrose de mãos, pode haver sinais inflamatórios mais importantes nas interfalângicas.

O surgimento de inflamação muito intensa, com edema importante, calor e eritema, deve levar à suspeita de condições superpostas, como artrite séptica ou doença por deposição de cristais (gota, pseudogota ou depósito de fosfato básico de cálcio).

Seguem-se os sintomas mais comuns:

  • Dor
    • A dor localiza-se na articulação afetada;
    • Pode ser pior durante e após o movimento da articulação afetada;
    • Em casos mais leves, pode estar ausente até que a pessoa se mova e persiste por um curto período de tempo;
    • O descanso, geralmente, alivia a dor;
    • Em alguns casos, uma pressão firme na pele sobre a articulação causa dor. Essa sensibilidade na articulação não é, normalmente, acompanhada de inchaço, ao contrário do que acontece quando a dor nas articulações tem causas inflamatórias, como no caso da artrite reumatoide.
  • Rigidez
    • A rigidez da articulação é outro sintoma comum.
    • A rigidez matinal de curta duração é uma queixa comum, não ultrapassando mais do que alguns minutos. Este é outro dado que auxilia no diagnóstico diferencial com as doenças inflamatórias, nas quais a rigidez permanece, de modo geral, por mais de uma hora;
    • O movimento pode aliviar a rigidez, mas em excesso acaba por causar dor;
    • A rigidez tende a piorar com o tempo, à medida que a condição progride;
    • Mesmo quando diminui, a amplitude normal de movimento pode não ser a mesma. Essa perda de flexibilidade dificulta o nível de mobilidade da pessoa ao longo do tempo.
  • Ruído
    • Normalmente, as cartilagens articulares de ambas as extremidades do osso friccionam juntas até certo ponto. Como a cartilagem é muito lisa e bem lubrificada com líquido sinovial, geralmente não há ruído. No entanto, com a artrose esta suavidade e movimentos mais fáceis são dificultados, dando origem a um som áspero ao movimentar a articulação, especialmente à medida que a condição progride. Às vezes, pode também ser ouvida uma espécie de estalar ou clique, dependendo da articulação afetada.
  • Dureza (deformidades adquiridas)
    • Nas fases mais tardias da doença, as articulações maiores, como o joelho, tornam-se mais firmes ao toque. Isto deve-se à formação de saliências ósseas, chamadas esporas ósseas, que podem ser sentidas na pele como caroços anormais e duros.

Tratamento

O tratamento da artrose tem como principal objetivo o alívio da dor (se possível, o seu desaparecimento), melhorar a capacidade funcional através do aumento da mobilidade das articulações afetadas e evitar a atrofia dos músculos relacionados com elas. Visa, também, impedir o agravamento das lesões já existentes.

O envolvimento e empenho do doente são fundamentais para o sucesso do tratamento. Por esse motivo, fazem parte do plano terapêutico medidas básicas como a educação do indivíduo para as especificidades do seu problema, a importância do repouso relativo e o plano de exercícios.

A principal indicação da terapia medicamentosa no tratamento da artrose é o controle da dor. Outra finalidade seria modificar a evolução da doença, embora nenhum dos medicamentos disponíveis até o momento possa comprovadamente alterar a sua história natural.

Existem, também, alguns conselhos práticos para o dia-a-dia do doente, dependendo do tipo (localização) de artrose:

  • Dormir num colchão duro, preferencialmente de barriga para o ar;
  • Não permanecer muito tempo numa mesma posição, sobretudo nas de pé e sentado;
  • Manter o pescoço sempre em hiperextensão e nunca fletido (sobretudo nos casos de artrose da coluna cervical);
  • Evitar pegar em objetos pesados;
  • Evitar flexões da coluna vertebral (para pegar num objeto do chão, deve optar por dobrar os joelhos);
  • Usar vestuário simples e prático, sapatos com contrafortes resistentes e os saltos não devem ser muito altos;
  • Evitar andar em transportes muito trepidantes;
  • Evitar posturas incorretas durante longos períodos de trabalho ou estudo a uma secretária.
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