Por que razão as mulheres reportam mais sintomas de saúde mental
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Índice
H1. Por que razão as mulheres reportam mais sintomas de saúde mental
A saúde mental das mulheres tem sido cada vez mais debatida, sobretudo à medida que a investigação aprofunda as diferenças entre géneros na forma como os sintomas emocionais são percebidos, vividos e reportados.
Em Portugal e noutros países, os dados demonstram que as mulheres referem com maior frequência sintomas de ansiedade, depressão, stress e exaustão emocional. Estas diferenças não são casuais, resultam da combinação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais que moldam a experiência feminina ao longo da vida.
Neste artigo, exploramos os fatores que influenciam a saúde mental feminina, analisamos os dados mais recentes e apresentamos várias dicas práticas para reduzir o stress e reforçar o bem-estar emocional.
H2. Fatores que afetam a saúde mental das mulheres
A saúde mental feminina resulta da interação entre aspetos biológicos, hormonais, sociais e culturais. Estes fatores estão presentes em diferentes fases da vida e contribuem para que as mulheres apresentem, em média, maior vulnerabilidade emocional.
H3. Influência hormonal e biológica
As mulheres são mais suscetíveis a variações de humor devido às flutuações hormonais que ocorrem durante:
A puberdade;
O ciclo menstrual (incluindo síndrome pré-menstrual e perturbação disfórica pré-menstrual);
A gravidez e o pós-parto;
A perimenopausa e a menopausa.
Estas mudanças podem influenciar neurotransmissores como a serotonina, afetando a regulação emocional. As mulheres têm aproximadamente o dobro do risco de desenvolver depressão ao longo da vida, comparativamente aos homens.
H3. Gravidez, pós-parto e primeiros anos de maternidade
A maternidade é um período de enorme intensidade emocional. Apesar de ser uma fase positiva, também envolve grandes desafios físicos, sociais e psicológicos.
Condições como depressão pós-parto, ansiedade perinatal e burnout materno continuam subdiagnosticadas, em parte porque muitas mulheres evitam procurar ajuda por receio de julgamento, culpa ou falta de tempo.
A pressão social para ser “uma mãe perfeita” aumenta o stress e impede muitas mulheres de reconhecerem ou verbalizarem que precisam de apoio.
H3. Desigualdades sociais e carga mental
As mulheres continuam a assumir a maior parte da gestão doméstica e dos cuidados familiares, mesmo quando trabalham em horário completo. Esta carga mental, muitas vezes invisível, inclui:
Organização da rotina familiar;
Acompanhamento de crianças;
Gestão de cuidados a familiares idosos;
Planeamento e responsabilidade emocional do agregado.
A isto junta-se, em muitos casos, maior instabilidade laboral, desigualdade salarial e maior incidência de violência doméstica física e psicológica, fatores que aumentam significativamente o risco de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico.
H3. Pressão social e cultural
As mulheres sentem maior pressão para corresponder a expetativas externas, como:
Padrões de beleza irrealistas;
Excelência profissional;
Disponibilidade emocional constante;
Perfeição na maternidade;
Comparações constantes nas redes sociais.
Estes padrões alimentam níveis elevados de autocrítica, ansiedade e insatisfação com o próprio desempenho.
O que revelam os dados do estudo Marktest-Medicare Saúde Mental
O estudo Marktest-Medicare 2025 confirma tendências identificadas em estudos internacionais e apresenta dados relevantes para a realidade portuguesa.
De acordo com o relatório, 34,6% dos portugueses entre os 18 e os 64 anos reportaram sintomas relacionados com a saúde mental no último ano, sendo esta realidade mais marcada no género feminino.
Mulheres apresentam mais sintomas
O estudo indica que:
41,7% das mulheres reportaram sintomas de saúde mental no último ano, comparando com 27% dos homens;
As mulheres referem com maior frequência sintomas como ansiedade, burnout, depressão e ataques de pânico;
São também as que mais sentem necessidade de procurar apoio especializado, assumindo maior procura de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
Maior preocupação com o equilíbrio emocional
As mulheres destacam-se como o grupo que mais valoriza estratégias de prevenção e autocuidado.
O relatório mostra também que 55% das mulheres referem níveis elevados de stress, enquanto 44% dos homens reportam o mesmo, reforçando a diferença na carga emocional entre géneros.
Exaustão é um denominador comum
O relatório evidencia que muitas mulheres portuguesas referem sentir:
Cansaço extremo;
Falta de tempo para si próprias;
Dificuldade em conciliar múltiplas responsabilidades;
Sobrecarga emocional.
Entre pessoas com doenças crónicas, os níveis de stress elevado atingem 65,6%, o que reforça a ligação entre saúde física e saúde mental, uma realidade que afeta de forma particular as mulheres.
Dicas práticas para combater o stress e melhorar a saúde mental
As recomendações a seguir podem ser adaptadas a diferentes rotinas e estilos de vida. Não substituem, no entanto, o acompanhamento clínico, mas ajudam a reduzir o stress diário.
Priorizar o autocuidado (sem culpa)
Atos simples fazem diferença:
Manter horários de sono regulares;
Praticar exercício físico com regularidade;
Reduzir álcool, açúcar e cafeína em períodos de maior stress;
Dedicar tempo a atividades que proporcionem prazer e tranquilidade.
O autocuidado, mesmo que pareça básico, é um dos pilares mais eficazes na prevenção de sintomas depressivos e de ansiedade.
Aprender a estabelecer limites
Dizer “não” é uma ferramenta de proteção emocional. As mulheres tendem a assumir muitas responsabilidades, o que aumenta a probabilidade de burnout.
Estabelecer limites também significa:
Delegar tarefas;
Pedir ajuda;
Recusar obrigações que não são prioritárias;
Reservar tempo para descanso.
Procurar apoio quando necessário
Procurar ajuda é um gesto de inteligência emocional e não de fraqueza. Psicólogos, médicos de família e psiquiatras podem ajudar a identificar causas, ajustar estratégias e acompanhar o tratamento.
Sinais que justificam procurar ajuda:
Tristeza persistente;
Irritabilidade frequente;
Perda de interesse em atividades;
Alterações no apetite ou sono;
Sensação de esgotamento;
Dificuldade em cumprir tarefas diárias.
Reforçar redes sociais de apoio
O apoio emocional de pessoas próximas, como amigos, familiares ou grupos comunitários, aumenta a resiliência emocional.
Estudos mostram que redes de apoio reduzem sintomas de ansiedade e facilitam o equilíbrio emocional, especialmente em períodos de maior exigência.
Cuidar da saúde física
Alterações hormonais, doenças crónicas e problemas físicos podem intensificar sintomas emocionais.
Consultas regulares, análises, acompanhamento ginecológico e monitorização da saúde geral são fundamentais para prevenir problemas.
Compreender para melhor cuidar da saúde mental das mulheres
As mulheres reportam mais sintomas de saúde mental devido a um conjunto complexo de fatores biológicos, sociais, culturais e emocionais.
Reconhecer esta realidade é essencial para promover políticas de apoio, melhorar o acesso aos cuidados e criar ambientes mais equilibrados: em casa, no trabalho e na sociedade.
Cuidar da saúde mental é um processo contínuo, que exige atenção, autoconhecimento e, sempre que necessário, apoio especializado.