Síndrome de Dumping: o que é e como prevenir este problema
• 4 mins. leitura
Índice
A síndrome de Dumping é uma condição digestiva caracterizada pela passagem excessivamente rápida de alimentos do estômago para o intestino delgado, o que pode desencadear uma série de sintomas desconfortáveis e afetar a qualidade de vida.
Apesar de não ser amplamente conhecido, este problema afeta uma parcela significativa de pessoas, especialmente aquelas que foram submetidas a cirurgias gástricas.
Estima-se que entre 20% a 50% dos indivíduos submetidos a intervenções cirúrgicas no estômago manifestem sintomas deste distúrbio.
O que é e quais as causas da síndrome de Dumping
A síndrome de Dumping faz com que os alimentos e os ácidos gástricos do estômago se movam para o intestino delgado de forma descontrolada e anormalmente rápida.
Geralmente, está associada a cirurgia gástrica por tumores do estômago ou cirurgia bariátrica.
Em casos raros, o distúrbio de Dumping pode ocorrer sem histórico cirúrgico ou outras causas óbvias.
Fatores de risco
As cirurgias ao estômago podem aumentar o risco de síndrome de Dumping.
Estes procedimentos cirúrgicos são mais comummente realizados para tratar a obesidade, mas também fazem parte do tratamento para cancro do estômago, cancro do esófago e outras condições semelhantes. Essas cirurgias incluem:
Cirurgia bariátrica, especialmente cirurgia de bypass gástrico ou gastrectomia vertical (sleeve gástrico), realizada para tratar obesidade mórbida;
Fundoplicatura, um procedimento usado para tratar a doença do refluxo gástrico e hérnia do hiato;
Esofagectomia, na qual é removido todo ou parte do tubo entre a boca e o estômago;
Gastrectomia, na qual é removido parte ou todo o estômago;
Vagotomia, para tratar úlceras gástricas.
Dumping precoce e tardio
A síndrome de Dumping pode ser do tipo precoce ou tardia, com sintomas ligeiramente diferentes.
Sintomas do Dumping precoce
Os sintomas do Dumping precoce ocorrem de 10 a 30 minutos após uma refeição, especialmente após a ingestão de alimentos ricos em sacarose ou frutose.
As manifestações da síndrome podem incluir:
Vómito;
Náusea;
Inchaço;
Tontura ou desmaio;
Cólicas e dores abdominais;
Vontade de deitar após a refeição;
Palpitações cardíacas e batimentos cardíacos acelerados;
Sensação de saciedade após comer apenas uma pequena quantidade de comida.
Sintomas do Dumping tardio
Cerca de 1 em cada 4 pessoas apresentam sintomas de Dumping tardio, que ocorrem de 1 a 3 horas após uma refeição.
A síndrome de Dumping tardio está associada a hipoglicemia, mas o mecanismo exato ainda é desconhecido. Os especialistas sugerem que a rápida absorção de hidratos de carbono exagere a resposta à insulina, mediada pela glicose.
Os sinais e sintomas do Dumping tardio podem englobar:
Frequência cardíaca acelerada;
Tontura ou desmaio;
Agressividade;
Confusão;
Sudorese (transpiração);
Fraqueza;
Vertigem;
Fadiga;
Fome.
Algumas pessoas podem apresentar sinais e sintomas precoces e tardios. Além disso, a síndrome de Dumping pode manifestar-se anos após uma gastrectomia.
Complicações
Em circunstâncias normais, o Dumping não é perigoso nem ameaça a vida do paciente.
Um caso grave pode causar perda rápida de peso e deficiências nutricionais, assim como diarreia persistente e não controlada, que pode causar desidratação.
No entanto, geralmente, essas complicações podem ser geridas ou prevenidas com medidas de autocuidado.
Tratamento
É possível gerir a síndrome ao mudar os hábitos alimentares. Se, mesmo assim, os sintomas forem graves e não melhorarem, o médico pode prescrever medicamentos.
Já as intervenções cirúrgicas são reservadas para pacientes que não respondem às medidas conservadoras. Se a cirurgia for a causa original do distúrbio, uma nova intervenção pode reverter a condição.
Se a síndrome de Dumping afetar gravemente a qualidade de vida do paciente, o tratamento pode envolver uma cirurgia reconstrutiva.
Síndrome de Dumping: o que não comer e o que comer
Há alimentos que deve evitar para controlar melhor a síndrome de Dumping, principalmente após uma cirurgia gástrica:
Doces, como bolachas, guloseimas, cereais processados e sobremesas;
Laticínios, como leite, queijo e iogurtes;
Bebidas açucaradas e/ou ricas em calorias, como batidos e suplementos nutricionais líquidos;
Hidratos de carbono simples, como pão branco e batatas fritas.
Em alternativa, prefira alimentos com:
Proteínas, como ovos, carne e leguminosas;
Fibras solúveis, como ervilhas, laranjas e cenouras;
Gorduras, como abacates, peixes gordos e frutos secos;
Hidratos de carbono complexos, como aveia, arroz e cereais integrais sem açúcar.
Outros cuidados alimentares que ajudam a gerir os sintomas
Há outros cuidados que podem contribuir para prevenir ou gerir os sintomas da síndrome de Dumping, nomeadamente:
Ingerir doses pequenas e mastigar bem cada alimento;
Limitar a ingestão de líquidos a 120 mililitros durante as refeições para evitar a rápida passagem dos alimentos durante a digestão, permitindo a absorção dos nutrientes;
Fazer refeições leves com frequência ao longo do dia, para evitar sobrecarregar o estômago;
Evitar alimentos e líquidos muito quentes ou muito frios, uma vez que podem agravar os sintomas da síndrome;
Descansar 15 minutos após uma refeição, para desacelerar a passagem dos alimentos do estômago para o intestino delgado. Pode diminuir a sensação de desconforto após a ingestão de alimentos.
Estas mudanças na dieta podem ajudar. Contudo, as melhorias podem demorar várias semanas a ser notadas.