Será que os comprimidos para emagrecer funcionam? O que diz a ciência
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H1. Será que os comprimidos para emagrecer funcionam? O que diz a ciência
O aumento da procura por comprimidos para emagrecer mostra que perder peso nem sempre é simples. Embora possam representar uma opção terapêutica em determinados casos, sobretudo quando existem problemas de saúde associados ao excesso de peso, estes medicamentos não são uma solução rápida nem milagrosa.
Para avaliar a sua eficácia, bem como os potenciais benefícios e riscos, é fundamental ter em conta que não estão indicados para todas as pessoas. Tal como qualquer fármaco, podem apresentar contraindicações e efeitos secundários relevantes, pelo que a sua utilização deve ser devidamente ponderada e acompanhada por um profissional de saúde.
Com base na evidência científica disponível, analisamos um tema que desperta cada vez mais interesse, sobretudo entre quem procura perder peso após várias tentativas sem sucesso.
Quem pode tomar comprimidos para emagrecer?
Os comprimidos para acelerar o metabolismo e promover a perda de peso podem ser indicados para pessoas com problemas de saúde associados ao excesso de peso ou à obesidade, nomeadamente:
Colesterol alto;
Dor nas articulações;
Doenças cardiovasculares;
Esteatose hepática (fígado gordo);
Impedimento para cirurgia devido ao peso.
Para além da presença de doenças associadas, os profissionais de saúde baseiam-se também no índice de massa corporal (IMC) para avaliar a necessidade de recorrer a medicação para emagrecer.
De forma geral, estes fármacos podem ser considerados quando o IMC é superior a 27 e existe pelo menos uma doença relacionada com o excesso de peso, ou quando o IMC é igual ou superior a 30, mesmo na ausência de outras patologias.
De seguida, explicamos se este tipo de medicação é eficaz, como atua no organismo e quais os comprimidos atualmente disponíveis.
Os comprimidos para emagrecer são eficazes?
A combinação de medicamentos para emagrecer com mudanças sustentadas no estilo de vida pode potenciar uma perda de peso mais significativa.
Em termos gerais, a toma destes fármacos durante um ano pode traduzir-se numa redução adicional de 3% a 12% do peso corporal total, quando comparada apenas com alterações na alimentação e na prática de exercício físico. Esta perda pode trazer benefícios relevantes para a saúde, contribuindo para a diminuição da pressão arterial, dos níveis de glicose no sangue e dos triglicéridos.
Uma revisão científica publicada em 2024 concluiu que estes medicamentos podem constituir uma ferramenta eficaz também em pessoas mais velhas, um grupo frequentemente menos representado nos ensaios clínicos.
A título de exemplo, a semaglutida, o princípio ativo de medicamentos como Wegovy, Ozempic e Rybelsus, foi avaliada num estudo divulgado em 2024, que incluiu mais de 17 mil adultos, com idade média de 61,6 anos. Os participantes tratados com semaglutida continuaram a perder peso ao longo de 65 semanas, mantendo essa redução até quatro anos.
Ao fim de 104 semanas, 67,8% dos participantes tinham perdido cerca de 5% do peso corporal e 44,2% alcançaram uma redução de pelo menos 10% durante o tratamento.
Assim, a medicação para a perda de peso pode ser eficaz, embora os resultados variem de pessoa para pessoa. Quando associada a uma alimentação equilibrada e à prática regular de atividade física, pode acelerar a obtenção de resultados.
Importa ainda referir que estes fármacos atuam por diferentes mecanismos: podem diminuir o apetite, combater os desejos por comida, aumentar a sensação de saciedade ou interferir na absorção de gordura.
A medicação beneficia especialmente pessoas com obesidade?
Os resultados do tratamento variam consoante o medicamento utilizado. Ainda assim, uma perda de 5% a 10% do peso inicial já pode traduzir-se em ganhos clínicos relevantes para pessoas com obesidade, nomeadamente através da redução dos níveis de glicose no sangue, da pressão arterial e dos triglicéridos.
Para além destes benefícios metabólicos, a diminuição do peso pode contribuir para aliviar outros problemas associados ao excesso de peso e à obesidade, como limitações na mobilidade, dores articulares e apneia do sono, melhorando a qualidade de vida e a funcionalidade no dia a dia.
Se interromper a toma do medicamento, recupera o peso?
Os efeitos a longo prazo destes medicamentos continuam a ser avaliados pela comunidade científica, uma vez que muitos dos fármacos atualmente utilizados para a perda de peso são relativamente recentes.
Ainda assim, existe o risco de recuperar o peso perdido após a interrupção do tratamento, sobretudo se não forem mantidas alterações consistentes no estilo de vida. Sem mudanças duradouras na alimentação e na prática de atividade física, o organismo tende a regressar ao peso anterior.
Importa também considerar outros potenciais riscos associados a estes medicamentos, tais como:
Alterações na absorção de nutrientes, incluindo possível deficiência de vitaminas A, D, E e K no caso de fármacos que reduzem a absorção de gordura;
Interações com outros medicamentos;
Incerteza quanto à segurança a longo prazo, ainda em estudo.
O Ozempic é o melhor medicamento para emagrecer?
Existem diferentes tipos de medicamentos para emagrecer, e a sua prescrição deve ser individualizada, tendo em conta a avaliação clínica e o historial de cada pessoa.
É frequente a perceção de que o Ozempic é um fármaco especificamente indicado para a perda de peso. No entanto, trata-se de um medicamento aprovado para o tratamento da diabetes tipo 2, tal como o Mounjaro. Apesar disso, pode ser prescrito em determinados casos no contexto do controlo do peso.
O princípio ativo do Ozempic é a semaglutida, um análogo da hormona GLP-1. Esta substância estimula a secreção de insulina, ajuda a regular os níveis de glicose no sangue, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade.
Por sua vez, o Wegovy, que contém igualmente semaglutida, foi desenvolvido especificamente para o tratamento da obesidade e do excesso de peso. É administrado por injeção semanal e está indicado para o controlo do peso a longo prazo.
Importa ainda esclarecer que nem toda a medicação para emagrecer é administrada por via oral. Existem também opções injetáveis utilizadas no tratamento prolongado da obesidade.
De um modo geral, os agonistas do GLP-1 estão entre os fármacos mais eficazes na promoção da perda de peso. Ainda assim, a escolha do medicamento depende sempre do perfil clínico do doente e da avaliação médica, devendo a prescrição ser feita exclusivamente por um profissional de saúde.
A medicação para a perda de peso é para toda a vida?
Não existe uma resposta única e definitiva a esta questão, uma vez que a duração do tratamento depende dos resultados obtidos, da tolerância ao medicamento e da eventual ocorrência de efeitos secundários.
Em alguns casos, o médico pode recomendar a utilização prolongada da medicação, sobretudo quando esta se revela eficaz e bem tolerada. Noutras situações, pode aconselhar a sua suspensão, substituição ou ajuste terapêutico, incluindo a associação a outros fármacos, se tal se justificar.
Há algum comprimido natural para emagrecer?
Atualmente, não existem comprimidos naturais com eficácia cientificamente comprovada para promover uma perda de peso sustentada e clinicamente significativa.
Importa ainda sublinhar que, independentemente do peso corporal, a atividade física traz benefícios globais para a saúde. Desde caminhadas diárias a exercícios cardiovasculares ou de força, qualquer forma de movimento contribui para melhorar a condição física, reduzir o risco de doença e promover o bem-estar geral.
Existem comprimidos para emagrecer sem receita médica?
A ideia de recorrer a um comprimido “detox” para emagrecer pode parecer apelativa, sobretudo por ser de fácil acesso. No entanto, é importante ter presente que muitos produtos vendidos sem receita médica podem ter impacto significativo na saúde.
Alguns destes produtos podem simplesmente não produzir os resultados prometidos e, de um modo geral, a maioria dos suplementos comercializados para perda de peso não é recomendada pelas autoridades de saúde devido à falta de evidência científica sólida quanto à sua eficácia e segurança.
Antes de iniciar qualquer medicamento ou suplemento sem receita médica, é fundamental consultar um profissional de saúde. Estes produtos podem causar efeitos secundários, interagir com outros fármacos e, em alguns casos, colocar a saúde em risco.