Esgotamento nervoso: será o mesmo que um burnout?
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Esgotamento nervoso: será o mesmo que um burnout?
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o termo “esgotamento nervoso” não é um diagnóstico médico ou uma perturbação mental específica, embora afete a capacidade de a pessoa satisfazer as suas necessidades e realizar as suas tarefas diárias.
Uma crise de esgotamento nervoso ocorre quando alguém enfrenta stress físico e emocional intenso e sente dificuldade em lidar com o dia a dia, perdendo a capacidade de funcionar normalmente.
Ou seja, trata-se de um esgotamento caracterizado pela sensação de estar física e emocionalmente sobrecarregado pelo stress causado por episódios específicos da vida.
Os primeiros sinais de um esgotamento nervoso
Os sinais de esgotamento variam entre pessoas e contextos culturais. Geralmente, um esgotamento emocional significa que a pessoa não consegue funcionar normalmente dentro daquilo que é a sua rotina.
Por isso, uma pessoa com um esgotamento nervoso pode apresentar sintomas físicos, psicológicos ou comportamentais.
Sintomas
Um esgotamento nervoso pode originar diversos sintomas físicos e emocionais. Um dos sinais mais comuns é o isolamento social, que se manifesta de variadas formas:
- Evitar eventos e compromissos sociais;
- Não querer sair de casa ou estar com outras pessoas;
- Perda de interesse em atividades ou tarefas que outrora eram satisfatórias;
- Faltar ao trabalho por um ou mais dias, ou ligar para dizer que está doente (quando não é o motivo pelo qual está a faltar);
- Adotar hábitos pouco saudáveis, como má alimentação, sono insuficiente, higiene precária e falta de exercício físico.
Além disso, algumas pessoas podem apresentar alterações no humor como resultado de stress prolongado. Em caso de esgotamento emocional, os sintomas podem incluir:
- Tonturas;
- Tremores;
- Inquietação;
- Irritabilidade;
- Mãos húmidas;
- Dor de estômago;
- Tensão muscular;
- Tristeza persistente;
- Infeções frequentes;
- Sentimentos de culpa;
- Dormir muito ou pouco;
- Baixa energia ou fadiga;
- Exaustão física e emocional;
- Dificuldades de concentração;
- Batimentos cardíacos irregulares;
- Dores generalizadas e inexplicáveis;
- Perda de interesse nas relações sexuais;
- Pensamentos de suicídio ou automutilação.
Em casos mais graves, pode ocorrer psicose, caracterizada por alucinações, paranoia, delírios e falta de perceção. A psicose, bem como ideação suicida, automutilação, incapacidade de autocuidado, colapso físico, dor torácica/dispneia e confusão aguda, são situações de urgência médica.
Embora os sintomas de esgotamento não sejam iguais para todas as pessoas, algumas podem sentir perda de apetite em resposta ao stress, enquanto outras podem comer mais do que o habitual como resposta às situações que as preocupam.
Fatores de risco
O stress intenso, que pode levar aos sintomas de esgotamento nervoso, pode ter vários gatilhos, incluindo influências externas.
Qualquer situação que cause mais stress do que o corpo pode suportar pode levar ao esgotamento ou desencadear sintomas de uma condição de saúde mental subjacente.
Estas fontes de stress intenso podem incluir:
- Mudanças drásticas, como uma mudança de casa não planeada;
- Problemas financeiros graves;
- Eventos e experiências traumáticas, como morte de familiar, exposição à violência, relações abusivas ou divórcio;
- Lesão ou doença que dificulte as tarefas do dia a dia;
- Stress persistente no trabalho ou na escola;
- Condições médicas crónicas;
- Péssima qualidade de sono;
- Discriminação.
Esgotamento nervoso: como tratar e gerir
Um esgotamento nervoso pode ter consequências, especialmente se colocar em causa a vida das pessoas que rodeiam o doente ou até a sua própria vida.
O tratamento adequado para um esgotamento depende, principalmente, da causa e do indivíduo. Alguns tratamentos comuns podem incluir:
- Psicoterapia: ajuda a ultrapassar o esgotamento nervoso e a reduzir o risco de ter outro, criando soluções que aliviem o stress e a ansiedade;
- Medicamentos: em alguns casos, o médico pode recomendar antidepressivos ou ansiolíticos para aliviar os sintomas, bem como medicação para evitar interrupções do sono, que pioram o stress e a ansiedade e, como consequência, as insónias;
- Mudanças no estilo de vida: evitar bebidas estimulantes, fazer pausas, praticar exercício e dormir, pelo menos, sete horas por dia.
Como evitar um esgotamento nervoso
As melhores estratégias para lidar com um esgotamento envolvem mudanças no estilo de vida, embora estas nem sempre possam prevenir totalmente episódios de stress intenso, ansiedade ou depressão.
No entanto, podem reduzir a intensidade e a frequência dos episódios que originam o esgotamento nervoso. Pode experimentar:
- Estabelecer prioridades;
- Praticar técnicas de relaxamento, como respiração profunda, meditação ou ioga;
- Adotar hábitos saudáveis, como uma boa higiene do sono, seguir uma alimentação equilibrada, evitar substâncias ilícitas, álcool e excesso de cafeína, bem como praticar exercício físico durante 30 minutos, pelo menos 5 dias por semana;
- Consultar um profissional de saúde mental, de modo a aprender maneiras de gerir o stress, a ansiedade ou a depressão.
Diferença entre esgotamento nervoso e burnout
Os termos podem ser facilmente confundidos, mas o burnout é uma resposta emocional ao stress crónico associado ao contexto laboral.
Enquanto o esgotamento pode ser causado por várias situações presentes na vida da pessoa, a síndrome de burnout caracteriza-se pela exaustão emocional devido ao local de trabalho, ao desenvolvimento de insensibilidade emocional no mesmo e à baixa realização profissional.
O burnout pode assemelhar-se à depressão, embora possa ser aliviado com descanso ou afastamento do contexto profissional.
A depressão é uma doença de saúde mental que afeta todos os aspetos da vida. Ignorar o burnout pode aumentar o risco de desenvolver esta condição.