Ir para conteúdo principal

O que é o amianto e que perigos traz para a saúde pública

6 mins. leitura

Índice

  1. 1. O que é o amianto?
  2. 2. Perigos do amianto para a saúde pública
  3. 3. Como detectar o amianto e o que fazer
  4. 4. As três vias de exposição ao asbesto

H1. O que é o amianto e que perigos posa para a saúde pública

Os riscos associados à exposição ao amianto, também conhecido por asbesto, e o seu impacto na saúde pública e ambiental levaram à proibição total da sua utilização em Portugal, medida que entrou plenamente em vigor até 2020.

Estima-se que, ao longo das últimas décadas, tenham sido consumidas cerca de 115.000 toneladas de amianto, incorporadas em aproximadamente 4.000 tipos de materiais distintos.

Perante esta realidade, a legislação portuguesa passou a estabelecer regras rigorosas para a identificação, gestão, controlo e remoção de materiais que contenham amianto.

O que é o amianto?

O amianto é uma fibra mineral natural que, durante décadas, foi considerado um “mineral mágico” devido às suas propriedades físicas excecionais. Foi amplamente utilizado na construção civil e em diversos setores industriais, sobretudo pelas suas capacidades de isolamento.

Contudo, trata-se de uma substância perigosa, atualmente classificada como cancerígena. Quando os materiais que contêm amianto se degradam ou são manipulados sem as devidas precauções, podem libertar fibras microscópicas para o ar. A sua inalação está associada a doenças graves, como a amiantose, o mesotelioma e outras formas de cancro.

Perigos do amianto para a saúde pública

A exposição ao amianto aumenta o risco de desenvolver doenças pulmonares, sendo que a probabilidade de efeitos nocivos para a saúde tende a crescer com a duração e a intensidade da exposição.

Os sintomas podem demorar muitos anos a manifestar-se após o contacto com o mineral. Esta latência prolongada dificulta o diagnóstico e a identificação precoce.

O risco torna-se particularmente significativo quando as fibras microscópicas se libertam para o ar e são inaladas em concentrações elevadas. Uma vez depositadas nos pulmões, podem desencadear processos inflamatórios e alterações celulares que evoluem para patologias graves.

Enumeramos as doenças mais frequentemente associadas à exposição ao amianto.

Asbestose

A asbestose é uma doença pulmonar crónica, progressiva e de natureza não maligna, sendo uma das patologias mais frequentes entre pessoas com exposição prolongada ao amianto.

Resulta da inalação continuada de fibras de amianto, que se acumulam nos pulmões e provocam inflamação e fibrose (cicatrização do tecido pulmonar). Os seus efeitos não são imediatos: os sintomas podem surgir apenas 10 a 40 anos após a exposição inicial.

Os sinais e sintomas mais comuns incluem:

  • Falta de ar;

  • Aperto ou dor no peito;

  • Tosse seca e persistente;

  • Sons respiratórios anormais (crepitações) na auscultação;

  • Dedos das mãos e dos pés com aparência mais larga e arredondada.

Numa fase avançada, a função pulmonar pode ficar gravemente comprometida, tornando necessária a administração de oxigénio suplementar.

Mesotelioma

Entre 70% e 80% dos casos de mesotelioma, sobretudo na sua forma pleural, estão associados à exposição ao amianto. O risco de desenvolvimento deste tumor maligno aumenta com a intensidade e a duração da exposição, sendo o período médio de latência de cerca de 35 anos.

Numa fase inicial, a doença pode ser silenciosa. Com a progressão, surgem sintomas como dor torácica, dificuldade em respirar e deterioração gradual do estado de saúde geral.

O mesotelioma caracteriza-se por um crescimento local invasivo, podendo atingir estruturas adjacentes como o pulmão, o diafragma, o pericárdio, o coração, o mediastino e a parede torácica. A dor surge frequentemente quando estas estruturas são envolvidas.

Em mais de 90% dos casos, a dispneia (falta de ar) está relacionada com a invasão do tumor ou com a presença de derrame pleural, que pode ser volumoso e recorrente, contribuindo significativamente para o agravamento dos sintomas.

Cancro do pulmão

Embora o cancro mais frequentemente associado à exposição ao amianto seja o mesotelioma, estima-se que uma parte significativa dos casos de doença oncológica relacionados com o asbesto corresponda a cancro do pulmão.

Nos indivíduos fumadores expostos ao amianto, o risco de desenvolver cancro do pulmão é substancialmente mais elevado, devido a um efeito sinérgico entre o tabagismo e a inalação das fibras.

Importa ainda salientar que o pulmão não é o único órgão suscetível. Dado o potencial cancerígeno das fibras de amianto, a exposição está também associada a um aumento do risco de neoplasias noutros locais, nomeadamente ovários, a laringe e o tubo digestivo.

riscos do amianto

Como detectar o amianto e o que fazer

A identificação de amianto (asbesto) não é simples, uma vez que este material foi frequentemente misturado com outros componentes.

Embora seja muitas vezes associado às telhas de fibrocimento de edifícios antigos (incluindo escolas e armazéns) o amianto foi incorporado em milhares de materiais e equipamentos, nomeadamente:

  • Coberturas, depósitos e condutas em fibrocimento (material de baixo risco quando em bom estado, mas potencialmente perigoso se degradado);

  • Componentes navais, como condutas, tubagens e caldeiras;

  • Embraiagens e travões de automóveis;

  • Cordões e juntas para equipamentos sujeitos a altas temperaturas (indústria);

  • Telhas e revestimentos;

  • Têxteis e tecidos resistentes ao calor;

  • Pavimentos em alcatifa ou vinil;

  • Isolamento térmico de condutas;

  • Tetos falsos e divisórias;

  • Revestimentos decorativos, como papel de parede e cortinas técnicas.

O amianto é mais frequentemente encontrado em edifícios antigos, construídos antes da sua proibição. À medida que estes imóveis são reabilitados, os materiais contendo amianto devem ser identificados e removidos por entidades especializadas.

Profissões em maior risco de exposição ao mineral, como trabalhadores da construção civil e profissionais de aquecimento, ventilação e ar condicionado, devem parar o trabalho imediatamente se suspeitarem da presença de asbesto.

Recomendações

Tendo em conta os riscos do amianto para a saúde, é fundamental adotar medidas que minimizem a exposição, tanto em contexto ocupacional como ambiental.

Nos locais de trabalho, sempre que exista presença confirmada ou suspeita de materiais com amianto, essa situação deve ser devidamente identificada e sinalizada. Deve ainda ser realizada uma avaliação técnica por profissionais qualificados, incluindo a medição da concentração de fibras no ar, sempre que haja risco de libertação.

Após as análises laboratoriais que avaliam a eventual presença de fibras em suspensão, a remoção ou encapsulamento dos materiais deve ser efetuado exclusivamente por empresas autorizadas e devidamente certificadas, com equipamentos de proteção adequados e cumprimento rigoroso das normas de segurança.

Onde depositar os resíduos

A remoção de amianto deve ser sempre efetuada por profissionais devidamente autorizados e certificados, uma vez que o processo exige medidas rigorosas de confinamento e controlo da dispersão de fibras.

Assim, caso identifique ou suspeite da presença deste mineral, nunca deve tentar removê-lo por iniciativa própria.

Na prática, as empresas especializadas adotam procedimentos específicos de segurança, que incluem o isolamento da área de intervenção, o uso de equipamentos de proteção individual adequados e a aplicação de técnicas que minimizam a libertação de fibras para o ar.

como detetar amianto

As três vias de exposição ao asbesto

A exposição ao amianto pode ocorrer de diferentes formas no quotidiano, embora nem todas representem o mesmo grau de risco. As principais formas de contacto são:

  • Inalação;

  • Ingestão;

  • Contacto cutâneo.

Entre estas, a inalação é claramente a via mais perigosa para a saúde.

Quando inaladas, as fibras de amianto podem depositar-se nas vias respiratórias profundas e alcançar os pulmões. Algumas ficam retidas no muco e podem ser posteriormente deglutidas, entrando no trato digestivo. No entanto, muitas permanecem nos pulmões, onde podem desencadear inflamação crónica, fibrose e alterações celulares ao longo do tempo.

Certos tipos de amianto são considerados particularmente perigosos, nomeadamente a crocidolite (amianto azul) e a amosite (amianto castanho), devido às suas características físicas. As suas fibras são finas o suficiente para serem facilmente inaladas e suficientemente resistentes para permanecerem nos tecidos pulmonares.

Ainda assim, deve assumir-se que todas as formas de amianto são potencialmente perigosas, incluindo actinolite, antofilite, crisótilo e tremolite. Por esse motivo, qualquer exposição deve ser evitada, independentemente do tipo de fibra envolvida.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico.

Encontre aqui profissionais de saúde perto de si.

Contribua com sugestões de melhoria através do nosso formulário online.

Este artigo foi útil?

Obrigado pelo seu feedback.

Partilhe este artigo:

Obrigado pela sua preferência.

Irá receber no seu email as melhores dicas de Saúde e Bem-estar.
Pode em qualquer momento alterar ou retirar o(s) consentimento(s) prestado(s).

Receba as melhores dicas
de Saúde e Bem-estar

Precisamos do seu consentimento para envio de mais informação.

Encontre o melhor
Prestador Medicare perto de si

Código Postal inválido

Pesquise entre os mais de 17 500 Prestadores
da Rede de Saúde Medicare.

1 presente à escolha

ADESÃO ONLINE Presente à escolha

Aderir Online
Cartão Platinium Mais Vida
Quer aderir? Ligamos grátis! Esclareça as suas dúvidas com a nossa
equipa, sem compromisso.
Precisamos do seu consentimento para envio de mais informação.
Formulário enviado Obrigado pelo seu contacto. Será contactado em breve pela nossa equipa de especialistas.
Política de Privacidade