Ir para conteúdo principal

Ansiedade, depressão e burnout: quais as diferenças e quando pedir ajuda

6 mins. leitura

Índice

  1. 1. O que é a ansiedade?
  2. 2. O que é a depressão?
  3. 3. O que é o burnout?
  4. 4. O que estas condições têm em comum: sintomas partilhados
  5. 5. Como lidar com a ansiedade, a depressão e o burnout

Ansiedade, depressão e burnout: quais as diferenças e quando pedir ajuda

Ansiedade, depressão e burnout são três condições de saúde mental cada vez mais comuns, afetando pessoas de todas as idades e contextos. Embora possam partilhar sintomas semelhantes, têm causas, evoluções e abordagens diferentes. Confundi-las pode atrasar o tratamento adequado.

Neste artigo, explicamos no que consiste cada uma destas condições e os respetivos sintomas, quais as principais diferenças, como se relacionam entre si e quando deve procurar apoio profissional.

O que é a ansiedade?

A ansiedade é uma resposta natural do organismo perante ameaça, incerteza ou pressão.

Em doses moderadas, pode ajudar-nos a reagir e a resolver problemas. No entanto, quando a ansiedade é excessiva, persistente e interfere com a vida diária, pode estar associada a perturbações de ansiedade.

Ansiedade: sintomas mais comuns

Os sintomas da ansiedade podem ser psicológicos e físicos, por exemplo:

  • Preocupação constante e difícil de controlar;

  • Nervosismo, tensão, sensação de estar “em alerta”;

  • Irritabilidade e impaciência;

  • Dificuldade em concentrar-se;

  • Alterações do sono;

  • Queixas físicas, como desconforto gastrointestinal, tensão muscular, dores de cabeça.

Crise de ansiedade

Uma crise de ansiedade pode manifestar-se por um medo intenso, acompanhado de sintomas físicos como palpitações, tremores, aperto no peito, falta de ar, tonturas e sensação de perda de controlo.

É uma experiência muito angustiante e pode ser percecionada como algo grave. Por isso, é importante procurar avaliação clínica, sobretudo se for a primeira ocorrência, se existir dor no peito intensa ou fatores de risco.

mulher deprimida

O que é a depressão?

A depressão (ou perturbação depressiva) é uma condição de saúde mental que vai muito para além de “tristeza”. Envolve alterações persistentes do humor e/ou perda de interesse/prazer, com impacto no funcionamento diário.

Sintomas de depressão

Os sintomas de depressão variam, mas, frequentemente, incluem:

  • Tristeza persistente, vazio ou irritabilidade;

  • Perda de interesse/energia;

  • Alterações do sono (insónias ou dormir em excesso);

  • Alterações do apetite/peso;

  • Fadiga e lentificação;

  • Dificuldades de concentração e decisão;

  • Sentimentos de culpa, inutilidade ou desesperança;

  • Dores e outros sintomas físicos sem melhoria com tratamentos habituais;

  • Pensamentos de autoagressão ou suicídio (sinal de alerta).

A depressão “tem fases”?

Não existe um modelo clínico universal de “fases” obrigatórias da depressão. O que se descreve, de forma mais rigorosa, é o curso. Por exemplo, início gradual, agravamento, persistência, remissão com tratamento e possível recorrência em alguns casos, variando muito de pessoa para pessoa.

O que é o burnout?

O burnout é um fenómeno ocupacional associado a stress crónico no trabalho que não foi gerido com sucesso.

A Organização Mundial da Saúde, na CID-11 (Classificação Internacional de Doenças), descreve-o em três dimensões:

  • Exaustão/energia esgotada;

  • Distanciamento mental do trabalho;

  • Redução da eficácia profissional.

Burnout: sintomas emocionais e sintomas físicos

Os sintomas mais frequentes do burnout são:

  • Cansaço persistente e sensação de esgotamento;

  • Irritabilidade, negativismo e desmotivação;

  • Distanciamento/isolamento;

  • Queda do desempenho e dificuldade de concentração.

Além disso, são comuns sintomas físicos, como alterações do sono, dores de cabeça e musculares, alterações do apetite e maior vulnerabilidade a queixas físicas associadas ao stress.

Fases do burnout

Fala-se muitas vezes em fases do burnout, mas não há um “guia universal” que se aplique a todas as pessoas como se fosse uma regra.

Ainda assim, é frequente observar um padrão progressivo: envolvimento elevado - stress contínuo - cansaço e queda de motivação - distanciamento/cinismo - exaustão.

O essencial é perceber a tendência: se o stress laboral se mantém, o corpo e a mente não recuperam.

Consequências do burnout

As consequências podem afetar a saúde, as relações e a qualidade do trabalho, nomeadamente, maior risco de erros, absentismo, conflito e redução do bem-estar.

Há também impacto nas equipas e no ambiente laboral, pois este não é somente “um problema individual”.

O que estas condições têm em comum: sintomas partilhados

É normal haver sobreposição, por isso a confusão é tão comum. Ansiedade, depressão e burnout podem partilhar:

  • Fadiga e alterações do sono;

  • Irritabilidade;

  • Dificuldade de concentração e memória;

  • Sintomas físicos (dores, queixas gastrointestinais);

  • Sensação de incapacidade para “dar conta” de tudo.

Além disso, o stress crónico aumenta o risco de problemas de saúde e pode estar relacionado com sintomas ansiosos e depressivos.

homem no escritório a sentir-se esgotado

Principais diferenças entre ansiedade, depressão e burnout

A distinção mais útil, na prática, costuma ser:

  • Ansiedade: preocupação/medo e hiperalerta, muitas vezes centrados no futuro;

  • Depressão: humor deprimido, desesperança e perda de interesse/prazer, com impacto global e persistente;

  • Burnout: esgotamento ligado sobretudo ao contexto laboral, com cinismo/distanciamento do trabalho e perda de eficácia.

Ansiedade vs Depressão vs Burnout

Aspeto

Ansiedade

Depressão

Burnout

 

Emoção dominante

Medo, preocupação, tensão

Tristeza/vazio, desesperança, apatia

Exaustão, cinismo/distanciamento

 

Foco típico

Futuro e antecipação (“e se…”)

Global (vida em geral)

Trabalho/ambiente laboral

 

Energia

Agitação ou fadiga ansiosa

Baixa energia, lentificação

Esgotamento (“sem reservas” de energia)

 

Sono

Dificuldade em adormecer/manter

Insónia ou hipersónia

Insónia e sono não reparador

 

Prazer

Pode manter prazer fora dos gatilhos

Perda marcada de interesse

Pode haver alívio fora do trabalho (nem sempre)

 

Melhora com férias/pausa

Às vezes melhora, se reduzir gatilhos

Pode persistir mesmo com pausa

Muitas vezes melhora, mas, sem mudanças estruturais, pode reaparecer

 

 

Quando pedir ajuda

Se persistente ou com crises frequentes

Se ≥2 semanas e impacto funcional

 

Se esgotamento e impacto laboral/pessoal, ou suspeita de depressão associada

A ansiedade, depressão e burnout podem coexistir, sendo, por isso, importante a avaliação clínica.

mulher em sessão de psicoterapia

Como lidar com a ansiedade, a depressão e o burnout

Passamos a indicar estratégias que não substituem diagnóstico nem tratamento, mas são úteis como base de autocuidado.

Gestão do stress e recuperação

O stress crónico afeta múltiplos sistemas do organismo e está associado a um maior risco de problemas como ansiedade e depressão. Por isso, gerir o stress não é um “luxo”; é uma questão de saúde.

Boas práticas:

  • Sono regular e higiene do sono;

  • Pausas reais (sem ecrãs/trabalho);

  • Exercício físico adaptado;

  • Técnicas de relaxamento/respiração e mindfulness.

Estratégias para a ansiedade e crises de ansiedade

Algumas medidas que podem ajudar:

  • Reduzir cafeína e estimulantes;

  • Criar “planos de crise”, ou seja, o que fazer quando a ansiedade sobe (respiração lenta, grounding, pedir apoio);

  • Psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, é frequentemente recomendada para perturbações de ansiedade.

Estratégias para a depressão

O que pode fazer:

  • Manter rotinas simples (alimentação/sono/banho/saídas curtas);

  • Pedir apoio a alguém de confiança (o isolamento tende a piorar sintomas);

  • Procurar psicoterapia e, em alguns casos, medicação (avaliada por médico);

  • Evitar decisões importantes em fases de maior gravidade.

Estratégias específicas para o burnout

Experimente:

  • Estabelecer limites (horários, pausas e carga de trabalho);

  • Falar com chefia/recursos humanos quando aplicável;

  • Rever prioridades e expetativas;

  • Procurar apoio psicológico, especialmente se houver sintomas depressivos.

Quando pedir ajuda

Procure ajuda do seu médico assistente, psicólogo ou psiquiatra se:

  • Sintomas persistem >2 semanas com impacto na vida diária;

  • Há crises de ansiedade frequentes ou incapacitantes;

  • Existe incapacidade de trabalhar/estudar/cuidar de si;

  • Surge consumo aumentado de álcool ou outras substâncias como “estratégia”;

  • Aparecem pensamentos de autoagressão/suicídio (urgente).

Se houver risco de vida ou perigo imediato, deve procurar ajuda urgente através do 112.

Reconhecer os sinais é o primeiro passo

A ansiedade, a depressão e o burnout podem parecer iguais à primeira vista, mas não são.

Enquanto a ansiedade se caracteriza por preocupação intensa e um estado de hiperalerta, a depressão manifesta-se por humor deprimido e perda persistente de interesse, e o burnout por esgotamento associado ao trabalho e diminuição da produtividade.

A boa notícia é que existem caminhos de apoio e tratamento eficazes. Se se revê nestes sintomas, dê o primeiro passo e fale com um profissional de saúde sobre a sua saúde mental.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico.

Encontre aqui profissionais de saúde perto de si.

Contribua com sugestões de melhoria através do nosso formulário online.

Este artigo foi útil?

Obrigado pelo seu feedback.

Partilhe este artigo:

Obrigado pela sua preferência.

Irá receber no seu email as melhores dicas de Saúde e Bem-estar.
Pode em qualquer momento alterar ou retirar o(s) consentimento(s) prestado(s).

Receba as melhores dicas
de Saúde e Bem-estar

Precisamos do seu consentimento para envio de mais informação.

Encontre o melhor
Prestador Medicare perto de si

Código Postal inválido

Pesquise entre os mais de 17 500 Prestadores
da Rede de Saúde Medicare.

1 presente à escolha

ADESÃO ONLINE Presente à escolha

Aderir Online
Cartão Platinium Mais Vida
Quer aderir? Ligamos grátis! Esclareça as suas dúvidas com a nossa
equipa, sem compromisso.
Precisamos do seu consentimento para envio de mais informação.
Formulário enviado Obrigado pelo seu contacto. Será contactado em breve pela nossa equipa de especialistas.
Política de Privacidade