Ir para conteúdo principal
Estudo Marktest Medicare - Hábitos do Sono

Hábitos de Sono - Dados em Portugal

7 mins. leitura

Índice

  1. 1. Hábitos de sono e saúde
  2. 2. Duração do sono em Portugal
  3. 3. Diferenças no sono (sexo, idade, região)
  4. 4. Problemas de sono em Portugal
  5. 5. Consequências do sono insuficiente

Hábitos de Sono dos Portugueses: o que os dados revelam sobre a saúde do país

Os hábitos de sono da população portuguesa revelam um padrão preocupante de défice crónico, com implicações diretas na saúde física, mental e na produtividade. De acordo com o Estudo Nacional de Saúde 2025, desenvolvido pela Marktest para a Medicare, a maioria dos portugueses dorme menos do que o recomendado pelas orientações internacionais. Este artigo apresenta os dados do estudo, contextualiza-os clinicamente e identifica os grupos de maior risco. A informação aqui reunida tem fins educativos e não substitui avaliação médica individual.

O que são hábitos de sono e porque importam para a saúde

Os hábitos de sono dizem respeito ao conjunto de comportamentos e condições que determinam a duração, a regularidade e a qualidade do sono de uma pessoa. Incluem a hora a que se deita e acorda, a existência de interrupções noturnas, a dificuldade em adormecer e a sensação de descanso ao acordar.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e as principais sociedades médicas internacionais reconhecem o sono como um dos três pilares fundamentais da saúde, a par da alimentação equilibrada e da atividade física regular. A evidência científica demonstra que a duração e a qualidade do sono influenciam diretamente o desempenho cognitivo, a saúde cardiovascular, o equilíbrio metabólico, a saúde mental e a longevidade.

Para adultos entre os 18 e os 64 anos, as recomendações internacionais apontam para um intervalo de 7 a 9 horas de sono por noite como padrão ideal para a manutenção da saúde física e mental.

Quantas horas dormem os portugueses: os números do estudo

Os dados do Estudo Nacional de Saúde 2025 (Marktest/Medicare), com uma amostra representativa de 953 entrevistas a indivíduos entre os 18 e os 64 anos residentes em Portugal Continental, revelam um quadro de privação crónica generalizada.

A maioria da população (61,3%) refere dormir entre 5 e 7 horas por noite, um valor que se situa no limite inferior das recomendações internacionais. Apenas 30,1% atinge o padrão considerado ideal, entre 7 e 9 horas. O dado mais preocupante é que 7,9% dos indivíduos dorme menos de 5 horas por noite, um nível associado clinicamente a risco acrescido de doenças cardiovasculares, depressão, défice de atenção e acidentes laborais.

O grupo que dorme mais de 9 horas é residual (0,6%), o que indica que o problema dominante nesta população é claramente o défice de sono e não o excesso.

Estudo Medicare - Horas médias de sono

Quem dorme pior: diferenças por sexo, idade e região

Os dados não são uniformes. A análise por subgrupos revela desigualdades significativas que merecem atenção clínica e de saúde pública.

Sexo: As mulheres apresentam prevalências significativamente superiores de sono insuficiente. 10,1% das mulheres dorme menos de 5 horas por noite, quase o dobro do observado nos homens (5,6%). A dificuldade em adormecer afeta 35,4% das mulheres, face a 24,1% dos homens. As interrupções frequentes do sono atingem 48,7% das mulheres, em comparação com 36,3% dos homens.

Idade: O grupo dos 55 a 64 anos é o mais afetado. Nesta faixa etária, 16,3% dorme menos de 5 horas por noite, um valor contrastante com os grupos mais jovens. As interrupções do sono atingem 49,8% neste escalão.

Contexto sociodemográfico: Grupos com maior vulnerabilidade social e determinados contextos regionais evidenciam maior prevalência de sono insuficiente, o que reforça a ligação entre sono, desigualdade social e saúde pública.

Na prática clínica, estes padrões são reconhecidos. A prevalência superior nas mulheres relaciona-se frequentemente com fatores hormonais, maior carga de responsabilidades domésticas e profissionais e maior suscetibilidades ao impacto do stress no sono.

Estudo Medicare - Sensação de Descanso

Dificuldade em adormecer e interrupções do sono: dados nacionais

O estudo identifica dois fenómenos clinicamente relevantes para além da duração do sono: a dificuldade em iniciar o sono e a fragmentação noturna.

Cerca de 30% da população refere dificuldade habitual em adormecer. A dificuldade de iniciação do sono é um dos principais critérios diagnósticos de insónia crónica e está frequentemente associada a stress, ansiedade, utilização excessiva de ecrãs antes de dormir, horários irregulares e hiperestimulação cognitiva noturna.

Adicionalmente, 42,7% dos indivíduos acorda habitualmente durante a noite e tem dificuldade em voltar a adormecer. Esta fragmentação do sono compromete a arquitetura normal das fases do sono, em particular o sono profundo e o sono REM, que são determinantes para a recuperação física e cognitiva.

O resultado combinado destes dois fatores reflete-se na perceção de descanso: apenas 55,2% da população refere acordar com sensação de descanso. Quase metade dos portugueses inicia o dia em défice funcional.

Os dados apontam ainda para uma ligação direta entre qualidade do sono e saúde emocional. O stress e a ansiedade foram identificados como a principal preocupação de saúde para 23,6% dos portugueses. Mais de metade das mulheres (55%) admitiu ter sentido níveis elevados de stress nos últimos seis meses, em contraste com 45% dos homens.

Estudo Medicare - Dificuldades em adormecer

Consequências clínicas do sono insuficiente

O sono insuficiente e de má qualidade não é apenas uma questão de cansaço. A evidência científica acumulada associa a privação crónica de sono a um conjunto alargado de riscos para a saúde.

No plano cardiovascular, dormir menos de 6 horas de forma regular está associado a maior risco de hipertensão arterial, doença coronária e acidente vascular cerebral, segundo orientações da OMS e da Sociedade Europeia de Cardiologia. No plano metabólico, a privação de sono interfere com a regulação da glicemia e aumenta o risco de obesidade e diabetes tipo 2. No plano da saúde mental, o sono insuficiente está bidireccionalmente associado à depressão, ansiedade e perturbações de humor.

A nível cognitivo, o défice de sono compromete a memória, a concentração, a tomada de decisão e o tempo de reação, com impacto direto no desempenho profissional e na segurança rodoviária e laboral.

Segundo a interpretação clínica do próprio estudo, a privação e a má qualidade do sono são hoje um padrão populacional com impacto direto na saúde e no desempenho. Não se trata de um fenómeno marginal, mas de um problema de saúde pública com implicações sistémicas.

Estudo Medicare - Interrupções no sono

Quando procurar um profissional de saúde

Nem toda a dificuldade ocasional em dormir requer acompanhamento médico. No entanto, há situações em que a avaliação clínica é recomendada:

  • Dificuldade persistente em adormecer ou em manter o sono durante mais de 3 semanas

  • Sensação habitual de cansaço ao acordar, independentemente das horas dormidas

  • Sonolência diurna excessiva que interfere com o funcionamento quotidiano

  • Suspeita de apneia do sono (ressonar intenso, pausas respiratórias durante o sono, acordar com cefaleias)

  • Alterações do sono associadas a ansiedade, depressão ou outro problema de saúde mental identificado

Em contexto de acompanhamento médico, o profissional de saúde pode avaliar as causas subjacentes, excluir perturbações do sono diagnosticáveis e propor intervenções adequadas. A terapia cognitivo-comportamental para a insónia (TCC-I) é considerada de primeira linha segundo as recomendações do NICE e da Academia Americana de Medicina do Sono.

Perguntas Frequentes sobre hábitos de sono

Quantas horas de sono são recomendadas para adultos?

Para adultos entre os 18 e os 64 anos, as recomendações internacionais, incluindo as da OMS e da National Sleep Foundation, apontam para 7 a 9 horas de sono por noite como intervalo ideal. Dormir de forma consistente abaixo das 6 horas está associado a risco acrescido de múltiplas doenças crónicas. A avaliação individual deve ter em conta a qualidade e não apenas a duração.

Quais são os hábitos de sono dos portugueses segundo os dados mais recentes?

De acordo com o Estudo Nacional de Saúde 2025 (Marktest/Medicare), 61,3% dos portugueses dorme entre 5 e 7 horas por noite, abaixo do recomendado. Apenas 30,1% atinge o intervalo considerado ideal (7 a 9 horas). Adicionalmente, 42,7% refere interrupções frequentes do sono e 44,8% acorda sem sensação de descanso.

Porque é que as mulheres dormem pior do que os homens?

Os dados nacionais mostram que as mulheres registam maior prevalência de sono insuficiente, dificuldade em adormecer e interrupções do sono. Na prática clínica, estas diferenças associam-se a fatores hormonais, maior carga de responsabilidades múltiplas e maior impacto do stress na qualidade do sono. Cada caso exige avaliação individualizada.

O que é a privação crónica de sono e quais os seus efeitos?

A privação crónica de sono corresponde a um défice acumulado e persistente de sono suficiente e de qualidade. Os seus efeitos documentados incluem maior risco cardiovascular, perturbações metabólicas (obesidade, diabetes tipo 2), depressão, ansiedade, défice cognitivo e aumento do risco de acidentes. Segundo a OMS, o sono insuficiente é considerado um problema de saúde pública a nível global.

O que é a fragmentação do sono e porque é prejudicial?

A fragmentação do sono refere-se ao acordar repetido durante a noite, com ou sem dificuldade em voltar a adormecer. Este padrão compromete as fases de sono profundo e sono REM, essenciais para a recuperação física, a consolidação da memória e o equilíbrio emocional. Mesmo com um número adequado de horas, um sono fragmentado pode não ser suficientemente reparador.

Quando devo ir ao médico por problemas de sono?

Deve procurar avaliação médica se tiver dificuldade persistente em adormecer ou em manter o sono durante mais de 3 semanas, se acordar habitualmente sem sensação de descanso, se sentir sonolência diurna que interfira com as suas actividades ou se suspeitar de apneia do sono. O médico pode identificar causas tratáveis e propor intervenções adequadas ao seu caso específico.

Mastercare logo
Workshop Relacionado

Registe-se Grátis
e aprenda com os melhores

na Maior Plataforma de Educação em Saúde Mental & Bem-Estar.

Aviso: O Blog Mais Saúde é um espaço meramente informativo. A Medicare recomenda sempre a consulta de um profissional de saúde para diagnóstico ou tratamento, não devendo nunca este Blog ser considerado substituto de diagnóstico médico.

Encontre aqui profissionais de saúde perto de si.

Contribua com sugestões de melhoria através do nosso formulário online.

Este artigo foi útil?

Obrigado pelo seu feedback.

Partilhe este artigo:

Obrigado pela sua preferência.

Irá receber no seu email as melhores dicas de Saúde e Bem-estar.
Pode em qualquer momento alterar ou retirar o(s) consentimento(s) prestado(s).

Receba as melhores dicas
de Saúde e Bem-estar

Precisamos do seu consentimento para envio de mais informação.

Encontre o melhor
Prestador Medicare perto de si

Código Postal inválido

Pesquise entre os mais de 17 500 Prestadores
da Rede de Saúde Medicare.

Artigos relacionados:

Ver mais
1 presente à escolha

ADESÃO ONLINE Presente à escolha

Aderir Online
Cartão Platinium Mais Vida
Quer aderir? Ligamos grátis! Esclareça as suas dúvidas com a nossa
equipa, sem compromisso.
Precisamos do seu consentimento para envio de mais informação.
Formulário enviado Obrigado pelo seu contacto. Será contactado em breve pela nossa equipa de especialistas.
Política de Privacidade