Cansaço em demasia? Saiba as principais causas
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Cansaço em demasia? Saiba as principais causas
Quando é clinicamente significativa, a prevalência da fadiga, uma sensação extrema de cansaço, varia consoante o grau de incapacidade e o tempo de duração em cada pessoa.
Duas vezes mais comum em mulheres do que em homens, a fadiga pode ocorrer em qualquer idade ou em pessoas com diferentes profissões.
O cansaço inexplicável e a perda de energia associada constituem um dos motivos mais comuns de procura de cuidados de saúde. Estima-se que seja a queixa principal em cerca de 5% a 10% das primeiras consultas médicas.
Na maioria dos casos, o cansaço extremo integra um conjunto mais amplo de sintomas, que pode incluir depressão, dor e fraqueza muscular, dificuldades de concentração, nervosismo, ansiedade e irritabilidade.
Tipos de cansaço
Descrito como uma sensação de mal-estar, falta de motivação para agir ou como uma diminuição objetiva do desempenho, o cansaço pode manifestar-se sob a forma mental ou física. Para além destes dois tipos principais, podem existir outros, nomeadamente:
Cansaço e fadiga súbita: pode ocorrer devido a atividade física intensa, a infeções ou doenças crónicas, como esclerose múltipla;
Fadiga muscular: o corpo pode parecer pesado ou sem força. Embora o exercício físico intenso seja uma causa frequente, este tipo de fadiga também pode surgir associado a problemas de saúde, como cancro ou AVC;
Fadiga na gravidez: é mais frequente no primeiro trimestre, mas a sensação de cansaço e falta de energia pode surgir em qualquer fase da gravidez. Está geralmente associada a alterações hormonais, aumento de peso, perturbações do sono, baixos níveis de ferro ou ao aumento da frequência respiratória e cardíaca;
Fadiga extrema depois das refeições: é normal sentir alguma sonolência depois de comer, sobretudo quando a refeição inclui hidratos de carbono e proteínas. No entanto, quando este cansaço ocorre com frequência ou de forma intensa, pode estar associado a condições médicas, como anemia, diabetes, doença celíaca ou alergias alimentares.
Classificação dos tipos de cansaço
O cansaço acompanhado de dores no corpo é frequente após esforço físico intenso, períodos prolongados de stress ou privação de sono. A fadiga pode, ainda, ser classificada em três categorias específicas, nomeadamente:
Fadiga recente: duração inferior a um mês (causas comuns incluem stress, anemia e depressão);
Fadiga prolongada: duração entre um e seis meses (distúrbios comuns associados incluem diabetes, apneia do sono e hipotiroidismo);
Fadiga crónica: duração superior a seis meses (causas comuns incluem toma de medicamentos, condições de saúde mental e síndrome da fadiga crónica).
Causas do cansaço
Embora existam múltiplas causas para o cansaço, a síndrome da taquicardia postural ortostática, uma perturbação do sistema nervoso autónomo, é frequentemente ignorada ou mesmo diagnosticada de forma incorreta.
Esta síndrome corresponde a um conjunto de sintomas resultantes de uma disfunção do sistema nervoso autónomo, responsável por funções involuntárias como a transpiração e a regulação da circulação sanguínea.
Ainda assim, as possíveis causas do cansaço persistente podem, de forma geral, ser agrupadas em três grandes categorias: fatores relacionados com o estilo de vida, condições de saúde física e problemas de saúde mental, que detalhamos de seguida.
Estilo de vida
O cansaço e a falta de energia em demasia podem ser o resultado das atividades diárias e de outras escolhas de estilo de vida, tais como:
Tomar alguns medicamentos, como sedativos, antidepressivos ou antialérgicos;
Períodos de stress emocional;
Consumo excessivo de cafeína;
Consumo regular de álcool ou substâncias nocivas;
Ausência ou excesso de atividade física;
Excesso de peso ou obesidade;
Alimentação inadequada;
Esforço físico;
Falta de sono;
Tédio;
Luto.
Condições de saúde física
Muitas condições médicas podem originar sintomas de cansaço. As principais causas podem incluir:
Artrite;
Anemia;
Diabetes;
Enfisema;
Hipotiroidismo;
Hipertiroidismo;
Esclerose múltipla;
Doenças autoimunes, hepáticas e renais;
Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC);
Perturbações alimentares, como anorexia;
Perturbações do sono, como insónias;
Insuficiência cardíaca congestiva;
Infeções, como gripe e constipação;
Síndrome da fadiga crónica;
Cancro.
Problemas de saúde mental
O stress é uma causa frequente de cansaço inexplicável e perda de energia. Este sintoma é também um dos principais sinais da depressão clínica, quer como manifestação direta da doença, quer em consequência de problemas associados, como a insónia.
A fadiga pode ainda resultar de outras perturbações de saúde mental, tais como:
Tédio;
Luto e sofrimento;
Perturbações alimentares;
Exaustão emocional ou burnout;
Eventos da vida, como divórcio ou mudança de residência.
Soluções para o cansaço
O tratamento do cansaço, que pode incluir desde a terapia cognitivo-comportamental até alterações no estilo de vida, depende sempre da sua causa subjacente.
Antes de definir qualquer abordagem terapêutica, é essencial uma avaliação clínica inicial, que inclua uma anamnese detalhada e um exame físico completo, de forma a identificar possíveis causas médicas do cansaço.
Investigação inicial
A avaliação pode incluir:
Análises laboratoriais simples;
Rastreio de apneia do sono, especialmente em casos de ronco ou sonolência diurna excessiva;
Revisão da medicação habitual;
Avaliação do consumo de álcool, cafeína e outras substâncias.
Se não for identificada uma condição médica responsável pelo cansaço extremo, as mudanças no estilo de vida podem ajudar a reduzir ou aliviar os sintomas. Entre as principais estratégias incluem-se:
Gerir o stress: práticas como ioga, meditação e exercício físico regular podem ajudar a reduzir o stress e a aumentar os níveis de energia;
Dormir o suficiente: idealmente entre sete e nove horas por noite, mantendo horários regulares e evitando ecrãs, cafeína e exercício físico intenso antes de dormir;
Praticar exercício físico: contribui para a redução da fadiga e para a melhoria da qualidade do sono. Em pessoas habituadas a exercício regular, atividades mais vigorosas podem aumentar os níveis de energia;
Adotar uma alimentação equilibrada: privilegiar o consumo de frutas e vegetais frescos, fazer refeições pequenas e frequentes ao longo do dia e evitar alimentos altamente processados. A suplementação vitamínica só é recomendada em caso de défices comprovados, como ferro ou vitamina D;
Evitar álcool e outras substâncias que possam interferir com o sono ou comprometer os níveis de energia.
Sinais de alerta
Existem alguns sinais de alerta a que deve estar atento para agir rapidamente. Alguns deles exigem atenção médica imediata, como:
Perda ponderal crónica;
Fraqueza muscular ou dor;
Linfadenopatia generalizada (inchaço dos gânglios linfáticos);
Febre ou sudorese (transpiração) noturna crónica;
Envolvimento de mais de um sistema de órgãos, como exantema (erupção) e artrite;
Sintomas graves não relacionados com o cansaço, como hemoptise, dispneia grave, ascite, confusão ou pensamentos suicidas.
Para além destes sinais de alerta, o aparecimento de uma cefaleia recente ou de perda de visão, quando associado a dores musculares em adultos mais velhos, pode sugerir condições como a polimialgia reumática ou a arterite de células gigantes.
Na ausência de sinais de alerta, o médico pode proceder à avaliação através do exame físico e da análise do historial clínico.