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Por que razão as mulheres reportam mais sintomas de saúde mental

5 mins. leitura

Índice

  1. 1. Fatores que afetam a saúde mental das mulheres
  2. 2. O que revelam os dados do estudo Marktest-Medicare Saúde Mental
  3. 3. Dicas práticas para combater o stress e melhorar a saúde mental
  4. 4. Compreender para melhor cuidar da saúde mental das mulheres

H1. Por que razão as mulheres reportam mais sintomas de saúde mental

A saúde mental das mulheres tem sido cada vez mais debatida, sobretudo à medida que a investigação aprofunda as diferenças entre géneros na forma como os sintomas emocionais são percebidos, vividos e reportados.

Em Portugal e noutros países, os dados demonstram que as mulheres referem com maior frequência sintomas de ansiedade, depressão, stress e exaustão emocional. Estas diferenças não são casuais, resultam da combinação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais que moldam a experiência feminina ao longo da vida.

Neste artigo, exploramos os fatores que influenciam a saúde mental feminina, analisamos os dados mais recentes e apresentamos várias dicas práticas para reduzir o stress e reforçar o bem-estar emocional.

H2. Fatores que afetam a saúde mental das mulheres

A saúde mental feminina resulta da interação entre aspetos biológicos, hormonais, sociais e culturais. Estes fatores estão presentes em diferentes fases da vida e contribuem para que as mulheres apresentem, em média, maior vulnerabilidade emocional.

H3. Influência hormonal e biológica

As mulheres são mais suscetíveis a variações de humor devido às flutuações hormonais que ocorrem durante:

Estas mudanças podem influenciar neurotransmissores como a serotonina, afetando a regulação emocional. As mulheres têm aproximadamente o dobro do risco de desenvolver depressão ao longo da vida, comparativamente aos homens.

H3. Gravidez, pós-parto e primeiros anos de maternidade

A maternidade é um período de enorme intensidade emocional. Apesar de ser uma fase positiva, também envolve grandes desafios físicos, sociais e psicológicos.

Condições como depressão pós-parto, ansiedade perinatal e burnout materno continuam subdiagnosticadas, em parte porque muitas mulheres evitam procurar ajuda por receio de julgamento, culpa ou falta de tempo.

A pressão social para ser “uma mãe perfeita” aumenta o stress e impede muitas mulheres de reconhecerem ou verbalizarem que precisam de apoio.

H3. Desigualdades sociais e carga mental

As mulheres continuam a assumir a maior parte da gestão doméstica e dos cuidados familiares, mesmo quando trabalham em horário completo. Esta carga mental, muitas vezes invisível, inclui:

  • Organização da rotina familiar;

  • Acompanhamento de crianças;

  • Gestão de cuidados a familiares idosos;

  • Planeamento e responsabilidade emocional do agregado.

A isto junta-se, em muitos casos, maior instabilidade laboral, desigualdade salarial e maior incidência de violência doméstica física e psicológica, fatores que aumentam significativamente o risco de ansiedade, depressão e sofrimento psicológico.

H3. Pressão social e cultural

As mulheres sentem maior pressão para corresponder a expetativas externas, como:

  • Padrões de beleza irrealistas;

  • Excelência profissional;

  • Disponibilidade emocional constante;

  • Perfeição na maternidade;

  • Comparações constantes nas redes sociais.

Estes padrões alimentam níveis elevados de autocrítica, ansiedade e insatisfação com o próprio desempenho.

fatores saúde mental mulher

O que revelam os dados do estudo Marktest-Medicare Saúde Mental

O estudo Marktest-Medicare 2025 confirma tendências identificadas em estudos internacionais e apresenta dados relevantes para a realidade portuguesa.

De acordo com o relatório, 34,6% dos portugueses entre os 18 e os 64 anos reportaram sintomas relacionados com a saúde mental no último ano, sendo esta realidade mais marcada no género feminino.

Mulheres apresentam mais sintomas

O estudo indica que:

  • 41,7% das mulheres reportaram sintomas de saúde mental no último ano, comparando com 27% dos homens;

  • As mulheres referem com maior frequência sintomas como ansiedade, burnout, depressão e ataques de pânico;

  • São também as que mais sentem necessidade de procurar apoio especializado, assumindo maior procura de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Maior preocupação com o equilíbrio emocional

As mulheres destacam-se como o grupo que mais valoriza estratégias de prevenção e autocuidado.

O relatório mostra também que 55% das mulheres referem níveis elevados de stress, enquanto 44% dos homens reportam o mesmo, reforçando a diferença na carga emocional entre géneros.

Exaustão é um denominador comum

O relatório evidencia que muitas mulheres portuguesas referem sentir:

  • Cansaço extremo;

  • Falta de tempo para si próprias;

  • Dificuldade em conciliar múltiplas responsabilidades;

  • Sobrecarga emocional.

Entre pessoas com doenças crónicas, os níveis de stress elevado atingem 65,6%, o que reforça a ligação entre saúde física e saúde mental, uma realidade que afeta de forma particular as mulheres.

Dicas práticas para combater o stress e melhorar a saúde mental

As recomendações a seguir podem ser adaptadas a diferentes rotinas e estilos de vida. Não substituem, no entanto, o acompanhamento clínico, mas ajudam a reduzir o stress diário.

Priorizar o autocuidado (sem culpa)

Atos simples fazem diferença:

O autocuidado, mesmo que pareça básico, é um dos pilares mais eficazes na prevenção de sintomas depressivos e de ansiedade.

Aprender a estabelecer limites

Dizer “não” é uma ferramenta de proteção emocional. As mulheres tendem a assumir muitas responsabilidades, o que aumenta a probabilidade de burnout.

Estabelecer limites também significa:

  • Delegar tarefas;

  • Pedir ajuda;

  • Recusar obrigações que não são prioritárias;

  • Reservar tempo para descanso.

apoio-saude-mental-mulheres

Procurar apoio quando necessário

Procurar ajuda é um gesto de inteligência emocional e não de fraqueza. Psicólogos, médicos de família e psiquiatras podem ajudar a identificar causas, ajustar estratégias e acompanhar o tratamento.

Sinais que justificam procurar ajuda:

  • Tristeza persistente;

  • Irritabilidade frequente;

  • Perda de interesse em atividades;

  • Alterações no apetite ou sono;

  • Sensação de esgotamento;

  • Dificuldade em cumprir tarefas diárias.

Reforçar redes sociais de apoio

O apoio emocional de pessoas próximas, como amigos, familiares ou grupos comunitários, aumenta a resiliência emocional.

Estudos mostram que redes de apoio reduzem sintomas de ansiedade e facilitam o equilíbrio emocional, especialmente em períodos de maior exigência.

Cuidar da saúde física

Alterações hormonais, doenças crónicas e problemas físicos podem intensificar sintomas emocionais.

Consultas regulares, análises, acompanhamento ginecológico e monitorização da saúde geral são fundamentais para prevenir problemas.

Compreender para melhor cuidar da saúde mental das mulheres

As mulheres reportam mais sintomas de saúde mental devido a um conjunto complexo de fatores biológicos, sociais, culturais e emocionais.

Reconhecer esta realidade é essencial para promover políticas de apoio, melhorar o acesso aos cuidados e criar ambientes mais equilibrados: em casa, no trabalho e na sociedade.

Cuidar da saúde mental é um processo contínuo, que exige atenção, autoconhecimento e, sempre que necessário, apoio especializado.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico.

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