Variabilidade de frequência cardíaca: um bom indicador de saúde?
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Índice
A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) corresponde às oscilações no intervalo de tempo entre batimentos cardíacos consecutivos, variações impercetíveis sem recurso a dispositivos específicos.
A frequência cardíaca adapta-se continuamente às necessidades do organismo e ao padrão respiratório. Em repouso tende a ser mais baixa, enquanto acelera quando o corpo está ativo, sob stress ou perante uma situação de perigo.
Embora a VFC seja um fenómeno normal em indivíduos saudáveis, valores alterados podem sinalizar determinadas condições clínicas, incluindo problemas cardíacos, ansiedade, depressão ou outros desequilíbrios do sistema nervoso.
Fatores que influenciam a variabilidade de frequência cardíaca
Esteja em repouso ou em atividade, a análise da VFC é relevante, até porque os valores variam naturalmente com a idade.
Os fatores que influenciam a VFC incluem não só o estilo de vida, mas também aspetos fisiológicos e diversas condições médicas, como descrevemos de seguida.
Fatores externos
Vários fatores externos e associados ao estilo de vida podem alterar a VFC:
Peso corporal ou massa gorda elevada;
Ingerir álcool em excesso;
Exposição a toxinas ambientais, como metais;
Exposição ao ruído;
Ambientes quentes;
Trabalho noturno;
Dor.
Fatores fisiológicos
Os fatores fisiológicos que influenciam a variabilidade da frequência cardíaca incluem a idade, o género e o ritmo circadiano.
A VFC tende a diminuir com o avançar da idade, pelo que os valores ajustados à faixa etária são essenciais na avaliação do risco. De forma geral, as mulheres apresentam uma variabilidade ligeiramente inferior à dos homens.
Além disso, a VFC costuma ser mais elevada durante o sono e reduz-se naturalmente depois de acordar, acompanhando as oscilações do ritmo biológico ao longo do dia.
Condições médicas
Existe uma relação significativa entre o sistema nervoso autónomo e a mortalidade cardiovascular, incluindo a morte súbita cardíaca. Este sistema é constituído pelos ramos simpático e parassimpático, ambos com influência direta sobre o funcionamento do coração.
O sistema nervoso simpático é responsável pela resposta de “luta ou fuga”, libertando adrenalina para permitir uma reação mais rápida. Quando os músculos necessitam de mais oxigénio ou sangue - por exemplo, durante a atividade física - a frequência cardíaca aumenta.
Após cessar o estímulo que desencadeia esta resposta, o sistema nervoso parassimpático atua, promovendo a diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial, restabelecendo o estado de equilíbrio.
Deste modo, a VFC tende a ser inferior em pessoas com determinadas condições clínicas, nomeadamente:
Doenças metabólicas, como diabetes;
Doenças pulmonares, como asma e doença pulmonar obstrutiva crónica;
Doenças cardíacas, como arritmia, hipertensão, insuficiência cardíaca e após um ataque cardíaco;
Doenças renais, como insuficiência renal crónica.
A importância da análise da VFC
Uma frequência cardíaca com elevada variabilidade indica que o organismo consegue adaptar-se eficazmente a diferentes exigências e estímulos. De forma geral, quem tem VFC mais alta tende a apresentar melhor aptidão cardiovascular e maior resiliência ao stress.
Pelo contrário, uma variabilidade reduzida é frequentemente interpretada como um possível sinal de problemas de saúde atuais ou de maior risco futuro. Sugere menor capacidade do corpo para responder a mudanças e recuperar do esforço ou de situações de stress.
Como medir a frequência cardíaca e a VFC
Atualmente, existe uma ampla variedade de tecnologias que permitem monitorizar a frequência cardíaca, desde cintas com sensores cardíacos até dispositivos de pulso. Contudo, as oscilações entre batimentos são extremamente subtis, sendo necessário recorrer a equipamentos especializados para medir a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) com precisão.
O eletrocardiograma (ECG) é o método de referência para detetar a VFC, uma vez que regista de forma rigorosa a atividade elétrica do coração. Para uma monitorização prolongada, o ECG Holter de 24 horas pode ser recomendado, permitindo uma análise mais completa das variações ao longo do dia.
Entre o monitor cardíaco e o cardiofrequencímetro, este último equipamento tem apresentado bons resultados tanto na condição de repouso como na prática de exercício físico.
Valores de referência
A variabilidade da frequência cardíaca pode ser difícil de interpretar, uma vez que os valores de referência variam com a idade.
Em média, adultos saudáveis apresentam 42 milissegundos de variabilidade, podendo esta oscilar entre 19 e 75 milissegundos, sendo que atletas e outras pessoas em boa forma física podem apresentar uma variabilidade cardíaca muito maior.
Uma variabilidade reduzida, quando os valores da frequência cardíaca se mantêm dentro do intervalo considerado normal, geralmente não constitui uma emergência médica. No entanto, pode justificar a realização de um check-up, pois pode indicar potenciais riscos ou a presença inicial de alguns problemas de saúde.
Como melhorar
Existem várias formas de melhorar a variabilidade de frequência cardíaca, tais como:
Melhorar a condição física: exercícios regulares e uma dieta saudável melhoram a saúde em geral, especialmente a do coração, o que pode ajudar a melhorar a sua variabilidade;
Cuidar da saúde mental: reduzir e gerir os níveis de stress pode melhorar a VFC;
Biofeedback: esta terapia ajuda a gerir o stress e a ansiedade através do controle respiratório, o que pode beneficiar a variabilidade cardíaca.
Quando procurar avaliação
Deve considerar procurar avaliação por um profissional de saúde quando observar quedas consistentes da variabilidade da frequência cardíaca, nomeadamente:
Redução de 20–30% dos seus valores habituais, mantida durante 3-4 dias ou mais;
Alterações na qualidade do sono;
Sintomas de doença;
Aumento da frequência cardíaca de repouso;
Sensação persistente de fadiga;
Outros sinais de desconforto.