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Os riscos do fígado gordo e como tratar de forma saudável

Atualizado a 8 mins. leitura

Índice

  1. 1. O que é o fígado gordo?
  2. 2. Quais as causas e fatores de risco?
  3. 3. Que sintomas estão associados ao fígado gordo?
  4. 4. Que opções de tratamento existem?
  5. 5. Como prevenir o fígado gordo?

A esteatose hepática, mais conhecida como fígado gordo, resulta da acumulação excessiva de gordura neste órgão, responsável por funções essenciais como metabolizar nutrientes, regular o metabolismo da glicose e dos lípidos e processar fármacos.

Em Portugal, estima-se que mais de um milhão de pessoas sofram desta doença, muitas vezes ligada a estilos de vida pouco saudáveis, como a alimentação desequilibrada e o sedentarismo.

Embora possa não causar sintomas numa fase inicial, quando não tratada, pode evoluir para complicações graves, como inflamação, cirrose ou até cancro do fígado.

Neste artigo, explicamos causas, principais fatores de risco, sintomas, diagnóstico, tratamento e estratégias de prevenção.

O que é o fígado gordo?

Trata-se de uma condição na qual há acumulação excessiva de gordura no fígado. 

A gordura que ingerimos é metabolizada no fígado e noutros tecidos, mas, quando é consumida em excesso, acaba por se armazenar no tecido adiposo e também no fígado, que se torna incapaz de a transformar e eliminar.

Embora seja normal existir uma pequena quantidade de gordura neste órgão, o seu funcionamento fica comprometido quando mais de 5% dos hepatócitos (células do fígado) revelam acumulação de gordura, aumentando o risco de inflamação e fibrose.

A origem deste problema pode variar. Em muitos casos, está associada ao consumo excessivo de álcool, que favorece a acumulação de ácidos gordos no fígado, originando a esteatose hepática alcoólica.

No entanto, a esteatose também pode surgir em pessoas que não consomem bebidas alcoólicas. Nesses casos, estamos perante a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), frequentemente relacionada com obesidade, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

Esta forma pode evoluir para inflamação e para lesões irreversíveis, semelhantes às provocadas por outras doenças hepáticas graves, como a cirrose ou o cancro do fígado.

Atualmente, a NASH é considerada a doença hepática crónica mais frequente no mundo ocidental, afetando não só adultos, mas também jovens e crianças, devido ao aumento preocupante da obesidade infantil.

 

mulher obesa deitada no sofá

Quais as causas e fatores de risco?

O fígado gordo pode ter várias origens, mas está fortemente associado ao estilo de vida e às condições metabólicas. Entre as principais causas destacam-se:

  • Consumo excessivo de álcool, principal fator da esteatose hepática alcoólica, ao alterar o metabolismo das gorduras e favorecer a sua acumulação no fígado;

  • Excesso de peso e obesidade, sobretudo abdominal. A gordura visceral (em torno dos órgãos) é um dos principais fatores de risco;

  • Resistência à insulina e diabetes tipo 2, ao dificultarem o aproveitamento da glicose, levando o organismo a acumular gordura no fígado;

  • Colesterol e triglicerídeos elevados. Alterações no perfil lipídico aumentam a deposição de gordura hepática;

  • Alimentação desequilibrada. Dietas ricas em açúcares adicionados, gorduras saturadas e produtos ultraprocessados contribuem para a esteatose.

  • Sedentarismo. A falta de atividade física reduz a capacidade de metabolizar gorduras e açúcares.

  • Medicamentos. Alguns fármacos, como corticoides, quimioterápicos ou antivirais, podem favorecer a acumulação de gordura no fígado.

Além das causas diretas, existem fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver fígado gordo, nomeadamente:

  • Histórico familiar de doenças hepáticas ou predisposição genética;

  • Hipertensão arterial, muitas vezes associada à síndrome metabólica;

  • Idade superior a 40 anos, embora possa surgir em qualquer fase da vida, incluindo jovens e crianças, sobretudo devido ao aumento da obesidade infantil;

  • Consumo regular e excessivo de bebidas alcoólicas.

Causas menos comuns do fígado gordo

De forma geral, o risco de fígado gordo é maior em pessoas com síndrome metabólica, caracterizada pela associação de obesidade abdominal, resistência à insulina, dislipidemia (colesterol e triglicéridos elevados) e hipertensão arterial.

No entanto, existem outros fatores menos frequentes que também podem contribuir para o desenvolvimento da doença, nomeadamente:

  • Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Mulheres com SOP apresentam um risco mais elevado, devido à resistência à insulina e aos desequilíbrios hormonais associados à condição;

  • Apneia Obstrutiva do Sono. A interrupção repetida da respiração durante o sono está ligada à inflamação sistémica e pode agravar a acumulação de gordura no fígado;

  • Hipotiroidismo. O funcionamento reduzido da tiroide pode alterar o metabolismo das gorduras, favorecendo o depósito de gordura hepática;

  • Rápida perda de peso. Dietas muito restritivas ou cirurgias bariátricas podem provocar a libertação rápida de gordura do tecido adiposo, que depois é armazenada no fígado;

  • Exposição a toxinas. Certos produtos químicos e substâncias tóxicas podem danificar o fígado e contribuir para a acumulação de gordura.

Que sintomas estão associados ao fígado gordo?

Geralmente, não existem sintomas nas fases iniciais. A doença é frequentemente detetada em análises de rotina ou exames de imagem.

Quando os sintomas aparecem, podem incluir:

  • Cansaço persistente;

  • Dor ou desconforto abdominal no lado direito, onde se localiza o fígado;

  • Perda de apetite;

  • Náuseas;

  • Perda de peso inexplicável.

Se a doença evoluir para fases mais avançadas, como inflamação, fibrose ou cirrose, podem surgir sinais mais graves, como icterícia (pele e olhos amarelados), inchaço abdominal (ascite), hemorragias ou perda de massa muscular.

Como é diagnosticada a esteatose hepática?

Como o fígado gordo é, habitualmente, assintomático, muitas vezes, é detetado de forma incidental.

Um dos primeiros sinais que pode levantar suspeita é o aumento das enzimas hepáticas (ALT, AST, GGT) em análises ao sangue, sobretudo em pessoas com obesidade, diabetes ou dislipidemia.

O diagnóstico combina avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem:

  • Análises ao sangue: permitem avaliar enzimas hepáticas (ALT, AST, GGT), perfil lipídico, glicemia e HbA1c. Importa notar que estes valores podem estar normais mesmo na presença de gordura no fígado;

  • Ecografia abdominal: é o exame de imagem mais utilizado, podendo revelar um fígado com aspeto “brilhante” e/ou aumentado de volume (hepatomegalia);

  • Elastografia (FibroScan) e CAP: medem a rigidez do fígado e a quantidade de gordura acumulada, ajudando a avaliar a presença de fibrose ou cirrose;

  • Ressonância magnética ou tomografia computorizada (TAC): são reservadas para situações que exigem uma caracterização mais detalhada;

  • Biópsia hepática: considerada o exame mais preciso, é utilizada em casos selecionados para confirmar o diagnóstico, distinguir entre esteatose simples e esteato-hepatite e verificar o grau de fibrose.

Quais as complicações do fígado gordo?

Sem tratamento, a esteatose hepática pode evoluir para doenças graves:

  • Esteato-hepatite: quando, além da gordura, existe inflamação e lesão das células hepáticas;

  • Fibrose hepática: cicatrização progressiva do tecido do fígado com risco de insuficiência hepática;

  • Cirrose hepática: fase avançada da fibrose, na qual o fígado perde grande parte da sua função;

  • Carcinoma hepatocelular (tipo de cancro do fígado): mesmo na ausência de cirrose em alguns casos;

  • Risco cardiovascular acrescido, pela ligação à síndrome metabólica.

As pessoas com fígado gordo podem evoluir para esteato-hepatite e uma parte destas pode chegar a ter cirrose ou cancro. Reconhecer precocemente a progressão é crucial para prevenir desfechos graves.

mulher a andar de bicicleta

Que opções de tratamento existem?

Não há um tratamento específico para o problema do fígado gordo, sendo que as recomendações para reverter este diagnóstico passam sobretudo por alterações no estilo de vida e controlo das comorbilidades.

As principais medidas incluem:

  • Perder entre 5% e 10% do peso corporal já ajuda a reduzir a gordura no fígado e a inflamação;

  • Ter uma alimentação equilibrada, rica em fibras e pobre em gorduras saturadas. Adotar, por exemplo, a dieta mediterrânica;

  • Praticar atividade física regular, pelo menos 150 minutos semanais de exercício moderado, como caminhar, nadar ou andar de bicicleta;

  • Controlar doenças associadas, como diabetes, colesterol e hipertensão, com medicação e acompanhamento médico;

  • Evitar automedicação. Alguns suplementos e fármacos podem agravar a saúde do fígado.

Em casos mais graves, o tratamento pode incluir medicamentos em estudo ou até transplante hepático, no caso de cirrose avançada.

Como prevenir o fígado gordo?

Para tentar prevenir, deve adotar as mesmas medidas recomendadas para quem já tem esteatose hepática e pretende corrigir esse problema:

  • Manter um peso saudável e vigiar o perímetro abdominal;

  • Fazer exercício físico todos os dias;

  • Ter uma alimentação variada e equilibrada e apostar em fruta, legumes, leguminosas, cereais integrais e proteínas magras;

  • Evitar o consumo excessivo de álcool;

  • Não fumar;

  • Realizar análises periódicas e consultas de rotina;

  • Monitorizar fatores de risco, como glicemia, colesterol e tensão arterial.

Perguntas frequentes sobre o fígado gordo

Muitas dúvidas surgem no dia a dia e estas respostas rápidas podem ajudar a esclarecer. Ainda assim, se suspeita que possa ter esteatose hepática, é fundamental falar com o seu médico assistente.

De que lado fica o fígado?

O fígado localiza-se no quadrante superior direito do abdómen, protegido pelas costelas.

Quais são os piores alimentos para o fígado?

Ultraprocessados, fritos, bebidas açucaradas e alimentos ricos em açúcares adicionados e gorduras saturadas.

Prefira alimentos frescos e cozinhados de forma simples.

Qual é o melhor chá para gordura no fígado?

Não existe um “chá milagroso”. Algumas infusões, como o chá-verde, contêm compostos com potencial benefício metabólico, mas não substituem uma dieta equilibrada nem o exercício físico.

Quem tem fígado gordo pode beber café?

Sim. Estudos sugerem que o consumo moderado de café está associado a efeitos protetores no fígado, mas deve ser avaliado caso a caso pelo médico, sobretudo em pessoas com outras condições.

Que medicamentos fazem mal ao fígado?

Vários fármacos podem afetar o fígado quando usados inadequadamente, por exemplo, paracetamol em doses elevadas e alguns fitoterápicos.

Nunca se automedique e siga sempre orientação médica.

Que frutos fazem bem ao fígado?

Frutos ricos em fibras e antioxidantes, como maçã, citrinos, frutos vermelhos e uva, integram padrões alimentares protetores.

Que exame deteta a gordura no fígado?

A ecografia abdominal é o exame mais usado. Em casos específicos, podem ser recomendadas elastografia ou ressonância magnética.

A biópsia é reservada para situações em que é necessário confirmar ou avaliar a gravidade.

Viver com esteatose hepática

Ter fígado gordo implica adotar um estilo de vida equilibrado e estar atento à saúde hepática.

Com alimentação saudável, exercício físico e acompanhamento médico regular, é possível controlar e até reverter a doença.

O diagnóstico precoce é essencial, já que, muitas vezes, não há sintomas até surgirem complicações.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico.

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