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A bronquilite e uma infeção respiratória

Bronquiolite: tudo o que deve saber

5 mins. leitura

A bronquiolite é uma infeção respiratória que pode afetar crianças até aos 2 anos de idade. Conheça as suas principais causas, fatores de risco e sintomas.


Bronquiolite aguda: causas, fatores de risco e sintomas

A bronquiolite aguda é uma patologia infeciosa respiratória, provocada por um vírus e muito comum no inverno, em crianças até aos 2 anos de idade.

Ela provoca a inflamação e o estreitamento dos bronquíolos, estruturas do organismo que são a continuidade dos brônquios, e que distribuem o ar para dentro dos pulmões através dos alvéolos.

Os alvéolos são a porção dos pulmões onde ocorrem as trocas de oxigénio e de dióxido de carbono. Os sintomas clínicos de obstrução do sistema ventilatório inferior são consequências da oclusão parcial das vias aéreas distais, dificultando a entrada e saída de ar nos pulmões. Pode, também, haver lugar a febre e a tosse pode estender-se por cerca de 1 mês.

Entre o 3º e o 5º dia da doença, há uma tendência para que os sintomas vão desaparecendo, embora a recuperação demore, em média, 12 dias.

Não há medicamentos específicos para o tratamento da bronquiolite. Porém, algumas crianças podem necessitar de internamento hospitalar para receberem suporte de oxigénio.

O diagnóstico desta patologia pode, por vezes, gerar algumas dúvidas e levantar suspeitas de asma. Por isso, é importante identificar bem as causas e os sintomas desta doença.

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O que é?

A bronquiolite carateriza-se, então, por uma infeção, inflamação e estreitamento dos bronquíolos. Os vírus causadores desta doença atingem a mucosa e a sub-mucosa respiratória, afetando negativamente as suas células.

A inflamação e a produção de muco provocam o estreitamento e a obstrução do lúmen dos bronquíolos, o que não permite que o ar alcance os alvéolos.

Se a entrada do ar não apresenta dificuldades, o mesmo não se pode dizer da sua saída.


Causas

O vírus sincicial respiratório (VSR) provoca aproximadamente 75% das situações de bronquiolite.

Porém, esta doença também pode ser causada por outros vírus, como os rinovírus, os vírus parainfluenza e os vírus influenza, adenovírus e metapneumo-vírus. Mais raramente, a bronquiolite também ter origem em bactérias intracelulares, como a Mycoplasma pneumoniae ou a Chalamydia spp.

Se houver infeção por dois ou mais vírus, a bronquiolite apresenta um quadro mais grave e severo.


Fatores de risco

Há crianças que têm mais probabilidade de desenvolver bronquiolite ou ter um pior prognóstico clínico. É o caso de:

  • Crianças com poucos meses de vida;
  • Prematuros ou ex-prematuros;
  • Crianças com doença crónica, como doença pulmonar crónica secundária a prematuridade, cardiopatia congénita, doença neurológica grave, síndrome de Down ou algum tipo de imunodeficiência;
  • Crianças com baixo peso ao nascer;
  • Sexo masculino.

Sintomas

A manifestação da bronquiolite pode dividir-se em 3 fases: período de incubação; fase de coriza (“constipação”); e bronquiolite.

A última fase carateriza-se por um agravamento da tosse, polipneia (respiração ofegante), adejo nasal (narinas que abrem e fecham com a respiração), tiragem (covinhas entre as costelas), sibilância (pieira), gemido e crepitações audíveis na auscultação pulmonar. Aproximadamente 50% dos doentes com bronquiolite têm febre, entre os 38ºC e os 39,5ºC.

Geralmente, a bronquiolite evolui até ao 3º a 5º dia da doença, atenuando os seus sintomas depois deste período. A recuperação pode demorar 12 dias, sendo que a tosse pode perdurar por 3 a 4 semanas.


Diagnóstico

O diagnóstico da bronquiolite deve ser exclusivamente clínico, sendo que os exames médicos apenas são necessários em caso de internamento ou de suspeita de algum diagnóstico diferencial, como pneumonia, por exemplo.

Outro aspeto a considerar, não só para efeitos de diagnóstico, como de controlo da doença, é a frequência respiratória (FR) em ciclos respiratórios por minuto (crpm). Uma FR superior a 60 crpm é sinal de alerta, enquanto uma FR inferior a 40 crpm não inspira preocupação. Uma FR entre 40 e 60 crpm deve ser ou não valorizada em função da existência ou inexistência de outros sintomas.

Aproximadamente 3% dos casos de bronquiolite necessitam de internamento hospitalar. Deve recorrer-se a uma urgência hospitalar na presença de fatores de risco, como:

  • Idade inferior a 6 semanas;
  • Frequência respiratória > 50 - 60 crpm;
  • Apneias (pausas sem respirar);
  • Respiração irregular, caraterizada por uma respiração superficial prolongada, com períodos de frequência respiratória muito aumentada;
  • Esforço para respirar (tiragem);
  • Gemido constante;
  • Recusa em comer;
  • Vómitos frequentes e abundantes;
  • Não urinar ou urinar pouco;
  • Letargia, prostração ou sonolência;
  • Cianose (tom arroxeado) nos lábios e/ou nos dedos;
  • Palidez;
  • Sudação (transpiração).

Tratamento

A maioria das crianças com bronquiolite não precisa de tratamento específico. Cerca de 97% destes doentes fazem a sua recuperação em casa, desde que se sigam alguns cuidados como:

  • Lavar o nariz com soro fisiológico ou com água do mar, para aliviar a obstrução nasal;
  • Dividir as refeições em pequenas porções;
  • Hidratar o corpo, através da ingestão regular de água;
  • Levantar, ligeiramente, a cabeceira do berço ou da cama;
  • Verificar a existência ou não de febre;
  • Controlar a evolução da doença, principalmente nos primeiros 5 dias.

No geral, as bronquiolites não beneficiam do uso de broncodilatadores, de fármacos que inibem a tosse, de antivirais ou de antibióticos. Por isso, pode considerar-se que a bronquiolite não possui um tratamento específico, mas sim medidas que podem aliviar o incómodo e o desconforto causado pelos sintomas associados.

Mesmo em caso de internamento hospitalar, a única terapêutica administrada é oxigénio (por sonda nasal ou máscara) e, se necessário, hidratação (por sonda naso-gástrica ou com soros numa veia).


Prevenção

Os agentes infeciosos, causadores da bronquiolite, são normalmente muito contagiosos, bastando para isso entrar em contacto com secreções nasais contaminadas ou com gotículas infetadas e expelidas através da tosse.

As crianças mais velhas e os adultos também podem ser veículos transmissores deste vírus, embora nestas faixas etárias a doença possa ser assintomática ou configurar apenas uma simples constipação.

Assim, para prevenir esta doença, é importante, sobretudo nos meses de inverno, evitar locais com muitas pessoas e lavar as mãos frequente e corretamente, durante cerca de 40 a 60 segundos, seguindo os próximos passos:

  1. Molhar as mãos com água.
  2. Aplicar sabão suficiente para cobrir todas as mãos.
  3. Esfregar bem as palmas das mãos.
  4. Colocar a palma de uma mão sobre o dorso da outra mão, com os dedos entrelaçados.
  5. Colocar palma com palma e entrelaçar os dedos.
  6. Colocar a parte de trás dos dedos nas palmas das mãos opostas, com os dedos entrelaçados.
  7. Esfregar o polegar no sentido rotativo e entrelaçado na palma da mão oposta.
  8. Esfregar rotativamente para trás e para a frente os dedos da mão na palma da mão oposta.
  9. Enxaguar as mãos com água.
  10. Secar as mãos com um toalhete descartável.
  11. Fechar a torneira, usando o toalhete.
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